MedCaju · Anestesiologia cirúrgica · Manual de bolso

Bloqueio do
neuroeixo

Raquianestesia e peridural — as duas técnicas mais usadas do centro cirúrgico. Dos dermátomos aos planos da agulha, da baricidade à cefaleia pós-punção, tudo o que o Prof. Arnóbio cobrou, organizado pra prova.

Leitura · ~30 min Nível · clínica cirúrgica I Par · com anestésicos locais Foco · prova + plantão
01 · O princípio

Tudo começa nos dermátomos

Se você entrar em qualquer centro cirúrgico de hospital geral agora, vai ter uma raqui ou peridural acontecendo. O princípio das duas é o mesmo: bloquear a medula num nível e anestesiar tudo daquele dermátomo para baixo.

Um dermátomo é a área de pele inervada por um único nível medular. Quanto mais baixo o nível da medula, mais inferior é a área que ele inerva. Se você bloqueia a medula naquele nível, tudo que está daquele ponto para baixo perde sensibilidade — dor, sensação térmica, tato — porque a informação não sobe ao cérebro.

A ideia que organiza tudo

Acerte o nível, escolha o território

É a mesma droga dos anestésicos locais (lidocaína, bupivacaína, ropivacaína) — só muda onde você injeta. Bloqueando o nível certo do dermátomo, o paciente pode fazer a cirurgia acordado e sem sentir nada daquele ponto para baixo. Cirurgia de períneo? Bloqueio baixo. Cirurgia de membro inferior? Também. A previsibilidade do nível é justamente a vantagem do conhecimento dos dermátomos.

Por que não se usa em laparoscopia

Em tese dá para operar abdome superior com peridural alta. Mas hoje a vesícula é por videolaparoscopia, que distende o abdome com gás (pneumoperitônio) — a inervação fica mais alta e exigiria um bloqueio muito alto, perigoso. Além disso, o bloqueio do neuroeixo não dá o relaxamento muscular que a anestesia geral oferece com bloqueadores neuromusculares. Por isso você não vê laparoscopia sob raqui ou peri.

02 · A anatomia da agulha

Os planos que a agulha atravessa

O anestesista sabe exatamente por onde está passando. Cada plano tem uma textura diferente — e o ligamento amarelo é a fronteira que decide se o bloqueio será peridural ou raqui.

Pele Subcutâneo Lig. supraespinhoso Lig. interespinhoso Ligamento amarelo ESPAÇO PERIDURAL (frouxo) Dura-máter + aracnoide ESPAÇO SUBARACNOIDE · LCRcauda equina / raízes PERIDURAL para no espaço peridural RAQUI fura a dura, chega ao LCR O LIGAMENTO AMARELO É A FRONTEIRA DA DECISÃO
Fig. 1 — A sequência de planos: pele → subcutâneo → lig. supraespinhoso → interespinhoso → ligamento amarelo → espaço peridural → dura-máter/aracnoide → espaço subaracnoide (LCR). A peridural para antes da dura; a raqui a atravessa.
Mnemônico MedCaju

Sequência dos planos — "Pode Subir Sem Importunar A Dura"

PPele SSubcutâneo SLig. Supraespinhoso ILig. Interespinhoso ALig. Amarelo (a fronteira) DEspaço peridural → Dura-máter → (raqui) subaracnoide/LCR
Anatomia que cai na prova — decore

A medula termina em L1-L2: por isso se punciona abaixo

A coluna vertebral desce até o cóccix, mas a medula espinhal termina em torno de L1-L2. Daí para baixo só há raízes nervosas (a cauda equina) flutuando no LCR. Por segurança, o anestesista sempre punciona de L2 para baixo (no máximo L1-L2, se for corajoso) — abaixo da medula, onde uma agulha não causa lesão medular. Se a prova perguntar "por quê de L2 para baixo?", a resposta é: para não lesar a medula espinhal.

03 · A grande comparação

Raqui versus peridural

As duas usam a mesma droga e começam igual. A diferença está em três coisas: onde a agulha para, quanto se injeta e o que o anestésico encontra do outro lado.

Raquianestesia

Subaracnoide · no LCR
  • Onde injeta Espaço subaracnoide, direto no LCR — fura a dura-máter
  • Alvo Banha diretamente a cauda equina / raízes no liquor
  • Volume Pequeno — até ~4 mL
  • Início Rápido, quase imediato
  • Bloqueio motor Forte e rápido
  • Confirmação Gotejamento de LCR pela agulha
  • Cateter Existe, mas quase ninguém usa
VS

Peridural

Peridural / epidural · espaço frouxo
  • Onde injeta Espaço peridural — NÃO fura a dura
  • Alvo Raízes nervosas que saem da coluna; difunde pelo espaço
  • Volume Grande — ~20 mL
  • Início Mais lento (precisa difundir)
  • Bloqueio motor Varia conforme a dose; geralmente menor
  • Confirmação Perda de resistência (não goteja LCR)
  • Cateter Muito usado — analgesia pós-op prolongada
A diferença em uma frase

Na raqui você injeta dentro do liquor (subaracnoide), pouco volume, efeito rápido e forte. Na peridural você injeta antes da dura (espaço peridural frouxo), muito volume, efeito mais lento — e o anestésico encontra as raízes nervosas que estão saindo da coluna, não a medula diretamente.

Os volumes — a pegadinha clássica 4 mL × 20 mL

É o ponto que mais confunde: raqui = volume PEQUENO (até ~4 mL) porque você injeta direto no liquor, onde a droga se espalha sozinha. Peridural = volume GRANDE (~20 mL) porque o anestésico precisa preencher e difundir por todo o espaço peridural frouxo até alcançar as raízes.

Raqui: pouco volume, no liquor. Peri: muito volume, no espaço peridural.
Recall ativo
Numa raqui, gotejamento de LCR pela agulha significa acerto. Numa peridural, o que significaria gotejar líquor?
Toque para revelar
Significaria erro / punção acidental da dura-máter. Na peridural você quer parar antes da dura, no espaço peridural — confirmado pela técnica de perda de resistência, não por gotejamento. Se vier líquor numa peridural, você furou a dura sem querer: risco de raquianestesia total (injetar volume grande de peri no espaço subaracnoide) e de cefaleia pós-punção pelo orifício grande da agulha de Tuohy. Já vir sangue em qualquer das duas indica punção vascular — recue e reposicione.
04 · Por que escolher o neuroeixo

As vantagens sobre a geral

Bloquear o neuroeixo não é só evitar a dor da cirurgia. É reduzir a resposta ao estresse, proteger o coração e analgesiar o pós-operatório por horas.

O elo com a resposta ao trauma

A resposta metabólica ao trauma (citocinas, hormônios contrarreguladores) é disparada por sinais aferentes que sobem ao cérebro. O bloqueio do neuroeixo interrompe esses sinais antes que eles cheguem — por isso reduz a resposta inflamatória e a resistência insulínica. É o mesmo efeito que se buscava com a analgesia peridural na aula de trauma. Tudo conversa.

05 · Técnica da raquianestesia

Passo a passo da raqui

Posição, antissepsia rigorosa, localização do nível pela linha de Tuffier, botão anestésico, agulha em 15° e o gotejamento que confirma o acerto.

Linha de Tuffier — o "GPS" do anestesista

O paciente não chega tatuado com "L2, L3, L4". A linha de Tuffier (ou Tuffier/Jacoby) é a referência prática: cristas ilíacas → L4. Em paciente magro dá pra ver os processos espinhosos a olho nu; em obeso, a palpação é mais difícil.

06 · Técnica da peridural

A técnica da perda de resistência

O início é idêntico ao da raqui. A diferença está no final: em vez de furar a dura, o anestesista para no espaço peridural — e sabe que chegou porque a resistência ao êmbolo simplesmente some.

Padrão-ouro — o nome explica a técnica

Técnica de perda de resistência

O anestesista avança a agulha (de Tuohy) mantendo pressão constante no êmbolo de uma seringa com ar ou soro. Enquanto a ponta está nos ligamentos (especialmente o ligamento amarelo, que resiste), o êmbolo não avança. No instante em que a ponta entra no espaço peridural frouxo, a resistência some e o êmbolo "cai" / desliza facilmente. Esse é o sinal de que chegou ao espaço correto.

A agulha de Tuohy

Características

Mais calibrosa (permite passar cateter por dentro). Ponta curva e romba — a curvatura direciona o cateter para cima ou para baixo; a ponta romba evita furar a dura acidentalmente.

O estilete e a "rolha"

Tem um estilete interno. Por ser grossa, sem o estilete a agulha levaria uma "rolha" de pele (como o canudo que fura a carne do coco). O estilete oclui o lúmen na entrada e depois é removido.

Para que serve o cateter peridural

Cirurgias longas e muito dolorosas (ex: exenteração pélvica por câncer) se beneficiam do cateter: mesmo depois de acabar a cirurgia e passar o efeito inicial, doses pequenas pelo cateter mantêm o paciente sem dor. Hérnia inguinal (pouco dolorosa) não precisa. O cateter de longa permanência é a marca da peridural — na raqui existe, mas quase ninguém usa; o pós-op prolongado costuma ser feito com cateter peridural + opioide.

07 · Agulhas e cefaleia pós-punção

Por que a agulha ficou tão fina

A cefaleia pós-raqui é a complicação que mais aparece — três alunas da turma já tiveram. A história dela é a história do design da agulha: quanto menor o furo na dura, menor o vazamento de liquor.

QUINCKE (cortante) ponta em lâmina — corta as fibras FURO GRANDE ↑ vazamento de LCR + cefaleia PONTA DE LÁPIS (atraumática) ponta romba — afasta as fibras (saída lateral) FURO PEQUENO a dura se fecha ↓ cefaleia
Fig. 2 — Quincke (cortante, em lâmina) corta as fibras da dura e deixa um orifício maior; a agulha de ponta de lápis (Whitacre/Sprotte, atraumática) afasta as fibras como um palito de dente, deixando furo menor que se fecha — menos vazamento, menos cefaleia.
A fisiopatologia em uma imagem

A dura é como um saco com líquido

Imagine a dura-máter como um saco cheio de liquor. Um buracão esvazia tudo de uma vez; um furinho delicado pinga uma gota por minuto — mas ao longo de 24h, isso soma um volume significativo. A perda de liquor reduz a pressão liquórica, e essa baixa pressão gera a cefaleia pós-punção. Por isso as agulhas ficaram cada vez mais finas: furo menor = menos vazamento.

A marca registrada da cefaleia pós-punção postural

A característica clássica é ser postural: piora em pé / sentado e alivia ao deitar. O médico da emergência suspeita antes mesmo de saber da cirurgia — "você passou por alguma cirurgia com raqui?". A relação com a posição reflete a pressão dentro do "saco" liquórico: deitado, a pressão se iguala e a dor passa.

Cefaleia que melhora deitado + história de raqui = cefaleia pós-punção dural.

Tratamento — em escada

Frequência — não subestime

É muito comum. Como disse o professor, provavelmente todo hospital de Teresina recebe pelo menos um caso por semana. Fatores de risco: agulha grossa/cortante, paciente jovem, sexo feminino, múltiplas tentativas de punção.

08 · Baricidade e bloqueio diferencial

Controlando para onde o anestésico vai

Dois fenômenos elegantes: a baricidade deixa o anestesista "guiar" o anestésico pela gravidade, e o bloqueio diferencial explica por que o paciente sente o toque mas não a dor.

Baricidade — a densidade decide a direção

O anestésico pode ser fabricado em soluções de densidades diferentes em relação ao liquor:

Hiperbárica

Mais densa que o LCR (com glicose). Desce com a gravidade — como uma pedra. A mais usada: o anestesista quer bloquear daquele ponto para baixo.

Isobárica

Densidade igual ao LCR. Fica onde foi injetada — nem sobe nem desce.

Hipobárica

Menos densa que o LCR. Sobe — como um barco que flutua. Menos disponível, usada em casos específicos.

O truque da maca

Como subir o bloqueio sem puncionar mais alto

Puncionar alto (T10) é perigoso na raqui (risco de lesar a medula). A solução: puncionar com segurança em L2 usando solução hiperbárica, e logo após injetar, colocar a maca em Trendelenburg (cabeça para baixo). O anestésico hiperbárico "escorrega" e o bloqueio sobe ao nível desejado — depois volta-se a maca à posição normal. Sobe-se o bloqueio pela gravidade, não pela agulha.

Bloqueio diferencial — a ordem em que as fibras caem

As fibras nervosas têm sensibilidades diferentes ao anestésico. Por isso o bloqueio é progressivo e o anestesista sabe testar:

Recall ativo
O paciente sob raqui diz: "doutor, estou sentindo o senhor pegando aí". Isso significa que a anestesia falhou?
Toque para revelar
Não necessariamente. Pelo bloqueio diferencial, as fibras de pressão e tato são bloqueadas por último, depois das fibras de dor. Então o paciente pode sentir a pressão / tração da manipulação cirúrgica sem sentir dor — porque a dor (fibras finas) já está bloqueada e o tato (fibras grossas) ainda não. É esperado e não indica falha. Falha real seria o paciente sentir dor de fato, ou não conseguir o bloqueio motor (não levantar a perna) por punção em local errado.
09 · Complicações

O que pode dar errado

Da hipotensão por bloqueio simpático à raquianestesia total — passando pela retenção urinária, que é a mais frequente de todas e vai aparecer nos seus plantões.

Hematoma peridural — não confunda com cefaleia emergência

Diferente da cefaleia pós-punção (incômoda, mas benigna), o hematoma peridural é uma emergência cirúrgica. Sinais de alerta horas após o bloqueio: dor lombar súbita + déficit motor progressivo (perda de força nas pernas que não melhora). O hematoma comprime as estruturas num espaço fechado pelos ossos. Atraso = lesão neurológica permanente.

Perda de força progressiva pós-bloqueio = pensar em hematoma → neurocirurgia urgente.
Recall ativo
Plantão no pós-operatório: paciente fez raqui de manhã e até agora não urinou. Você palpa massa no hipogástrio. O que é e por quê?
Toque para revelar
Retenção urinária pós-raqui — globo vesical. A massa palpável em hipogástrio (que lembra um útero gravídico) é a bexiga distendida de urina. O anestésico bloqueou as raízes sacrais (S2-S4, parassimpáticas) responsáveis pela contração do detrusor — sem elas, a bexiga não esvazia. É a complicação mais frequente do bloqueio do neuroeixo, e mais comum na raqui que na peridural. Conduta: sondagem vesical (de alívio) até o bloqueio passar.
10 · Contraindicações

Quando não bloquear o neuroeixo

Algumas situações são proibição absoluta; outras dependem do bom senso e da habilidade do anestesista.

Contraindicações

Recusa do paciente — ninguém fura a coluna de quem não quer.

Infecção no local da punção — atravessar pele infectada leva bactéria ao liquor.

Coagulopatia grave — risco de hematoma peridural (ex: hemofilia, anticoagulação).

Choque / hipovolemia grave — a vasodilatação do bloqueio agrava a hipotensão.

Hipertensão intracraniana — risco de herniação ao perder liquor.

Relativas / depende

Deformidade da coluna — escoliose grave dificulta, mas não impede um anestesista habilidoso (o caso do "velhinho com coluna em S").

Cirurgia prévia de coluna, obesidade importante, doença neurológica preexistente — avaliar caso a caso.

A primeira contraindicação é sempre a mesma

Antes de qualquer critério técnico: o paciente precisa aceitar. Se ele diz "não quero agulha na minha coluna", respeita-se — até cancela-se a cirurgia eletiva se for o caso. Autonomia do paciente vem primeiro.

11 · Memorial

O suprassumo do neuroeixo

Os 15 pontos de maior rendimento. Se a véspera for curta, leia só isto.

Os 15 pontos que não podem falhar

  1. Princípio: bloqueia a medula num nível → anestesia tudo daquele dermátomo para baixo. Mesma droga dos anestésicos locais.
  2. Planos da agulha (PSSIAD): Pele → Subcutâneo → Supraespinhoso → Interespinhoso → lig. Amarelo → peridural → Dura → subaracnoide (LCR).
  3. Punção sempre de L2 para baixo — a medula termina em L1-L2; abaixo só há cauda equina. Evita lesão medular.
  4. Linha de Tuffier (cristas ilíacas) cruza L4 / L4-L5 — referência para localizar o nível.
  5. Raqui: injeta no subaracnoide (LCR), volume PEQUENO (≤4 mL), início rápido, bloqueio motor forte. Confirma por gotejamento de LCR.
  6. Peridural: injeta no espaço peridural (antes da dura), volume GRANDE (~20 mL), início lento. Confirma por perda de resistência. Permite cateter.
  7. Volume é a pegadinha: raqui pouco (4 mL), peri muito (20 mL).
  8. Técnica da peridural = perda de resistência com agulha de Tuohy (calibrosa, ponta romba/curva, com estilete contra "rolha" de pele).
  9. Vantagens do neuroeixo: menos efeito CV sistêmico, ↓ resposta ao estresse/citocinas, analgesia pós-op, ↓ TVP/TEP, ↓ sangramento.
  10. Cefaleia pós-punção: vazamento de LCR pelo furo da dura → ↓ pressão liquórica. É POSTURAL (piora em pé, alivia deitado).
  11. Agulha fina e atraumática (ponta de lápis) reduz a cefaleia vs. cortante (Quincke). Tratamento: repouso, hidratação, cafeína → blood patch (sangue autólogo no peridural) se refratário.
  12. Baricidade: hiperbárica desce (mais usada), isobárica fica, hipobárica sobe. Trendelenburg + hiperbárica sobe o bloqueio com segurança.
  13. Bloqueio diferencial: cai 1º simpático, 2º dor/temperatura, 3º tato/pressão. Por isso o paciente sente "pegar" mas não dói.
  14. Complicações: hipotensão (vasodilatação simpática → cristaloide + efedrina); bradicardia/PCR se subir a T1-T4; raquianestesia total; hematoma peridural (dor + déficit motor = emergência); retenção urinária (a mais frequente, raízes sacrais).
  15. Contraindicações: recusa do paciente, infecção no local, coagulopatia, choque/hipovolemia, HIC. Deformidade de coluna é relativa.
A raqui e a peridural são gêmeas que divergem num único plano: o ligamento amarelo. Passou e furou a dura, é raqui — pouco volume, no liquor. Parou antes, é peridural — muito volume, no espaço frouxo. Quem entende esse ponto de bifurcação entende a aula inteira.

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Esse guia faz parte da biblioteca do MedCaju — questões comentadas, simuladores cirúrgicos e mapas mentais de anestesiologia.

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