🫘 Nefrologia · MedCaju

Semiologia Nefrológica
Completa

Anatomia, Nefrótica, Nefrítica, IRA, DRC e Litíase — material interativo passo a passo para residência e concurso

6síndromes
7+questões quiz
SVGsilustrativos
Refsatualizadas
Visão Geral

A Lógica Central da Nefrologia

O rim filtra, regula, excreta e produz hormônios. Quando falha, o desequilíbrio é sistêmico. Reconhecer as síndromes nefrológicas antes que o rim falhe é o objetivo central da semiologia renal.

As 5 Síndromes — entender a lógica antes de decorar

  • Nefrótica: podócito lesado → proteína passa → proteinúria > 3,5g/dia → edema + hipoalbuminemia
  • Nefrítica: MBG inflamada → sangue passa → hematúria dismórfica + HAS + oligúria + cilindros hemáticos
  • IRA: queda aguda da TFG → creatinina sobe → pré-renal (FENa <1%), intrínseca (FENa >2%), pós-renal (obstrução)
  • DRC: TFG <60 por >3 meses → G1-G5 pelo KDIGO → anemia, osteodistrofia, HiperK
  • Litíase: cristais no sistema coletor → cólica nefrética → TCC sem contraste é padrão-ouro
Mapa das Síndromes Nefrológicas RIM 120ml/min Nefrótica Proteína passa Nefrítica Sangue passa IRA Falência aguda DRC Falência crônica Litíase Sistema coletor
Cada síndrome bate em um ponto diferente do néfron. Anatomia é a base para entender todas elas.

🔗 Sequência de estudo

Anatomia (néfron) → Nefrótica (podócito) → Nefrítica (MBG) → IRA (falência aguda) → DRC (falência crônica) → Litíase (sistema coletor). Cada seção tem revisão e ponte para o próximo assunto.

🥜
MedCaju

Questões de nefrologia comentadas — banco completo!

Acessar →
Macro e Micro

O Néfron — Unidade Funcional

Conceito-base

Entender o néfron é entender onde cada doença bate. A nefrótica bate no podócito. A nefrítica bate na MBG. A furosemida bate na alça de Henle. O tiazídico bate no TCD. Sem anatomia você decora — com ela, você entende.

Cada rim possui 1 a 1,2 milhão de néfrons. TFG normal: 120 mL/min/1,73m². O corpo filtra ~180L/dia → 99% reabsorvido → 1,5-2L de urina.

O Néfron — Unidade Funcional do Rim Glomérulo filtração Cápsula de Bowman Aferente Eferente TCP — 65% Na⁺/H₂O CÓRTEX Alça de Henle Furosemida — inibe Na-K-2Cl MEDULA TCD Tiazídico — inibe NaCl Ducto Coletor ADH aquaporinas Aldost. Na⁺/K⁺ troca Urina Barreira Glomerular 1. Endotélio fenestrado 2. MBG (colágeno IV) 3. Podócitos ★ TFG Normal 120 mL/min · 180 L/dia Cr sobe só se TFG cai 50% TCP = Túb. Cont. Proximal · TCD = Túb. Cont. Distal · MBG = Membrana Basal Glomerular
O néfron integra filtração + reabsorção + secreção. Cada segmento tem função e é alvo de drogas específicas.

🔵 Barreira Glomerular — 3 Camadas

  • Endotélio fenestrado: poros 70-100nm, carga negativa repele proteínas
  • MBG: colágeno IV + laminina. Lesão → hematúria (nefrítica)
  • Podócitos: pedicelos com fendas de filtração. Lesão → proteinúria (nefrótica)
  • Urina normal: <150mg proteína/dia. >3,5g/dia = síndrome nefrótica

🟠 Funções Endócrinas

  • EPO: estimula eritropoiese. DRC → ↓EPO → anemia normocítica
  • Calcitriol: 1α-hidroxilação. DRC → ↓calcitriol → hiperparatireoidismo → osteodistrofia
  • Renina → SRAA: controla PA. IECA/BRA atuam aqui
  • Prostaglandinas: vasodilatam arteríola aferente (AINEs comprometem!)
Recall

Cockcroft-Gault vs CKD-EPI — qual usar?

Cockcroft-Gault: [(140-idade)×peso] / [72×Cr] × 0,85 (se ♀). Útil para ajuste de dose de fármacos.

CKD-EPI 2021: mais precisa para estadiamento de DRC. Recomendada pelo KDIGO 2012.

A creatinina isolada é marcador RUIM — só sobe quando TFG cai >50%. Por isso a DRC é silenciosa nos estágios iniciais.

✅ Revisão — Anatomia

  • 1-1,2 mi néfrons/rim · TFG normal 120 mL/min/1,73m²
  • TCP: 65% Na⁺/H₂O · Alça: furosemida · TCD: tiazídico · Ducto coletor: ADH + aldosterona
  • Barreira: endotélio + MBG + podócitos. Podócito lesado = proteinúria. MBG lesada = hematúria
  • EPO ↓ na DRC → anemia · Calcitriol ↓ na DRC → osteodistrofia
  • Creatinina é marcador tardio — só sobe quando TFG cai >50%

🔗 Próximo: Síndrome Nefrótica

Com o podócito em mente: quando ele falha, albumina passa para a urina em massa. Cascata: proteinúria → hipoalbuminemia → edema + hiperlipidemia + hipercoagulabilidade.

🥜
MedCaju

Anatomia renal e TFG — questões no banco!

Treinar →
Glomerulopatia

Síndrome Nefrótica

Conceito-base

O podócito está lesado e deixa proteínas passarem para a urina em grande quantidade. A perda proteica gera cascata: ↓albumina → edema + hiperlipidemia + hipercoagulabilidade.

Critérios Diagnósticos — Decorar!

  • Proteinúria maciça: >3,5 g/dia/1,73m² (relação prot/Cr >3,5 na urina spot)
  • Hipoalbuminemia: albumina sérica <3,0 g/dL
  • Edema: mole, frio, bilateral, gravitacional — MMII e face periorbitária
  • Hiperlipidemia: ↑ colesterol e TG (fígado compensa ↑ VLDL)
  • Lipidúria: cilindros graxos + corpos de maltês na urina
  • SEM hematúria intensa · SEM HAS proeminente — diferença da nefrítica!
Cascata Fisiopatológica — Síndrome Nefrótica Lesão Podocitária Proteinúria > 3,5g/dia Hipoalbuminemia Hiperlipidemia Hipercoagulabilidade ↓ Oncose → saída de H₂O Edema mole bilateral face + MMII ↑ VLDL / LDL / TG Cilindros graxos Lipidúria ↓ Antitrombina III ↓ Proteína C e S Risco TVP / TEP! Proteinúria >3,5g/dia é o gatilho. Hipercoagulabilidade = complicação mais grave.
Lesão podocitária → proteinúria → três consequências paralelas. Tromboembolismo é a principal causa de morte.

Causas por Faixa Etária — Saber de memória!

  • Criança (<8 anos): LME (Lesão Mínima) 90% · MO normal · ME fusão pedicelos · Excelente resposta ao corticoide
  • Adulto jovem (20-40): GESF · Afrodescendentes · Pior prognóstico
  • Adulto >40 anos: GN Membranosa (anti-PLA2R) ou Nefropatia Diabética
  • Qualquer faixa + DM: Nefropatia Diabética — nódulos de Kimmelstiel-Wilson — causa mais comum de DRC no mundo
DoençaIdadeMOMECorticoide
LMECriançaNormalFusão pedicelosExcelente
GESFAdulto jovemEsclerose focalFusão pedicelosVariável
GNM>40 anosEspessamento MBGDepósitos subepiteliaisModerada
DiabéticaDM longa dataNódulos KimmelstielMBG espessadaNão responde
🩸

Complicação mais grave: Tromboembolismo

Perda de antitrombina III, proteína C e S cria estado hipercoagulável. TVP, TEP e trombose de veia renal. Anticoagular se albumina <2,0 g/dL.

✅ Revisão — Nefrótica

  • Critérios: proteinúria >3,5g + hipoalbuminemia + edema + hiperlipidemia + lipidúria
  • Criança: LME (90%) · Adulto jovem: GESF · Adulto >40: GNM ou diabética
  • Cascata: podócito lesado → proteinúria → edema + hiperlipidemia + hipercoagulabilidade
  • Complicação: tromboembolismo (perda de antitrombina III e proteína C/S)
  • Diferença da nefrítica: SEM hematúria intensa e SEM HAS proeminente!

🔗 Próximo: Síndrome Nefrítica

Na nefrítica o glomérulo inflama: hematúria dismórfica (MBG danificada) + oligúria (glomérulo entope) + HAS (retenção de Na⁺/H₂O). Cilindro hemático = patognomônico.

🥜
MedCaju

LME, GESF, GNM — questões no banco!

Resolver →
Glomerulopatia

Síndrome Nefrítica

Conceito-base

O glomérulo sofre processo inflamatório/imune: MBG danificada → hematúria dismórfica, glomérulo obstruído → oligúria + HAS, TFG cai → azotemia leve.

Critérios Diagnósticos — Decorar!

  • Hematúria: "cor de coca-cola/fumaça" · Hemácias dismórficas (acantócitos) · Cilindros hemáticos = patognomônico!
  • Oligúria: <400 mL/dia · Glomérulo entupido
  • HAS: retenção de Na⁺/H₂O
  • Proteinúria leve: <3,5 g/dia (diferente da nefrótica!)
  • Azotemia: ↑ creatinina e ureia por queda da TFG
Hematúria — Glomerular vs Não Glomerular GLOMERULAR (Nefrítica) Urina cor de fumaça Acantócito Dismórfica Cilindro hemático ★ Acantócitos dismórficos Sem coágulos · Proteinúria leve → NEFRÍTICA NÃO GLOMERULAR (Urológica) Urina vermelho vivo Hemácias isomórficas normais Pode ter coágulos · Sem cilindros Sem proteinúria significativa → Litíase / Tumor / ITU
Hemácias dismórficas (acantócitos) + cilindros hemáticos = glomerular. Hemácias isomórficas = urológica. (Andrade et al., 2006; Yuste et al., 2015)

🔴 GN Pós-Estreptocócica — A Clássica!

  • 1-3 semanas após faringite estreptocócica ou 3-6 sem após impetigo
  • C3 ↓, C4 normal (via alternativa) · ASLO ↑
  • Biópsia: "gibas" subepiteliais · C3 em céu estrelado
  • Prognóstico excelente em crianças

🟣 Nefropatia por IgA (Berger)

  • Causa mais comum de GN primária no mundo
  • Hematúria macroscópica sinfaringítica (24-72h)
  • Complemento NORMAL (diferencia da pós-estrep)
  • IgA + C3 no mesângio · 30% → DRC em 20 anos

🔵 GNRP / Crescêntica — Emergência!

  • TFG cai 50% em semanas a meses
  • Crescentes em >50% dos glomérulos na biópsia
  • Tipo I: anti-MBG (Goodpasture) · Tipo III: ANCA
  • c-ANCA/PR3 = Wegener · p-ANCA/MPO = Poliangeite

🩵 Nefrite Lúpica

  • 50% dos pacientes com LES · Classes I-VI
  • C3 e C4 baixos (via clássica e alternativa)
  • Anti-dsDNA ↑ = atividade
  • IF: "full house" — IgG, IgA, IgM, C3, C1q+
Mnemônico
Nefrótica = Proteína escapa · Nefrítica = Sangue + HAS + Oligúria
Cilindro hemático = nefrítica até prova em contrário. Nefrótica: edema mole, SEM hematúria intensa.
CaracterísticaNefróticaNefrítica
Proteinúria> 3,5g/dia (maciça)< 3,5g/dia (moderada)
HematúriaAusente ou mínimaPresente + cilindros
HASAusente ou tardiaPresente
EdemaMole, frio, faceDuro, periorbital
ComplementoNormalBaixo (pós-estrep, lúpica)
Célula alvoPodócitoMBG / endotélio

✅ Revisão — Nefrítica

  • Tríade: hematúria dismórfica + HAS + oligúria · Cilindro hemático = patognomônico
  • GN Pós-estrep: 1-3 sem, C3↓ C4 normal, ASLO+ · Prognóstico bom em crianças
  • IgA (Berger): sinfaringítica, complemento normal · Causa mais comum de GN primária
  • GNRP: emergência · ANCA ou anti-MBG · Crescentes na biópsia
  • Nefrite lúpica: "full house" IF · C3 e C4 baixos · Anti-dsDNA

🔗 Próximo: IRA

Saímos das síndromes glomerulares. A IRA é queda aguda da TFG — classificar onde o problema está: pré-renal (FENa <1%), intrínseca (FENa >2%) ou pós-renal (obstrução).

🥜
MedCaju

Nefrítica, GN pós-estrep, GNRP — banco completo!

Acessar →
Emergência

Injúria Renal Aguda (IRA)

Critério KDIGO

Creatinina ↑ ≥0,3 mg/dL em 48h OU ≥1,5× basal em 7 dias OU diurese <0,5 mL/kg/h por ≥6h. Identificar onde está o problema: antes, dentro ou depois do rim.

IRA — Classificação por Localização PRÉ-RENAL 55-60% dos casos Causas: Hipovolemia (vômito, diarreia) IC descompensada Sepse (vasodilatação) IECA + desidratação Marcadores: FENa < 1% BUN/Cr > 20 Urina concentrada >500 Tto: Volume (SF/albumina) INTRÍNSECA 30-35% dos casos Causas: NTA isquêmica ou tóxica ★ Contraste, aminoglicosídeo Nefrite intersticial (AINEs) GN rapidamente progressiva Marcadores: FENa > 2% BUN/Cr < 20 Cilindros granulosos escuros Tto: Suporte + remover causa PÓS-RENAL 5-10% dos casos Causas: HBP (mais comum) Cálculo ureteral bilateral Ca. cervical/prostático Bexiga neurogênica Diagnóstico: US ponto-de-cuidado Hidronefrose na imagem Bastos et al., 2019 Tto: Desobstrução urgente FENa = Fração de Excreção de Sódio · BUN = Ureia Nitrogenada · NTA = Necrose Tubular Aguda
FENa <1% = pré-renal. FENa >2% = NTA. Obstrução = pós-renal → US urgente. (Bastos et al., 2019; Abuelo, 2007)

🔴 NTA — Necrose Tubular Aguda: A Mais Comum

  • Mecanismo: isquemia (pré-renal prolongado) ou nefrotóxicos (contraste, aminoglicosídeos, mioglobina)
  • Marcador: cilindros granulosos escuros ("lama tubular")
  • FENa: >2% · BUN/Cr: <20
  • Fases: início → manutenção (oligúria 1-2 sem) → recuperação (poliúria)
  • IRA normotensiva: NTA pode ocorrer sem hipotensão (Abuelo, 2007)
Recall

FENa — como calcular e interpretar?

FENa = (Na urina × Cr plasma) / (Na plasma × Cr urina) × 100

FENa <1%: rim sano conservando Na⁺ → pré-renal
FENa >2%: túbulo lesado não reabsorve → NTA

BUN/Cr >20: pré-renal (ureia reabsorvida com água)
BUN/Cr <20: intrínseca

Cuidado: diuréticos falseiam o FENa! Usar FEUreia (<35% = pré-renal) quando o paciente fez diurético.

🟠 Indicações de Diálise — AEIOU

  • A — Acidose: metabólica refratária (pH <7,1)
  • E — Eletrólitos: hipercalemia refratária (risco de PCR)
  • I — Intoxicação: metanol, etilenoglicol, lítio, salicilato
  • O — Overload: edema agudo de pulmão refratário
  • U — Uremia: encefalopatia urêmica, pericardite urêmica

✅ Revisão — IRA

  • KDIGO: Cr ↑ ≥0,3 mg/dL em 48h OU ≥1,5× basal em 7 dias OU diurese <0,5 mL/kg/h por 6h
  • Pré-renal: FENa <1%, BUN/Cr >20, urina concentrada → repor volume
  • Intrínseca: NTA mais comum. FENa >2%, cilindros granulosos → suporte
  • Pós-renal: obstrução → US urgente → desobstruir
  • Diálise: AEIOU (Acidose, Eletrólitos, Intoxicação, Overload, Uremia)

🔗 Próximo: DRC

Se a IRA é aguda e reversível, a DRC é progressiva e irreversível. Estadiamento G1-G5 pelo KDIGO. Complicações sistêmicas (anemia, osteodistrofia, HiperK) e quando indicar diálise.

🥜
MedCaju

IRA, NTA, FENa, critérios KDIGO — questões no banco!

Treinar →
Falência Progressiva

Doença Renal Crônica (DRC)

KDIGO 2012

Anormalidade estrutural ou funcional do rim que persiste por mais de 3 meses com implicação para a saúde. Causas no Brasil: nefropatia diabética (35%) e hipertensiva (28%). 133.000 pacientes em diálise em 2018 — Neves et al., 2020.

Estadiamento DRC — KDIGO 2012 G1 ≥ 90 mL/min G2 60-89 mL/min G3a/b 30-59 mL/min G4 15-29 mL/min G5 — FALÊNCIA <15 mL/min Diálise/Transplante → Progressão irreversível → Complicações surgem progressivamente: HAS Anemia leve HiperK · Acidose Anemia moderada Osteodistrofia Preparar fístula Uremia Diálise/Tx Levin e Stevens, 2014 — KDIGO 2012. Neves et al., 2020 — Censo Diálise Brasil.
G1-G2: preservado com marcador de dano. G3: moderado. G4: grave — preparar acesso. G5: falência.

🩸 Anemia da DRC

  • ↓ EPO pelas células peritubulares · Normocítica, normocrômica
  • Agrava a partir de G3 (TFG <60) · Grave em G5
  • Tratamento: AEE (eritropoietina recombinante) + ferro IV
  • Meta Hb: 10-11,5 g/dL (evitar >13 — risco CV)

🦴 Osteodistrofia Renal

  • DRC → ↓ calcitriol → ↓ Ca²⁺ → ↑ PTH → resorção óssea
  • Também: ↑ fosfato (rim não excreta) → liga-se ao Ca²⁺
  • Tratamento: calcitriol, quelantes de fósforo (sevelâmer)
  • Cinacalcete para hiperparatireoidismo secundário

⚗️ Acidose + HiperK

  • Rim não excreta H⁺ → acidose metabólica
  • Acidose → shift K⁺ para fora → hipercalemia
  • HiperK → risco de arritmia → monitorar ECG
  • Tratamento: bicarbonato oral · Dieta com ↓ K⁺

🫀 Risco Cardiovascular

  • DRC é fator de risco CV independente
  • Principal causa de morte: doença cardiovascular (não uremia)
  • Meta PA <130/80 · IECA/BRA protegem o néfron
  • Preparar acesso (fístula AV) quando TFG <30!

Quando indicar diálise?

  • Preparar acesso quando TFG <30 mL/min (G4) — fístula leva meses para maturar!
  • Iniciar diálise: TFG <15 (G5) OU sintomas urêmicos (pericardite, encefalopatia)
  • Brasil: hemodiálise (85%) e diálise peritoneal (15%) — Neves et al., 2020
  • Transplante: melhor opção para elegíveis. Pode ser pré-emptivo (antes da diálise)

✅ Revisão — DRC

  • Definição: anormalidade renal por >3 meses com implicação clínica
  • Estadiamento: G1-G5 (TFG) + A1-A3 (albuminúria) pelo KDIGO 2012
  • Causas: nefropatia diabética (35%) e hipertensiva (28%) no Brasil
  • Complicações: anemia (↓ EPO) + osteodistrofia (↓ calcitriol) + acidose + HiperK + HAS + risco CV
  • Preparar acesso quando TFG <30. Diálise quando TFG <15 ou sintomas

🔗 Próximo: Litíase Renal

Saímos da falência renal e vamos para a patologia do sistema coletor. Litíase → cólica nefrética → TCC sem contraste é o padrão-ouro de imagem.

🥜
MedCaju

DRC, estadiamento KDIGO, diálise — banco completo!

Acessar →
Sistema Coletor

Litíase Renal

Conceito-base

Cristais se formam quando a concentração urinária de solutos supera o limiar de solubilidade. O fator mais importante: hipersaturação urinária (volume baixo, pH alterado, defeitos tubulares). Manifestação: cólica nefrética — uma das dores mais intensas da medicina.

Tipos de Cálculos Renais (Mattos, 2015) OXALATO Ca 75% pH qualquer Radiopaco Hiperoxalúria Hipercalciúria ÁCIDO ÚRICO 10% pH ácido (<5,5) RADIOTRANS. Gota, DM Pode ser dissolvido! ESTRUVITA 7% pH alcalino (>7) Radiopaco Infecção urease+ Proteus, Klebsiella CISTINA 2% Cristal hexagonal pH qualquer Doença genética AR Cistinúria familiar Recorrente Ácido úrico é RADIOTRANSPARENTE — não aparece na RX simples. TCC sem contraste é padrão-ouro para todos.
Oxalato de Ca = 75% (mais comum). Ácido úrico = radiotransparente, pode ser dissolvido. Estruvita = infecção urease+. Cistina = AR genética. (Mattos, 2015)

🔴 Cólica Nefrética — Clínica

  • Dor lombar unilateral intensa + início súbito ("em faca")
  • Irradiação: flanco → fossa ilíaca → testículo/lábio maior
  • Hematúria microscópica em >90% dos casos
  • Náuseas, vômitos (reflexo vagal)
  • Agitação psicomotora (diferente de abdome agudo)
  • Febre + obstrução = emergência urológica!

🏆 Imagem — TCC sem Contraste = Padrão-ouro!

  • Sensibilidade 96-100% · Especificidade 94-98%
  • Detecta TODOS os tipos, incluindo ácido úrico
  • Sem contraste → sem nefrotoxicidade
  • Avalia tamanho, localização, obstrução, rim oposto
  • Vieira et al., 2004 — ureterolitíase no TC helicoidal
  • US: útil em grávidas e crianças. Baixa sens. ureterolitíase
Trajeto do Cálculo — 3 Pontos de Impactação Rim Cálculo formado 1 Junção Ureteropélica 1º estreitamento 2 Vasos Ilíacos Cruzamento da artéria ilíaca 3 JUV ★ — Mais estreito! Mais comum de impactação Bexiga Cálculo pode passar aqui Irradiação da dor: Lombar → Flanco → Fossa ilíaca → Genitália ipsilateral (testículo ♂ / lábio maior ♀)
JUP, vasos ilíacos e JUV (junção ureterovesical) são os 3 pontos de estreitamento. JUV = mais estreito = local mais comum de impactação.

🟢 Tratamento — Por Tamanho

  • <5 mm: 90% eliminam sozinhos · Hidratação abundante + AINEs + alfa-bloqueador (tansulosina)
  • 5-10 mm: conservador até 4 semanas. Se não eliminar → intervenção
  • >10 mm: LEOC (litotripsia), ureteroscopia ou PCNL (nefrolitotripsia)
  • Ácido úrico: litólise por alcalinização (bicarbonato/citrato de K⁺) · pH alvo 6,5-7,0
  • Obstrução + infecção = emergência! Duplo J ou nefrostomia + antibiótico

✅ Revisão — Litíase

  • Mais comum: oxalato de cálcio (75%) · Radiopaco · Qualquer pH
  • Ácido úrico: radiotransparente! Não aparece na RX · pH ácido · Pode ser dissolvido
  • Estruvita: infecção Proteus/Klebsiella (urease) · pH alcalino
  • Cistina: doença genética AR · Cristal hexagonal · Recorrente
  • 3 pontos de impactação: JUP, vasos ilíacos, JUV (mais estreito)
  • Padrão-ouro de imagem: TCC helicoidal SEM contraste (Vieira et al., 2004)
🥜
MedCaju

Litíase, cólica, TCC, tipos de cálculo — banco completo!

Resolver →
Revisão Integrada

Quiz — Semiologia Nefrológica

Questão 1 — Anatomia
Qual estrutura da barreira glomerular, quando lesada, causa síndrome NEFRÓTICA com proteinúria maciça?
AMembrana Basal Glomerular (MBG)
BPodócitos (pedicelos — fendas de filtração)
CEndotélio fenestrado
DMesângio glomerular
✅ Correto! Podócitos formam as fendas de filtração que impedem a albumina de passar. Lesão podocitária → proteinúria maciça → síndrome nefrótica. MBG lesada → hematúria (nefrítica). Mesângio lesado → nefropatia IgA.
❌ Podócitos = barreira contra proteínas (nefrótica). MBG lesada = hematúria (nefrítica). Diferenciar é fundamental para o diagnóstico!
Questão 2 — Nefrótica
Criança de 5 anos com edema periorbitário, proteinúria de 4,5 g/dia, albumina 2,1 g/dL, colesterol elevado. Hipótese e prognóstico:
AGESF — adulto jovem, afrodescendente, pior prognóstico
BGN Membranosa — adulto >40, anti-PLA2R
CNefropatia Diabética — nódulos de Kimmelstiel-Wilson
DLME (Lesão Mínima) — 90% da nefrótica infantil, excelente resposta ao corticoide
✅ Correto! Criança com síndrome nefrótica = LME em 90% dos casos. MO normal, ME fusão dos pedicelos. Excelente resposta ao corticoide (85-90%). Se responde → diagnóstico clínico de LME sem biópsia.
❌ Criança com nefrótica = LME (90%). GESF é adulto jovem. GNM é adulto >40. Diabética ocorre após anos de DM.
Questão 3 — Nefrítica
Homem, 25 anos, urina "cor de fumaça", HAS, oligúria, 2 semanas após faringite. C3 baixo, C4 normal, ASLO positivo. Diagnóstico:
AIgA (Berger) — hematúria sinfaringítica, complemento normal
BGNRP — crescentes em >50%, emergência
CGN Pós-Estreptocócica — C3↓ C4 normal, ASLO+, 1-3 sem após faringite
DNefrite Lúpica — "full house" IF, C3 e C4 baixos
✅ Correto! Clássico de GN pós-estreptocócica: latência 1-3 semanas após faringite, C3 ↓ (via alternativa) com C4 normal, ASLO+. IgA ocorre simultaneamente à infecção (24-72h) e complemento é normal.
❌ GN pós-estreptocócica: latência 1-3 sem, C3↓ C4 normal, ASLO+. IgA: sem latência, complemento normal. Lúpica: C3 e C4 ambos baixos.
Questão 4 — IRA
Paciente com diarreia 3 dias, desidratado. Cr subiu 0,5 mg/dL em 48h. FENa 0,6%, BUN/Cr = 24, Osm urinária 560. Diagnóstico e conduta:
AIRA pré-renal → repor volemia com SF 0,9%
BNTA → suporte clínico, sem corrigir volemia
CIRA pós-renal → US urgente para desobstrução
DDRC → estadiar pelo KDIGO e encaminhar
✅ Correto! FENa <1% + BUN/Cr >20 + urina concentrada = IRA pré-renal. Rim sano tentando compensar hipoperfusão. Tratamento = corrigir a causa = repor volume com SF 0,9%.
❌ FENa <1% + BUN/Cr >20 + urina concentrada = IRA pré-renal. Repor volume. NTA teria FENa >2% e cilindros granulosos escuros.
Questão 5 — DRC
DM há 20 anos, creatinina 2,5 mg/dL, TFG 28 mL/min (G4), Hb 9,2 g/dL normocítica normocrômica. Causa da anemia e conduta?
AAnemia ferropriva → ferro oral
BAnemia hemolítica → Coombs direto
CAnemia da DRC por ↓ EPO → AEE + ferro IV · Preparar fístula AV agora!
DAnemia de doença crônica → tratar com IECA
✅ Correto! DRC G4 → rim não produz EPO suficiente → anemia normocítica normocrômica. AEE + ferro IV. Meta Hb 10-11,5 g/dL. E atenção: TFG <30 = hora de preparar a fístula AV para futura diálise!
❌ Anemia normocítica normocrômica em DRC G4 = ↓ EPO. Usar AEE + ferro IV. Não é ferropriva (microcítica) nem hemolítica.
Questão 6 — Litíase
Homem, 35 anos, dor lombar direita intensa irradiando para o testículo, agitado, hematúria microscópica. RX de abdome normal. Próximo passo?
ACálculo de oxalato descartado — RX é normal
BUrografia excretora com contraste
CEsperar 48h e repetir RX
DTCC helicoidal SEM contraste — padrão-ouro, detecta ácido úrico (radiotransparente)
✅ Correto! RX normal NÃO exclui litíase — cálculos de ácido úrico são radiotransparentes. TCC sem contraste = padrão-ouro: Sens 96-100%, detecta TODOS os tipos, sem nefrotoxicidade. (Vieira et al., 2004)
❌ RX normal não exclui cálculo! Ácido úrico é radiotransparente. TCC sem contraste = padrão-ouro (Vieira et al., 2004). Urografia usa contraste — evitar com rim comprometido.
Questão 7 — Integração
O cilindro hemático no sedimento urinário é achado PATOGNOMÔNICO de qual condição?
ASíndrome Nefrótica
BSíndrome Nefrítica (glomerulonefrite ativa)
CIRA pré-renal
DLitíase renal com hematúria
✅ Correto! Cilindro hemático = hemácias aprisionadas na matriz de Tamm-Horsfall no túbulo. Só se forma com hematúria GLOMERULAR = patognomônico de síndrome nefrítica ativa. Nefrótica = cilindros graxos. NTA = cilindros granulosos escuros. Litíase = hemácias isomórficas livres.
❌ Cilindro hemático = patognomônico de nefrítica. Nefrótica = cilindros graxos. NTA = cilindros granulosos. Litíase = hemácias isomórficas.

🫘 Semiologia Nefrológica completa no MedCaju!

Banco com questões de nefrologia, nefrótica, nefrítica, IRA, DRC e litíase — todas comentadas

Acessar o MedCaju →