🫁 Semiologia · Exame Físico

Exame do Tórax

Inspeção, palpação, percussão e ausculta — da anatomia topográfica aos ruídos adventícios, para o Alcino estudar do jeito certo

4etapas do exame
8+ruídos adventícios
4tipos de tórax
Quizincluso
🗺️ Anatomia
👁️ Inspeção
🤲 Palpação
🥁 Percussão
🩺 Ausculta
🔊 Ruídos Adventícios
🎯 Quiz
Referências Anatômicas
Topografia do Tórax — Linhas e Marcos

Antes de examinar, você precisa saber onde está. O tórax é dividido por linhas imaginárias que servem de referência para localizar achados, prescrever drenagens e descrever lesões.

Topografia do Tórax — Face Anterior manúbrio Âng. de Louis 2° arco costal Linha média esternal Para-esternal E Para-esternal D Hemiclavicular E Hemiclavicular D 2° EIC 3° EIC 4° EIC 5° EIC Ângulo de Charpy Tórax tonel: >90° (DPOC) · Tórax chato: <90° (fibrose) Âng. de Louis = 2° arco costal = bifurcação da traqueia EIC = espaço intercostal Sempre percutir/auscultar NO espaço, nunca na costela!
O Ângulo de Louis é o ponto de referência universal — palpe a junção manúbrio-corpo do esterno e desça um espaço para o 2° EIC.

📍 Ângulo de Louis — Por que é importante?

  • Palpável como uma "saliência" na junção manúbrio-corpo do esterno
  • Marca o 2° arco costal → abaixo fica o 2° espaço intercostal
  • Referência para localizar focos de ausculta cardíaca (próxima aula)
  • Anatomicamente corresponde à bifurcação da traqueia (carina)
  • Tudo que você examinar no tórax começa daqui como referência

📐 Ângulo de Charpy — O que ele revela

  • Ângulo formado pelo encontro dos rebordos costais na região inferior do esterno
  • Normal: cerca de 70–80°
  • Muito aberto (> 90°): tórax em tonel → DPOC grave, retenção crônica de ar
  • Muito fechado: tórax chato/cifótico → doenças fibrosantes do pulmão

🗺️ Linhas do Tórax — Para que servem?

  • Linha média esternal: divide o tórax ao meio
  • Linhas para-esternais: entre o esterno e a linha hemiclavicular
  • Linhas hemiclaviculares: passam no centro da clavícula — referência para hepatomegalia e drenagem
  • Linhas axilares (anterior, média, posterior): na região lateral — drenagem de derrame pleural vai na linha axilar anterior, 5° EIC
  • Linha escapular: na região posterior — toracocentese no 6° EIC linha escapular
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Primeiro Passo
Inspeção Estática e Dinâmica

Sempre examine com o paciente desnudo (sem camisa). Se for mulher: chame a enfermeira e examine com ela presente. A inspeção já pode revelar o diagnóstico antes mesmo de você tocar o paciente.

Inspeção Estática
Tipos de Tórax e Conformações
Tipos de Tórax — Vista Lateral NORMAL D. AP ≈ D. Transversal TONEL (Enfisematoso) D. AP muito ↑ DPOC · tabagismo CHATO (Fibrótico) D. AP muito ↓ Fibrose · doença ocp. DEFORMIDADES Pectus Escavato (tórax escavado) Pectus Carinato (peito de pombo) Pensar: Marfã, Ehlers-Danlos
Tórax tonel = retentor crônico de ar (DPOC). Tórax chato = fibrose pulmonar (doença ocupacional). Deformidades = síndromes genéticas.

👀 O que avaliar na Inspeção Estática

  • Simetria do tórax — comparar lado D e E
  • Tipo de tórax: normal, tonel, chato, escavado, carinato
  • Pele e tecido subcutâneo: lesões, equimoses, circulação colateral
  • Cicatrizes cirúrgicas — revelam história prévia
  • Deformidades da coluna: escoliose, cifose — alteram mecânica respiratória
  • Inserção dos mamilos — posição e simetria (alterada na síndrome de Turner)
  • Rosário raquítico — hipertrofia das junções condrocostais (desnutrição grave)

🖐️ Baqueteamento Digital — Não esquecer!

  • Alargamento da extremidade dos dedos + ângulo de Lovibond > 180°
  • Causa: hipoxemia crônica → reação perióstea secundária
  • Pensar em: cardiopatia congênita, DPOC grave, doença intersticial, neoplasia pulmonar
  • Alcino, lembre: o exame do tórax começa na mão — antes de colocar o estetoscópio!
  • Caso clínico da professora: paciente que cavava poços por 20 anos → doença intersticial grave → baqueteamento por hipoxemia crônica adquirida
Inspeção Dinâmica
Padrão Respiratório e Tiragem

Observe o paciente respirando. O padrão normal é costoabdominal — participação igual da musculatura torácica e abdominal. Qualquer desvio desse padrão tem significado clínico.

✅ Costoabdominal

Normal. Músculo intercostal + diafragma trabalham juntos. Inspiração: tórax expande + abdômen protrai.

⬆️ Padrão Torácico

Predomínio torácico. Causa: problema no diafragma — gestante, ascite volumosa, paralisia do nervo frênico.

⬇️ Padrão Abdominal

Predomínio abdominal. Causa: problema torácico — pneumonia extensa, fratura de costela, derrame volumoso.

⚠️

Tiragem Intercostal — Sinal de Gravidade

Contração visível e vigorosa dos músculos intercostais durante a inspiração. Indica que o paciente está fazendo esforço intenso para respirar. Quanto mais visível a tiragem + uso da musculatura abdominal compensatória, mais grave a situação. Patologias: pneumonia, derrame pleural, congestão pulmonar.

🦋

Respiração Paradoxal — Contexto de Trauma

Ao inspirar, o tórax RETRAI em vez de expandir — ocorre em fraturas de múltiplos arcos costais ("tórax instável"). O fragmento fraturado se move em sentido oposto ao restante da parede torácica. Visto principalmente em sala de trauma.

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Segundo Passo
Palpação do Tórax

A palpação avalia dois aspectos principais: a expansibilidade torácica (mecânica respiratória) e o frêmito toracovocal (transmissão de vibrações da voz).

🤲 Expansibilidade Torácica — Como fazer

  • Coloque as duas mãos espalmadas no tórax — ápice, região médio-basal e base
  • Polpas dos polegares na linha média, dedos se estendem lateralmente
  • Peça ao paciente para inspirar e expirar profundamente
  • Avalie se o tórax expande normalmente e, principalmente, se expande de forma simétrica
  • Se um lado expande menos → suspeitar de derrame pleural, pneumonia, atelectasia naquele lado
  • A assimetria é mais importante do que saber se está diminuído ou normal

🔉 Frêmito Toracovocal (FTV) — Conceito

  • Coloca as mãos no tórax e pede ao paciente falar "33" (padrão semiológico)
  • Você palpa a vibração da voz transmitida pela parede torácica
  • Sempre comparar lado D e lado E sistematicamente
  • É difícil — requer prática em enfermaria de pneumologia

🔺 FTV Aumentado — o que significa?

  • Alguma coisa sólida ou densa preencheu o alvéolo
  • O material sólido conduz o som melhor que o ar
  • Causas: pneumonia (consolidação), abscesso pulmonar, massa
  • Som se transmite com maior intensidade → palpa a vibração mais forte

🔻 FTV Diminuído — o que significa?

  • Algo interposto entre o pulmão e a parede torácica está atrapalhando a transmissão
  • Causas: derrame pleural volumoso, pneumotórax, obesidade intensa
  • A coluna de líquido/ar amortece a vibração → palpa menos
🎯 Regra de Ouro
Sólido = FTV ↑ · Líquido/ar entre pleuras = FTV ↓
Pneumonia consolida o alvéolo (sólido) → transmite mais. Derrame pleural interpõe líquido → transmite menos.
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Terceiro Passo
Percussão do Tórax — Sons e Significados

A percussão avalia a densidade do conteúdo abaixo da parede torácica. Antes do raio-X existir, a percussão era o único jeito de saber se havia ar, líquido ou sólido no tórax.

✋ Técnica — Dedo-digital

  • Indicador + dedo médio da mão dominante percutem no dedo médio da outra mão apoiada no tórax
  • O movimento é de punho — não de braço
  • Percutir no espaço intercostal — nunca na costela (dará sempre maciço)
  • Sempre do ápice para a base, comparando lado D com lado E
Sons da Percussão — Significado Clínico CLARO PULMONAR Normal Campos pulmonares com ar "ondas do mar" MACIÇO Denso / líquido Derrame pleural Consolidação Fígado (normal no QSD) Se no campo pulmonar = ALERTA TIMPÂNICO Gás / ar Espaço de Traube (alça intestinal = normal) Se no campo pulm. = pneumotórax "som de tambor" HIPERSONORO Excesso de ar Pneumotórax Enfisema grave Mais "aberto" que timpânico
Maciço no campo pulmonar = sinal de alerta. Timpânico no campo pulmonar = pneumotórax. Espaço de Traube maciço = esplenomegalia.

🌙 Espaço de Traube — Cai sempre em prova!

  • Delimitado pelo: 6° arco costal, linha axilar anterior e rebordo costal
  • Normal: timpânico — contém alças intestinais com gás
  • Maciço = espaço de Traube ocupado → pensar em esplenomegalia!
  • Causas de esplenomegalia: leishmaniose, esquistossomose, cirrose hepática, linfomas
  • O preceptor vai perguntar: "E o Traube, como está?" Você precisa saber responder!
💭 Recall

Como usar a percussão para guiar uma toracocentese?

Na toracocentese (punção do tórax para retirar líquido do derrame pleural), você precisa saber onde entrar com a agulha. Primeiro: identifica a região anatomicamente — linha escapular, 6° espaço intercostal. Depois: percute progressivamente naquela direção. Ao achar a transição de som claro pulmonar → maciço, você sabe que chegou na coleção. Só então punciona. Isso evita que você enfie a agulha no pulmão do paciente.
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Quarto Passo
Ausculta Pulmonar — Sons Normais

A ausculta é o passo mais rico e mais difícil de aprender com teoria. Os sons precisam ser ouvidos para serem reconhecidos. A teoria orienta o que esperar — a prática consolida.

🩺 Técnica da Ausculta

  • Usar o diafragma do estetoscópio (parte plana) para sons pulmonares
  • Sempre com o paciente desnudo
  • Sistematicamente: ápice → base, comparando D e E a cada posição
  • Pedir ao paciente para respirar pela boca, mais profundo que o normal
  • Auscultar pelo menos 1–2 ciclos respiratórios em cada posição
Sons Respiratórios Normais
🔊
Som Traqueal
Região cervical / supraesternal
Grave + Alto

Ausculta na região da traqueia (pescoço). Som mais agudo e intenso. Inspiração e expiração audíveis com pausa entre elas. Quando você ouve esse som em campo pulmonar = sinal de alerta (condensação).

Traqueal insp e exp iguais
🌊
Murmúrio Vesicular (MV)
Campos pulmonares — o som normal do pulmão
Suave + Grave

O som normal dos campos pulmonares. Suave, grave, como "ondas do mar". Predomina na inspiração. Mais audível em pacientes magros; pode parecer diminuído em obesos sem significar patologia. Quando ausente = grande alerta.

MV Normal suave, inspiratório predomina

MV abolido em uma região = derrame pleural, pneumotórax, atelectasia. MV diminuído global = DPOC, obesidade.

Ausculta da Voz

🔈 Broncofonia

Peça ao paciente falar normalmente. O normal é escutar a voz anasalada/amortecida pelo estetoscópio. Broncofonia positiva: você escuta a voz nitidamente, como se ele falasse direto no estetoscópio. Causa: consolidação pulmonar (pneumonia) — o sólido transmite melhor o som.

🐐 Egofonia

Peça ao paciente falar "E". Egofonia positiva: você escuta um som anasalado diferente, como se fosse um "A" com qualidade brejeira/cabrina. Ocorre na borda superior do derrame pleural. Curiosidade: "ego" vem do grego "cabra" — som de cabra.

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Achados Patológicos
Ruídos Adventícios — O que significa cada um

Ruídos adventícios são sons anormais superpostos ao MV normal. Surgem quando há obstrução, líquido, secreção ou patologia nas vias aéreas. Dividem-se em contínuos (duram a inspiração e/ou expiração toda) e descontínuos (curtos, intermitentes).

Contínuos
Estertores Secos / Contínuos
〰️
Ronco
Obstrução de grandes vias aéreas
Grave · Contínuo

Causa: obstrução de brônquios grandes por secreção, tumor, corpo estranho. Som grave, musical, como um ronco — pode variar após tosse (se a secreção se mover).

Patologias: pneumonia com secreção, bronquite aguda, DPOC exacerbado.

Ronco grave, muda com tosse
🎵
Sibilância (Sibilo)
Obstrução de pequenas vias aéreas
Agudo · Musical

Causa: obstrução/broncoespasmo das pequenas vias aéreas. Som agudo, musical, como um assobio — "como aço vivo". Predomina na expiração. Clássico da asma.

Patologias: crise asmática, DPOC exacerbado, anafilaxia, bronquiolite.

Sibilo agudo · expiratório · asma
🚨
Cornagem / Estridor
Obstrução de via aérea SUPERIOR (laringe/traqueia)
Emergência

Causa: obstrução na laringe ou traqueia — edema de glote, corpo estranho, croup, tumor laríngeo. Audível SEM estetoscópio. Inspiratório predominante. Sinal de gravidade — via aérea em risco de fechar.

🚨

Paciente com estridor = emergência

Via aérea superior comprometida. Monitorizar continuamente. A qualquer momento pode ocorrer oclusão total. Considerar intubação precoce.

Descontínuos
Estertores Úmidos / Descontínuos
🔵
Estertores Finos (Crepitantes)
Pequenas vias aéreas com pouco líquido
Fino · Velcro

Causa: pequena quantidade de líquido ou secreção nas vias aéreas periféricas/alvéolos. Som como rasgão de velcro ou cabelo sendo rodado entre os dedos. Predomina no final da inspiração. Localizados em bases.

Patologias: fibrose pulmonar, pneumonia inicial, congestão pulmonar leve.

💧
Estertores Grossos (Bolhosos)
Vias aéreas maiores com muito líquido
Grosso · Difuso

Causa: grande quantidade de líquido ou secreção nas vias aéreas maiores. Som mais intenso, mais grave, mais audível. Mais difuso, em várias regiões. Clássico da IC descompensada — pulmão encharcado.

Patologias: edema agudo de pulmão (IC), bronquiectasia, pneumonia extensa com secreção.

Grosso IC, bronquiectasia, pneumonia
Sons Especiais
Atrito Pleural e Sopro Cavernoso

🔶 Atrito Pleural

Som como "couro novo rangendo". Ocorre quando as pleuras visceral e parietal estão inflamadas e friccionam uma contra a outra. Presente na pleurite. Raramente ouvido — ausente quando há derrame (o líquido separa as pleuras).

🔮 Sopro Cavernoso (Anfórico)

Som que entra na caverna pulmonar e ecoa — como soprar dentro de um garrafão. Causado por caverna no pulmão — região de necrose com parede rígida. Típico de tuberculose cavitada, abscesso pulmonar. O ar entra e "fica girando" dentro da cavidade.

Mapa dos Ruídos Adventícios — Localização na Via Aérea Traqueia / Laringe Cornagem / Estridor Brônquios Grandes Ronco Brônquios Grandes Pequenas vias / Alvéolos Pequenas vias / Alvéolos Sibilo · Crepitante Fino · Grosso Sibilo · Crepitante Fino · Grosso
Ronco = grandes vias. Sibilo/crepitante = pequenas vias/alvéolos. Estridor = via aérea superior (laringe/traqueia).
🎯 Mnemônico dos Ruídos
Ronco = Rua grande · Sibilo = Seco + pequena · Crepitante = Cheio de líquido
Ronco = grande via aérea obstruída. Sibilo = pequena via (asma). Crepitante = alvéolo com líquido (pneumonia, IC). Estridor = laringe/traqueia = emergência!
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Revisão
Quiz — Exame do Tórax
Questão 1
Você palpa uma saliência na junção manúbrio-corpo do esterno. Ao descer um espaço, está no 2° EIC. Como se chama esse marco anatômico e o que ele corresponde anatomicamente?
AÂngulo de Charpy — marca o 4° arco costal
BÂngulo de Louis — corresponde à bifurcação da traqueia (carina)
CÂngulo de Louis — corresponde ao início do esôfago torácico
DÂngulo de Charpy — corresponde ao diafragma
✅ Correto! O Ângulo de Louis é a junção manúbrio-corpo do esterno. Anatomicamente coincide com a bifurcação da traqueia (carina) e com o 2° arco costal. É o principal ponto de referência para todo o exame do tórax.
❌ É o Ângulo de Louis — junção manúbrio-corpo do esterno, nível do 2° arco costal, coincide anatomicamente com a carina (bifurcação da traqueia). Ângulo de Charpy é o ângulo infracostal, alterado no tórax tonel.
Questão 2
Ao percutir o espaço de Traube de um paciente com anemia e febre prolongada, você encontra som maciço onde deveria ser timpânico. O que isso sugere?
ADerrame pleural esquerdo
BPneumotórax esquerdo
CEsplenomegalia — o Traube está ocupado
DHepatomegalia com extensão para o lado esquerdo
✅ Correto! O espaço de Traube normalmente é timpânico (alça intestinal com gás). Quando está maciço = "Traube ocupado" = esplenomegalia. No contexto de anemia + febre prolongada, pensar em leishmaniose visceral, mononucleose, linfoma.
❌ Traube maciço = esplenomegalia (o baço aumentado ocupa o espaço que deveria ter alças intestinais com gás). Delimitado pelo 6° arco costal, linha axilar anterior e rebordo costal.
Questão 3
Paciente com asma em crise. Qual é o ruído adventício esperado e em qual fase da respiração é mais audível?
ASibilo — predominantemente expiratório (pequenas vias em broncoespasmo)
BRonco — inspiratório (grandes vias obstruídas por secreção)
CEstridor — audível sem estetoscópio (via aérea superior)
DCrepitante grosso — difuso (edema pulmonar)
✅ Correto! O sibilo é causado por broncoespasmo das pequenas vias aéreas — clássico da asma. Predomina na expiração porque as pequenas vias colabam mais ao expirar. Som agudo, musical, "como aço vivo".
❌ Na asma: sibilo por broncoespasmo das pequenas vias aéreas, predominantemente expiratório. Ronco = grandes vias. Estridor = laringe/traqueia. Crepitante grosso = IC/edema pulmonar.
Questão 4
Ao palpar o frêmito toracovocal em um paciente com pneumonia extensa à direita, o que você espera encontrar naquele hemitórax?
AFTV diminuído — o líquido alveolar atenua o som
BFTV normal — pneumonia não altera a transmissão
CFTV abolido — equivalente a derrame pleural
DFTV aumentado — a consolidação (material sólido/denso) transmite melhor as vibrações
✅ Correto! Na pneumonia, os alvéolos se consolidam (preenchidos por exsudato inflamatório sólido/semissólido). Sólido conduz vibração sonora melhor que ar → FTV aumentado. Diferente do derrame pleural, onde o líquido entre pleuras atenua → FTV diminuído.
❌ Pneumonia: consolidação alvéolo-alveolar (sólido) → FTV aumentado. Derrame pleural: líquido entre pleuras → FTV diminuído. A lógica: sólido transmite melhor que ar, mas líquido interposto atenua.
Questão 5
Paciente com insuficiência cardíaca descompensada. Qual o ruído adventício mais esperado e qual o mecanismo?
ASibilo bilateral — broncoespasmo pela congestão
BAtrito pleural — inflamação pericárdica associada
CCrepitantes grossos bilaterais em bases — líquido alveolar pela congestão pulmonar
DRonco difuso — secreção nas grandes vias
✅ Correto! Na IC, o VE fraco → sangue acumula na circulação pulmonar → extravasa para os alvéolos → crepitantes grossos (bolhosos) bilaterais, predominando em bases. O ar batendo no líquido alveolar gera esse som característico.
❌ IC descompensada → líquido no alvéolo → crepitantes grossos (bolhosos) bilaterais em bases. O ar bate no líquido alveolar que veio da congestão. Nas bases porque o líquido desce por gravidade.
Questão 6
Paciente chega com dispneia, e ao percutir o hemitórax direito você encontra som hipersonoro (hiper-timpânico) com abolição do MV. Principal hipótese?
APneumotórax direito — ar no espaço pleural
BDerrame pleural direito — líquido pleural
CPneumonia direita — consolidação alveolar
DEsplenomegalia — ocupa o hemitórax
✅ Correto! Hipersonoridade + MV abolido = pneumotórax (ar no espaço pleural). Derrame pleural seria maciço + MV abolido. Pneumonia seria submaciço/maciço + MV diminuído + crepitantes. Pneumotórax: muito ar onde não deveria ter.
❌ Hipersonoro + MV abolido = pneumotórax. Derrame = maciço + MV abolido. Pneumonia = submaciço + MV diminuído + crepitantes. No pneumotórax tem ar no espaço pleural → hipersonoridade.

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