Frequência cardíaca e limites normais
A frequência cardíaca normal está entre 50 e 100 bpm. Acima de 100 bpm, temos taquicardia. Abaixo de 50 bpm, temos bradicardia.
As bradiarritmias tratadas aqui são todas as situações com FC abaixo de 50 bpm, e o ponto central do diagnóstico diferencial é sempre avaliar o intervalo PR.
Bradicardia Sinusal
FC abaixo de 50 bpm + intervalo PR normal (3 a 5 quadradinhos, menos de 200 ms). Não há bloqueio, o nó sinusal está funcionando, mas a frequência está reduzida.
Se associada a betabloqueador: suspender ou ajustar a dose.
Se o paciente é atleta, assintomático, sem medicamentos: apenas observar.
Se tem sintomas (lipotimia, síncope): investigar causa e orientar redução da atividade física até esclarecimento.
BAV 1º Grau
PR aumentado (acima de 200 ms / mais de 5 quadradinhos) e fixo. O intervalo é o mesmo em todos os batimentos, o QRS é sempre precedido de uma onda P.
Assintomático, PR só um pouco alargado: apenas acompanhar.
PR muito alargado: considerar suspender medicamentos causadores, como betabloqueador.
Nunca vai para a urgência por BAV 1º grau isolado.
BAV 2º Grau — Tipo 1 e Tipo 2
O PR vai aumentando progressivamente de batimento em batimento, até que uma onda P é bloqueada e não conduz QRS. Depois do bloqueio, o ciclo recomeça do zero.
O PR é normal e fixo em todos os batimentos e, de repente, sem aviso prévio, aparece uma onda P que não conduz QRS. É o bloqueio inesperado.
Mais grave que o tipo 1. A maioria dos pacientes é sintomática e pode evoluir para BAVt.
Bloqueio Atrioventricular Total (BAVt)
Nenhuma atividade elétrica do átrio passa para o ventrículo. Os dois estão funcionando de forma completamente independente (dissociação atrioventricular).
O ventrículo ativa seu mecanismo intrínseco de sobrevivência e passa a bater por conta própria, em uma frequência de 30 a 40 bpm.
As analogias do professor
O professor usou a analogia do casal para fixar a diferença entre os tipos de BAV. É uma forma prática de lembrar o padrão de cada bloqueio.
Diagnóstico Rápido no ECG
Algoritmo de tratamento
Bradicardia sinusal e BAV 1º grau não vão para a urgência. São diagnósticos de ambulatório.
BAV 2º grau tipo 2 e BAVt são os que chegam na urgência com sintomas de instabilidade.
Bradiarritmia + Dor Torácica
A coronária direita emite, bem no início do seu trajeto, um ramo que irriga o nó atrioventricular. Quando há oclusão proximal da coronária direita, esse ramo é comprometido e o nó AV fica sem irrigação.
Resultado: o paciente chega na urgência com dor torácica + bradicardia ou BAVt.
O que o professor quer na prova
- Avaliar medicamentos em uso (betabloqueador é o mais comum)
- Solicitar função tireoidiana (TSH + T4 livre)
- Solicitar eletrólitos (Na, K, Mg)
- Descartar doença isquêmica se houver dor torácica típica
- Avaliar se tem sinal de instabilidade hemodinâmica
- Bradicardia sintomática com instabilidade: Atropina 1 mg EV
- Não respondeu: Marca-passo transcutâneo
- Não respondeu: Marca-passo transvenoso
- Causa não reversível: Marca-passo definitivo
- BAVt: pular a atropina, ir direto para o marca-passo
- Bradicardia sinusal: não vai (ambulatório)
- BAV 1º grau: não vai (ambulatório)
- BAV 2º grau tipo 1: raramente, maioria assintomático
- BAV 2º grau tipo 2: sim, maioria sintomático
- BAVt: sim, emergência