Antibióticos · Parte 2
Farmacologia · Infectologia

Cefalosporinas,
Carbapenêmicos,
Glicopeptídeos & Aminoglicosídeos

Das gerações de cefalosporinas aos canhões terapêuticos — espectro, toxicidade, alergias cruzadas e a lógica do empirismo sistemático.

CeftriaxonaCeftazidimaCefepima MeropenemVancomicinaAminoglicosídeos PseudomonasMRSAAlergia Cruzada
00 · Recap Parte 1

O que já foi visto

Parte 1 cobriu: mecanismo unificado dos betalactâmicos (PBP + transpeptidação), as três benzilpenicilinas (cristalina, procaína, benzatina), aminopenicilinas (amoxicilina), oxacilina para S. aureus, inibidores de betalactamase (clavulanato, sulbactam, tazobactam) e os mecanismos de resistência: betalactamases, alteração de PBP (MRSA), alteração de porinas e bomba de efluxo.

Esta parte cobre: cefalosporinas (4 gerações), carbapenêmicos, glicopeptídeos (vancomicina) e aminoglicosídeos — incluindo toxicidade e alergias cruzadas.

Fio condutor do professor
Antibioticoterapia deve ser empírica porém sistemática. Raciocinar pelo contexto clínico, não memorizar receitas. Nunca sobrepor espectros sem entender o alvo.
01 · Cefalosporinas

A família que cresceu com as gerações

Origem e diferença das penicilinas

Cefalosporinas foram isoladas de bactérias do esgoto da Sardenha, não de fungos. Essas bactérias as produziam para competir com outras no ambiente. Compartilham o mesmo mecanismo das penicilinas (bloqueio da PBP), mas são estruturalmente mais estáveis contra muitas betalactamases.

Regra das gerações: quanto mais alta, maior espectro contra Gram− e maior potencial de toxicidade. A cobertura de Gram+ tende a reduzir (exceto ceftarolina).

Progressão do espectro por geração — Gram+ vs. Gram−
Geração → Gram+ Gram− Ceftriaxona ★ Cefepima ✦
A 2ª geração praticamente não é usada na rotina
O ganho sobre a 1ª é pequeno. O padrão hospitalar vai direto: 1ª geração para profilaxia cirúrgica → 3ª (ceftriaxona) para infecções mais amplas → 4ª (cefepima) para casos graves.
02 · As Gerações

1ª à 4ª — o que muda em cada degrau

⚡ Cada geração e seus representantes cobrados em prova
Primeira geração
Cefazolina · Cefalotina · Cefalexina

Espectro: Gram+ predominante. Staphylococcus e Streptococcus. Alguma cobertura de Gram− simples.

Uso clínico: Cefazolina e cefalotina EV — profilaxia pré e pós-cirúrgica (padrão universal). Cefalexina VO — ferimentos superficiais, sutura, ambulatório. Dose: 500 mg 8/8h por 7 dias.

Obs.: Cefazolina e cefalotina têm embalagens muito parecidas — atenção ao Z e ao L na hora de separar no hospital.

Segunda geração
Cefuroxima

Espectro: Incremento modesto sobre a 1ª. Sobreposição grande com 1ª e 3ª.

Uso clínico: Pouco padronizada na rotina. A maioria dos serviços vai da 1ª direto para a 3ª.

Terceira geração ⭐
Ceftriaxona · Ceftazidima

Ceftriaxona: Incremento marcante. Forte atividade contra Neisseria meningitidis, Neisseria gonorrhoeae e enterobactérias. Faz médicos "pularem" a 2ª geração. Indicação-chave: meningite bacteriana, meningococcemia, gonorreia.

Ceftazidima: Criada especificamente para Pseudomonas aeruginosa. Existe versão com avibactam para Pseudomonas produtora de ESBL.

Quarta geração
Cefepima · Ceftarolina

Cefepima: Maior espectro de continuidade. Cobre Gram+ e Gram− amplamente, incluindo Pseudomonas. Fica atrás apenas dos carbapenêmicos. Recurso quando a ceftazidima não é suficiente.

Ceftarolina: Cogitada como 5ª geração. Única cefalosporina com atividade contra MRSA. Porém não é padrão usá-la para MRSA presumido — quando MRSA, vai para vancomicina.

Bomba de efluxo — mecanismo de resistência adicional
Proteínas transmembrana que expulsam ativamente o antibiótico da célula antes de atingir a PBP. Particularmente importante na resistência da Pseudomonas aeruginosa, que empilha múltiplos mecanismos.
MedCaju · Banco de Questões
Questões sobre cefalosporinas e Pseudomonas
Treine as gerações, indicações e espectro com casos clínicos no padrão das provas.
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03 · Carbapenêmicos

Os "canhões" — máximo espectro betalactâmico

⚡ Nunca usar canhão para matar mosquito
Meropenem e Imipenem-Cilastatina

Ainda betalactâmicos, ainda bloqueiam PBP. Possuem o maior espectro da classe: Gram+, Gram−, aeróbios, anaeróbios, enterobactérias, Pseudomonas, Acinetobacter. Recurso de última linha dentro dos betalactâmicos.

Imipenem é associado à cilastatina pois sozinho sofre hidrólise renal e se torna nefrotóxico. A cilastatina inibe essa hidrólise, protegendo o rim.

Reservados para infecções nosocomiais graves, sepses abdominais com multirresistência, imunodeprimidos críticos.

Amplitude comparativa do espectro — betalactâmicos
Pen. G Amox Pip-tazo Cefaz 1G Ceftriax 3G + meningococo Cefepima 4G + Pseudo Meropenem
Exceção crítica — MRSA escapa do meropenem
Por mais amplo que seja o espectro dos carbapenêmicos, MRSA não é coberto. A resistência é pela PBP2a mutada, não por betalactamase. Se não responde ao meropenem: suspeitar MRSA → vancomicina.
A lógica do "pensar no posterior"
Usar meropenem de primeira intenção seleciona bactérias que sobrevivem a ele. Quando o paciente desenvolver uma escara infectada, a bactéria local estará adaptada. Se for Gram−, não há muito para onde correr. O uso racional preserva a eficácia para quando é realmente necessário.
04 · Glicopeptídeos

Vancomicina — o canhão exclusivo para Gram+

Mecanismo completamente diferente dos betalactâmicos

Glicopeptídeos não possuem anel betalactâmico e não dependem da PBP. Bloqueiam diretamente os resíduos D-ala-D-ala do precursor do peptidoglicano, impedindo o alongamento e a ligação das cadeias. A parede não se forma.

Por atuarem em ponto diferente da PBP, são imunes às betalactamases. A vancomicina funciona no MRSA exatamente porque o mecanismo de resistência do MRSA (PBP2a) não é o alvo dela. A molécula chega ao peptidoglicano por outro caminho.

No Brasil: Vancomicina e Teicoplanina. Mesmo mecanismo, mesmo espectro.

Vancomicina vs. betalactâmico — pontos de ação diferentes na parede
D-ala-D-ala PBP (transpept.) β-lac bloqueia PBP Vanco bloqueia D-ala MRSA PBP2a mutada β-lac ✕ Vanco ✓
Por que não funciona em Gram−?

A molécula da vancomicina é grande demais para atravessar as porinas da membrana externa das Gram−. Ela não consegue nem chegar ao peptidoglicano. Por isso é exclusiva para Gram+.

Concentração bactericida para S. aureus patogênico, incluindo MRSA: 2 mcg/mL ou menos.

Uso inusitado — Colite pseudomembranosa (C. difficile)

O C. difficile prolifera quando antibióticos de amplo espectro eliminam a flora intestinal protetora. A vancomicina EV não chegaria ao lúmen em concentração suficiente.

Solução: dilui-se a ampola EV de vancomicina em água e o paciente bebe a solução. A molécula é grande demais para ser absorvida pelo TGI, percorre o intestino intacta e age como "vassoura luminal", matando o C. difficile localmente. É protocolo do Ministério da Saúde.

Atenção na orientação ao paciente: explicar claramente que é a ampola diluída em água bebida, não administração EV habitual.

Nefrotoxicidade — monitorar sempre
Vancomicina sistêmica tem potencial nefrotóxico. Monitoramento de função renal obrigatório. Quando associada a aminoglicosídeos (também nefrotóxicos), o risco é multiplicado. Se um médico usa vancomicina + amicacina simultaneamente, o paciente está em situação crítica — é uma corrida entre parar a infecção e preservar o rim.
MedCaju · ENAMED e Residência
Questões de MRSA, vancomicina e colite pseudomembranosa
Casos clínicos com raciocínio de escalada terapêutica comentados por especialistas.
Praticar no MedCaju
05 · Aminoglicosídeos

Inibidores da síntese proteica — potentes e tóxicos

Mecanismo completamente diferente

Não atuam na parede bacteriana. Entram pela porina em processo dependente de oxigênio e ligam-se irreversivelmente à subunidade ribossomal 30S, bloqueando a síntese proteica. A bactéria produz proteínas aberrantes e morre.

Aminoglicosídeo — entrada O₂-dependente e bloqueio do 30S
Membrana externa (Gram−) P Membrana citoplasmática AMG O₂ dep. Ribossomo 30S AMG ✕ Anaeróbio sem O₂ AMG não entra ✕
Regra de ouro — não funcionam em anaeróbios
A entrada pela porina é dependente de oxigênio. Em tecidos isquêmicos ou infecções anaeróbicas — pé diabético isquêmico, abscesso sem vascularização, peritonite — aminoglicosídeos são inúteis. Nunca usar isolado nessas situações.
Representantes

Gentamicina (Garamicina): O mais visto no dia a dia. Gram− aeróbios. Antigamente era rotina para ITU, hoje ficou em segundo plano com o avanço das cefalosporinas. Ainda muito usado em sinergismo.

Amicacina: Melhor perfil contra cepas resistentes à gentamicina. Infecções graves hospitalares, HIV com CD4 baixo.

Estreptomicina: Historicamente importante para tuberculose e brucelose. Produzida por Streptomyces — bactéria que não age em estreptococos, o que gera confusão pelo nome.

Neomicina: Tóxica demais para uso sistêmico. Restrita ao uso tópico (pomadas, gotas otológicas).

Sinergismo com betalactâmicos e glicopeptídeos
Betalactâmico
rompe a parede
+
Aminoglicosídeo
entra e bloqueia 30S
=
Sinergismo potente
parede aberta → AMG entra melhor

A vancomicina também sincroniza com aminoglicosídeos pelo mesmo princípio. Associação clássica em infecções graves por Gram+ e Gram− combinadas, imunodeprimidos.

Ototoxicidade e nefrotoxicidade — atenção real
Aminoglicosídeos alteram o fluxo da hemolinfa coclear, causando surdez permanente. O professor mencionou uma comunidade em Codó com surdos decorrentes do uso inadvertido de gentamicina na infância e na gestação. São nefrotóxicos e ototóxicos — monitoramento de função renal e audição em uso prolongado é obrigatório. Quando se vê vancomicina + amicacina juntas, o paciente está crítico: é uma corrida entre a infecção e a toxicidade.
Contraindicação em miastenia gravis
Aminoglicosídeos são contraindicados em miastenia gravis. A doença envolve hipersensibilidade tipo II com anticorpos contra receptores de acetilcolina. Alguns antimicrobianos podem favorecer reconhecimento cruzado e piorar o quadro. Fique atento à história do paciente antes de prescrever.
06 · Mapa Comparativo

Quem cobre quem — visão geral

PatógenoCefaz 1GCeftriax 3GCeftaz 3G Cefepima 4GMeropenemVancomicinaAminogli.
S. aureus (sem MRSA)±±
MRSA / ORSA✓ 1ª linha
Streptococcus spp.±sinerg.
N. meningitidis / gonorrhoeae✓✓±
E. coli / Klebsiella±
Pseudomonas aeruginosa✓ anti-pseudo✓ anti-pseudo
Acinetobacter±
Anaeróbios (B. fragilis)±✓✓✗ (O₂ dep.)
C. difficile✓ (VO luminal)
07 · Uso Clínico

Cenários clínicos para a prova

Ferimento / Sutura

Cefalexina VO 500 mg 8/8h por 7 dias. Cobre S. aureus e Streptococcus da pele.

Profilaxia Cirúrgica

Cefazolina ou cefalotina EV. Padrão pré, intra e pós-cirúrgico em cirurgias limpas.

Meningite Bacteriana

Ceftriaxona EV. Cobre N. meningitidis, N. gonorrhoeae e H. influenzae. Penetra no SNC.

Pseudomonas suspeita

Ceftazidima ou Cefepima. Ceftazidima é a primeira escolha antipseudomonal. Cefepima nos casos mais graves.

MRSA

Vancomicina EV. Padrão-ouro. Presumir quando infecção estafilocócica não responde à oxacilina.

Colite pseudomembranosa

Vancomicina VO (ampola EV diluída em água). Vassoura luminal. Também: metronidazol, fidaxomicina.

Peritonite / Alça rompida

Pip-tazo ou meropenem se quadro grave. Cobre Enterobacteriaceae + anaeróbios.

Imunodeprimido grave (HIV CD4 baixo)

Betalactâmico + aminoglicosídeo em sinergismo. Monitorar função renal rigorosamente.

Pé diabético isquêmico — aminoglicosídeo não funciona
Tecido isquêmico = ambiente sem oxigênio. Aminoglicosídeo não entra na bactéria. Cobertura de anaeróbios: metronidazol, clindamicina, pip-tazo ou meropenem.
08 · Alergias e Hipersensibilidade

Reatividade cruzada entre betalactâmicos

⚡ Raciocínio clínico que o professor destacou explicitamente
A lógica da reatividade cruzada

Penicilinas, cefalosporinas, carbapenêmicos e monobactâmicos são estruturalmente parecidos. A alergia a um pode se manifestar com outro, porque o sistema imune pode reconhecer estruturas similares.

Porém, nem toda alergia a penicilina gera alergia a cefalosporina. Depende de qual epitopo (parte da molécula) o sistema imune montou reatividade. Se a reatividade for ao anel betalactâmico em si, o risco de cruzamento é alto. Se for a uma cadeia lateral específica, o cruzamento pode não ocorrer.

Risco de reatividade cruzada entre betalactâmicos
Anel β-lac Penicilina Cefalosporina Carbapenêmico Monobactâmico Todos compartilham o anel — risco de cruzamento existe magnitude depende do epitopo da reatividade individual
Alergia a penicilina

Risco real de cruzamento com cefalosporinas e carbapenêmicos. Grau de risco depende do tipo de reação prévia (anafilaxia vs. exantema leve).

Conduta prática do professor: se paciente relata alergia a betalactâmico e você está num serviço sem estrutura para manejo de anafilaxia, não use outro betalactâmico. Fuja do BO.

Quando ponderar o risco

Em UTI com estrutura adequada, o médico pode ponderar o custo-benefício: o risco da infecção sem o antibiótico de escolha vs. o risco de reação cruzada com monitoramento intensivo.

Fora desse cenário, usar classe diferente (macrolídeo, quinolona, dependendo do foco).

Stevens-Johnson e NET

Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica (NET) são idiossincrasias graves, com risco de vida. Pacientes que tiveram essas reações a qualquer antimicrobiano: documentar e nunca reexpor. Fuga obrigatória.

Orientação ao paciente

Nunca perguntar "você está tomando certinho?". Perguntar: "me descreve como você toma o medicamento, o que faz depois que toma?" O paciente pode estar tomando junto com a refeição sem saber que isso anula o efeito (ex.: levotiroxina, amoxicilina suspensão mal preparada).

Amoxicilina em suspensão — orientação crítica
A amoxicilina suspensão vem em pó para ser reconstituída com água. O anel betalactâmico não é estável em meio líquido aquecido. A água deve estar em temperatura ambiente ou fria (filtrada ou fervida e resfriada). Nunca colocar água quente recém-fervida — destrói o antibiótico antes de o paciente tomar. Detalhe simples, erro comum.
09 · Síntese Final

O que o professor quer levar para a prova

Cefalosporinas — mapa das gerações
  • 1ª (cefazolina, cefalotina, cefalexina): profilaxia cirúrgica EV + ferimentos VO
  • 2ª (cefuroxima): pouco usada, sem padronização rotineira
  • 3ª (ceftriaxona): meningite, gonorreia, infecções por Gram−
  • 3ª (ceftazidima): antipseudomonal — criada para Pseudomonas
  • 4ª (cefepima): maior espectro, antipseudomonal, infecções hospitalares graves
  • 4ª (ceftarolina): única cefalosporina com atividade contra MRSA (não é 1ª escolha)
Carbapenêmicos + Glicopeptídeos
  • Meropenem / Imipenem-Cilastatina: canhão para infecções nosocomiais graves
  • Nenhum betalactâmico cobre MRSA — todos falham na PBP2a
  • Vancomicina: mecanismo D-ala-D-ala, imune a betalactamases, exclusiva Gram+
  • Vancomicina EV = MRSA / Vancomicina VO = C. difficile (vassoura luminal)
  • Vancomicina sistêmica = monitorar função renal sempre
  • Vancomicina + aminoglicosídeo = paciente crítico, risco alto de toxicidade renal
Aminoglicosídeos
  • Mecanismo: bloqueia subunidade 30S — síntese proteica
  • Entrada dependente de O₂ → não funcionam em anaeróbios (pé diabético, abscesso)
  • Excelentes para Gram− aeróbios em sinergismo com betalactâmicos
  • Ototóxicos + nefrotóxicos — monitoramento obrigatório
  • Neomicina: somente uso tópico
  • Contraindicados em miastenia gravis
Alergias cruzadas
  • Penicilina, cefalosporina, carbapenêmico e monobactâmico compartilham o anel β-lac
  • Alergia a um pode cruzar com outro — grau depende do epitopo da reatividade
  • Sem estrutura para anafilaxia: não arriscar outro betalactâmico
  • Stevens-Johnson / NET: idiossincrasia grave, fuga obrigatória, documentar sempre
  • Suspensão de amoxicilina: nunca reconstituir com água quente
A lição central do professor
"Nunca usar canhão para matar mosquito." Empirismo sistemático: raciocinar pelo contexto, pela bactéria provável, pelo serviço disponível. Sobrepor vancomicina + amicacina de primeira intenção sem raciocínio é sinal de que "foi para Deus, acabou a sistemática". Saber o básico bem feito resolve 99% da prática clínica.
MedCaju · ENAMED e Residência
Treine escolha de antibiótico por cenário clínico
Casos de meningite, peritonite, MRSA, pé diabético e infecções hospitalares com gabarito comentado.
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