❤️ Semiologia · Aula 3 · Cardiovascular

Exame Cardiovascular

Inspeção, turgência jugular, ictus cordis, bulhas cardíacas, sopros e manobras — o guia completo do coração para o Alcino

5focos de ausculta
4bulhas cardíacas
6+manobras
Quizincluso
🔄 Ciclo Cardíaco
👁️ Inspeção & Jugular
🤲 Ictus & Palpação
🎯 Focos de Ausculta
🔔 Bulhas (B1-B4)
〰️ Sopros & Valvopatias
🧘 Manobras
🎯 Quiz
Fundamento
Ciclo Cardíaco — O Caminho do Sangue

Tudo em cardiologia faz sentido. Não decore — entenda o coração como um sistema de vasos comunicantes com uma força propulsora que precisa percorrer um caminho organizado. Qualquer turbulência, obstrução ou desarranjo nesse caminho gera alteração semiológica (sopro, frêmito, bulha patológica).

Ciclo Cardíaco — Câmaras, Válvulas e Fluxo Átrio D sangue venoso da cava Ventrículo D baixa pressão menos muscular Átrio E sangue arterial das pulmonares Ventrículo E ★ ALTA pressão mais muscular principal na IC Tricúspide Mitral (Bicúspide) Veia cava superior Veia cava inferior Art. pulmonar (sangue venoso → pulmão) Pulmonar Veias pulm. AORTA Aórtica (→ sistêmica) ★ Regra-chave: Átrio → Ventrículo = válvulas atrioventriculares (Tricúspide D, Mitral E) · abrem na DIÁSTOLE Ventrículo → Artéria = válvulas semilunares (Pulmonar D, Aórtica E) · abrem na SÍSTOLE
Sangue venoso → AD → VD → A. pulmonar → pulmão → V. pulmonares → AE → VE → Aorta → sistêmica

❤️ Ventrículo Esquerdo — O Protagonista

  • O ventrículo mais musculoso — precisa de força para mandar sangue pra circulação sistêmica (alta pressão)
  • A maioria das insuficiências cardíacas importantes acometem o VE
  • Se o VE falha → sangue acumula "para trás": pulmão → átrio direito → veias → edema de MMII
  • Conceito do "vaso comunicante": obstrução num ponto faz acumular tudo atrás

🫁 Ventrículo Direito

  • Envia sangue para circulação pulmonar — baixa pressão, mais fácil
  • Menos muscular que o esquerdo
  • Pode falhar secundariamente à falência esquerda (IC congestiva global)
  • Falência isolada do VD = cor pulmonale (DPOC, TEP crônico, HAP)
🎯 Regra de Ouro
Se o VE falha → o sangue acumula para trás · Se o VD falha → congestão sistêmica
IC esquerda = congestão pulmonar (dispneia, ortopneia, EAP). IC direita = congestão sistêmica (edema, turgência jugular, hepatomegalia).
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MedCaju — Fisiologia do Ciclo Cardíaco

Questões de fisiologia cardiovascular + casos de insuficiência cardíaca comentados já estão no banco!

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Primeiro Passo
Inspeção Cardiovascular — O que você vê antes de tocar

Muitos diagnósticos de IC já são visíveis sem estetoscópio. Observe o precórdio, a frequência cardíaca aparente, abaulamentos/retrações e, principalmente, a turgência jugular.

👁️ Inspeção do Precórdio

  • Abaulamentos ou retrações — podem indicar cardiopatia congênita, grande cardiomegalia
  • Propulsão cardíaca visível — em casos graves, dá para ver o coração pulsando pelo tórax
  • Frequência cardíaca observacional — se ver o paciente taquicárdico só olhando, já é um sinal
  • Diferença FC vs FP: nem todo batimento cardíaco gera pulso eficaz. Frequência de pulso pode ser < frequência cardíaca em algumas arritmias (ex: fibrilação atrial)

🔍 Dica — Diferença FC vs Frequência de Pulso

  • Frequência cardíaca: contada com estetoscópio no precórdio
  • Frequência de pulso: palpada no pulso radial/carotídeo
  • Em arritmias (ex: FA), alguns batimentos não geram onda de pulso → déficit de pulso (FC > FP)
  • Por isso se conta a FC no precórdio, não pelo pulso
Semiologia Clássica
Turgência Jugular — O Espelho do Átrio Direito

A jugular é uma janela direta para o átrio direito — principalmente a jugular interna direita, que se comunica quase que diretamente com o AD pelo seu trajeto curto.

Avaliação da Turgência Jugular — Paciente a 45° Jugular interna D turgente = sangue acumulado Ângulo de Louis (referência semiológica) altura vertical 🔢 Técnica semiológica: 1. Paciente a 45° de inclinação 2. Observar a veia jugular interna direita 3. Medir altura vertical da turgência até o ângulo de Louis 🧮 Pressão Venosa Central estimada: Altura da turgência + 5 cm (pressão AD) Se altura > 4–5 cm do ângulo de Louis → PVC elevada → IC descompensada Na prática: só OLHAR para a jugular já diz muito. "Jugular turgente" = IC até prova em contrário. A medida exata é mais usada em estudos.
A jugular interna direita reflete diretamente a pressão do AD. Paciente a 45°, turgência >4cm acima do Ângulo de Louis = IC.

🔵 Reflexo Hepatojugular — Testando o Coração

  • Paciente a 45°, pressione firmemente a região da loja hepática por 10–30 segundos
  • O que acontece: você aumenta o retorno venoso (empurra o sangue da veia porta pra cava)
  • Coração bom: dá conta do volume extra, jugular não muda
  • Coração insuficiente: jugular aparece ou aumenta = reflexo positivo
  • Útil quando não há turgência evidente mas você suspeita de IC
  • É uma "prova de estresse" do coração à beira do leito
💡 Caso clínico da professora
"Paciente de 60 anos chega anasarcado, com dispneia aos esforços há 3 dias, edema ascendente de MMII. Você olha o pescoço: turgência jugular evidente. Ou: sem turgência, mas você faz o reflexo hepatojugular e ela aparece. Você precisa de ecocardiograma para dizer que esse paciente tem IC? Não! O diagnóstico já está na cara. O eco é para confirmar e estratificar — não para fazer diagnóstico."
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MedCaju — Semiologia da IC

Questões de turgência jugular, reflexo hepatojugular e sinais de IC descompensada — Alcino, já estão no banco!

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Segundo Passo
Ictus Cordis — A Ponta do Coração

O ictus cordis (ou "choque de ponta") é a pulsação da ponta do coração (ápice do VE) palpável na parede torácica. Sua localização, extensão e intensidade dão informações valiosas.

Ictus Cordis — Localização Normal vs Desviado NORMAL Linha hemiclav. E ICTUS 5° EIC linha hemiclav. 1-2 polpas DESVIADO (Cardiomegalia) Linha hemiclav. E Linha axilar ant. ICTUS DESVIADO • 6° EIC (desceu) • linha axilar ant. • 3+ polpas digitais → Cardiomegalia → Hipertrofia VE
Ictus normal: 5° EIC linha hemiclavicular E, 1-2 polpas digitais. Desviado → cardiomegalia / hipertrofia do VE.

✅ Técnica de Palpação do Ictus

  • Paciente em decúbito dorsal primeiro
  • Se não palpar → decúbito lateral esquerdo (aproxima o coração da parede torácica)
  • Usar as polpas digitais no 5° EIC linha hemiclavicular esquerda
  • Avaliar: localização, extensão (nº de polpas) e intensidade

🔴 Alterações Patológicas do Ictus

  • Desviado (para baixo e para fora): cardiomegalia, hipertrofia do VE
  • Extensão > 2 polpas digitais: cardiomegalia
  • Muito propulsivo/vigoroso: hipertrofia ventricular, sobrecarga pressórica
  • Impalpável: enfisema (ar recobre o coração), obesidade, derrame pericárdico, tórax muito espesso

🟡 Caquexia Cardíaca — Por que o cardiopata fica magro?

  • IC crônica → congestão venosa sistêmica → congestão na rede venosa intestinal
  • Dificuldade de absorção de nutrientes pela mucosa congesta
  • Dispneia ao se alimentar (refeições grandes sobrecarregam o coração) → paciente come menos
  • Resultado: paciente emagrecido, caquético — o ictus fica mais fácil de palpar justamente por isso
Frêmito Cardíaco

Enquanto palpa o tórax, você pode sentir uma vibração tátil correspondente a um sopro muito intenso. O frêmito é a "palpação do sopro".

🎯 Importância
Sopro com frêmito = sopro de 4 cruzes ou mais
A presença de frêmito automaticamente grada o sopro em 4+/6 — é um marcador de gravidade. Sopro audível sem frêmito: até 3/6. Com frêmito: a partir de 4/6.
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MedCaju — Palpação Cardíaca

Questões sobre ictus desviado, frêmito e caquexia cardíaca com casos clínicos reais!

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A BASE DA AUSCULTA
Os 5 Focos de Ausculta Cardíaca

ISSO VAI CAIR NA PROVA — DECORAR! Os focos de ausculta NÃO correspondem anatomicamente às válvulas. São os locais padronizados onde cada válvula é melhor auscultada (maior reverberação sonora).

Focos de Ausculta — Tórax Anterior Ângulo de Louis A Aórtico 2° EIC · para-esternal D P Pulmonar 2° EIC · para-esternal E A2 Aórtico Acessório 3° EIC · para-esternal E (foco de Erb) T Tricúspide base do apêndice xifóide M Mitral 5° EIC · hemiclav. E (= ictus cordis) ⚠️ DECORAR: A, P acima · T, M abaixo Aórtico e Pulmonar = 2° EIC · Tricúspide = apêndice xifóide · Mitral = 5° EIC hemiclavicular E (= ictus) Foco Aórtico Acessório (Erb) = 3° EIC para-esternal E — para confirmar sopros de insuficiência aórtica
Aórtico D e Pulmonar E são espelhados no 2° EIC. Mitral = ictus. Tricúspide = base do xifóide.
FocoLocalizaçãoValvopatia principal
Aórtico2° EIC · linha para-esternal direitaEstenose aórtica, insuficiência aórtica
Pulmonar2° EIC · linha para-esternal esquerdaEstenose pulmonar, hiperfluxo pulmonar
Aórtico Acessório (Erb)3° EIC · linha para-esternal esquerdaConfirma insuficiência aórtica (sopro mais audível)
TricúspideBase do apêndice xifóideInsuficiência tricúspide, estenose tricúspide
Mitral5° EIC · linha hemiclavicular esquerda (= ictus cordis)Estenose mitral, insuficiência mitral
🎯 Mnemônico — APTM
A-cima: Aórtico (D) · Pulmonar (E) · A-baixo: Tricúspide · Mitral
De cima pra baixo, da direita do paciente para a esquerda: A (D) → P (E) → Erb → T → M. Na diagonal, seguindo o contorno do coração.

🔴 Dica clínica importante

  • Sopros muito intensos (ex: estenose aórtica grave) podem ser auscultados em todos os focos — chamamos de sopro panfocal
  • Se houver sopro em todos os focos = valvopatia grave, provavelmente aórtica
  • Mas na maioria dos casos, identifica-se o foco de maior intensidade — é ali que a válvula acometida está
  • Quando o professor falar "esse paciente tem estenose aórtica", nunca se limite ao foco aórtico — ausculte todos para avaliar gravidade
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MedCaju — Focos de Ausculta

As questões sobre localização dos focos caem MUITO em prova! Todas comentadas no MedCaju, Alcino!

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Sons Cardíacos
As 4 Bulhas Cardíacas — B1, B2, B3 e B4

As bulhas são os sons produzidos pelo fechamento das válvulas (não pela abertura!). O som do "tum-tá" que você ausculta é a sequência B1 → B2. B3 e B4 são bulhas extras, geralmente patológicas.

Ciclo Cardíaco — B1 e B2 no Tempo B1 "TUM" Fecha Tri+Mit Início sístole SÍSTOLE (curta) B2 "TÁ" Fecha Ao+Pulm Início diástole DIÁSTOLE (longa — dá tempo de encher) B1 B2 B3 (protodiastólica) logo após B2 · "TUM-tatá" · galope B4 (telediastólica) antes da próxima B1 · pré-sistólica
Sístole curta (B1 → B2). Diástole longa (B2 → B1 seguinte). B3 = início da diástole. B4 = fim da diástole.

🔴 B1 — Primeira Bulha ("TUM")

  • Som: fechamento da Tricúspide + Mitral
  • Marca: INÍCIO DA SÍSTOLE ventricular
  • Melhor audível no foco mitral (ápice do coração)
  • Coincide com: pulso carotídeo + palpação do ictus cordis — truque para saber qual é B1!
  • A mitral fecha milissegundos antes da tricúspide — normalmente som único

🔵 B2 — Segunda Bulha ("TÁ")

  • Som: fechamento da Aórtica + Pulmonar
  • Marca: INÍCIO DA DIÁSTOLE ventricular
  • Melhor audível nos focos aórtico e pulmonar
  • A aórtica fecha antes da pulmonar (VE tem maior pressão)
  • Pode apresentar desdobramento (ver recall abaixo)
💭 Recall — CAI EM PROVA

Desdobramento de B2 — Fisiológico, Fixo e Paradoxal

Desdobramento fisiológico: na inspiração profunda, o retorno venoso aumenta → mais sangue no VD → válvula pulmonar demora mais para fechar → você escuta "tum-tlá" (em vez de "tum-tá"). Na expiração, volta ao normal. Só acontece na inspiração = fisiológico.

Desdobramento fixo: o desdobramento existe TANTO na inspiração QUANTO na expiração. Causa clássica: CIA (comunicação interatrial) — o VD sempre recebe volume extra do shunt E→D, independente da respiração.

Desdobramento paradoxal: inverte a ordem — a aórtica fecha DEPOIS da pulmonar. Ocorre na inspiração (quando a pulmonar atrasa fisiologicamente, coincidem). Na expiração, você percebe o desdobramento. Causa: VE disfuncionante, bloqueio de ramo esquerdo, estenose aórtica grave.

🟣 B3 — Terceira Bulha (Protodiastólica)

  • Aparece no início da diástole, logo após B2
  • Som do sangue chegando num ventrículo que não consegue relaxar bem
  • Ritmo "TUM-ta-tá" = Ritmo de Galope
  • Causa patológica: IC sistólica — VE disfuncionante, baixa complacência
  • Fisiológico em: crianças, adolescentes, gestantes (hipervolemia adaptativa)
  • Paciente com IC + B3 = sinal de gravidade

🟡 B4 — Quarta Bulha (Telediastólica/Pré-sistólica)

  • Aparece no final da diástole, antes da próxima B1
  • Som do átrio contraindo contra um ventrículo rígido que resiste ao enchimento
  • Ritmo "TRUM-tum-tá" — também é ritmo de galope
  • Causa: IC diastólica — ventrículo rígido, pouco complacente
  • Aparece em: HAS crônica, hipertrofia VE, cardiomiopatia hipertrófica
🎯 Decorar
B3 = IC Sistólica (ventrículo fraco) · B4 = IC Diastólica (ventrículo rígido)
B3: ventrículo não ejeta bem e não relaxa bem → IC sistólica. B4: ventrículo não enche bem (duro) → IC diastólica / hipertrofia.
Fonese das Bulhas — Hipo, Normo, Hiperfonéticas

🔉 Hipofonéticas

Mais fracas que o normal. Causas: IC (ventrículo fraco), derrame pericárdico, obesidade, enfisema, derrame pleural volumoso.

✅ Normofonéticas

Intensidade normal — condição esperada em paciente saudável.

🔊 Hiperfonéticas

Mais intensas. Causas: anemia (coração trabalha mais), gestação, febre, hipertireoidismo, exercício, hipertrofia ventricular.

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MedCaju — Bulhas Cardíacas

B1, B2, desdobramentos, B3, B4, ritmo de galope — todas as questões disponíveis no MedCaju!

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O Ponto Mais Complexo
Sopros Cardíacos — Turbulência = Som

O sopro é o som da turbulência do sangue. Normalmente o fluxo é laminado, organizado. Se houver obstrução (estenose) ou regurgitação (insuficiência valvar), o sangue faz turbulência → som audível = sopro.

Sopros Sistólicos vs Diastólicos — Lógica das Valvopatias SÍSTOLE (entre B1 e B2) Sangue SAI do ventrículo · Mit/Tri fechadas · Ao/Pulm abertas Estenose Aórtica / Pulmonar EJETIVO (sangue força passagem) Insuficiência Mitral / Tricúspide REGURGITATIVO (volta p/átrio) DIÁSTOLE (entre B2 e B1) Sangue ENTRA no ventrículo · Mit/Tri abertas · Ao/Pulm fechadas Estenose Mitral / Tricúspide EJETIVO Insuficiência Aórtica / Pulmonar REGURGITATIVO 🎯 LÓGICA DE OURO — mesma válvula, 2 patologias possíveis Estenose = válvula estreita → sangue forçado a passar no momento que ela DEVERIA estar aberta Insuficiência = válvula não fecha direito → sangue volta no momento que ela DEVERIA estar fechada
Mesma válvula pode dar sopro sistólico (insuf. mitral ou estenose aórtica) OU diastólico (estenose mitral ou insuf. aórtica).
As 4 Valvopatias Clássicas
Estenose Aórtica
Válvula aórtica estreitada
SistólicoEjetivo

Foco: Aórtico (2° EIC para-esternal D)

Mecanismo: VE contrai → sangue tenta passar por uma válvula estreita → turbulência

Irradiação: fúrcula esternal (carótidas)

Característica: pode ser panfocal quando grave (audível em todos os focos)

Insuficiência Aórtica
Válvula aórtica não fecha bem
DiastólicoRegurgit.

Foco: Aórtico — mas melhor audível no Foco Aórtico Acessório (Erb — 3° EIC esq)

Mecanismo: após VE ejetar, válvula aórtica deveria fechar para segurar pressão — mas regurgita para VE

Manobra: paciente sentado e inclinado para frente → sopro mais audível

Estenose Mitral
Válvula mitral estreitada
DiastólicoEjetivo

Foco: Mitral (5° EIC hemiclavicular E)

Mecanismo: AE tenta esvaziar no VE durante diástole → válvula estreita → turbulência

Causa clássica no Brasil: febre reumática

Manobra: decúbito lateral esquerdo → sopro mais audível

Insuficiência Mitral
Válvula mitral não fecha bem
SistólicoRegurgit.

Foco: Mitral

Mecanismo: VE contrai → mitral deveria estar fechada → mas regurgita para o AE

Irradiação: axila esquerda — marca registrada!

Dica: qualquer sopro de foco mitral irradia para axila

🎯 Mnemônico Ouro — Valvopatias
"Estenose e Insuficiência — a mesma válvula dá sopro em tempos diferentes"
Mitral Estenose → Diastólico · Mitral Insuf → Sistólico · Aórtica Estenose → Sistólico · Aórtica Insuf → Diastólico. O ritmo respiratório na prova: "eMID = estenose Mitral Indica Diástole".
Graduação dos Sopros — As 6 Cruzes
GrauCaracterística
+/6Só audível com manobra específica (decúbito lateral, Rivero Carvalho, etc.)
++/6Audível, sem irradiação, sem frêmito (mais comum na prática)
+++/6Irradia para carótidas ou axila, sem frêmito
++++/6Irradia + tem frêmito palpável
+++++/6Audível com estetoscópio apenas encostado (quase sem contato)
++++++/6Audível sem estetoscópio, à distância do paciente — raro e assustador
⚠️

Frêmito = automaticamente 4+

Se você palpa frêmito na parede torácica + ausculta o sopro = sopro de no mínimo 4 cruzes em 6. A presença de frêmito é um divisor — abaixo dele, sopros leves/moderados; acima, sopros graves.

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MedCaju — Valvopatias e Sopros

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Técnicas Especiais
Manobras Semiológicas — Diferenciando Sopros

As manobras ajudam a identificar qual válvula está acometida e a caracterizar o sopro. Cada manobra modifica a hemodinâmica (retorno venoso, resistência periférica) de um jeito específico.

🔴 Manobra de Rivero Carvalho

  • Como: paciente faz inspiração profunda e mantém
  • O que acontece: aumenta o retorno venoso → mais sangue no VD
  • Efeito: sopros tricúspides se acentuam
  • Uso: diferenciar sopro tricúspide vs mitral — se aumenta na inspiração = tricúspide

🔵 Decúbito Lateral Esquerdo

  • Como: paciente deita sobre o lado esquerdo
  • O que acontece: coração se aproxima da parede torácica esquerda
  • Efeito: sopros mitrais ficam mais audíveis
  • Uso: confirmar estenose mitral; também facilita a palpação do ictus

🟡 Inclinação Anterior do Tronco

  • Como: paciente sentado, inclinado para frente (como em oração)
  • O que acontece: aorta se aproxima da parede torácica anterior
  • Efeito: sopro de insuficiência aórtica mais audível no foco Erb
  • Uso: confirmar insuficiência aórtica

🟣 Hand Grip

  • Como: paciente entrelaça as mãos e faz força por 30 segundos
  • O que acontece: aumenta resistência vascular periférica → aumenta pressão em aorta
  • Efeito: acentua sopros de insuficiência aórtica e mitral
  • Uso: detectar sopros leves de regurgitação

🟢 Manobra de Valsalva

  • Como: paciente inspira e prende com glote fechada (força contra glote)
  • O que acontece: aumenta pressão intratorácica → diminui retorno venoso
  • Efeito: diminui maioria dos sopros (menos volume passando)
  • Exceção: sopro da cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva — AUMENTA (pouco volume = obstrução maior)

🟠 Agachamento

  • Como: paciente agachando-se subitamente
  • O que acontece: aumenta retorno venoso + aumenta pós-carga
  • Efeito: efeito semelhante ao Rivero Carvalho — acentua maioria dos sopros
Irradiações dos Sopros — DECORAR
🎯 Regras de Irradiação
Aórtica → Fúrcula / Carótidas   ·   Mitral → Axila
Estenose aórtica irradia para a fúrcula esternal e carótidas (onde as artérias passam). Qualquer sopro mitral irradia para a axila esquerda (reverberação pelo trajeto do sopro).

🔴 Aplicação Prática — Raciocínio Rápido

  • Sopro no foco aórtico? Ausculto a fúrcula. Se irradia → confirma estenose aórtica
  • Sopro sistólico no foco mitral? Ausculto a axila esquerda. Se irradia → confirma insuficiência mitral
  • Sopro diastólico? Coloco paciente sentado e inclinado para frente + ausculto foco Erb. Se aumenta → insuficiência aórtica
  • Sopro no foco tricúspide ou mitral em dúvida? Faço Rivero Carvalho. Se aumenta na inspiração → tricúspide

🩵 Clique Metálico — Válvula Mecânica

  • Som metálico, de alta frequência, claramente audível
  • Ocorre em pacientes com prótese valvar mecânica (a válvula é metálica → faz clique ao fechar)
  • NÃO é patológico — é o funcionamento normal da prótese
  • Se sumir o clique = disfunção da prótese (emergência!)
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MedCaju — Manobras Semiológicas

Rivero Carvalho, Valsalva, Handgrip, decúbitos — tudo cai em prova. Treine no MedCaju!

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Revisão
Quiz — Exame Cardiovascular
Questão 1
Qual é a localização correta do foco mitral?
A2° EIC, linha para-esternal direita
B5° EIC, linha hemiclavicular esquerda (= ictus cordis)
CBase do apêndice xifóide
D3° EIC, linha para-esternal esquerda
✅ Correto! O foco mitral fica no 5° EIC, linha hemiclavicular esquerda — exatamente onde você palpa o ictus cordis. É o ponto de melhor ausculta da válvula mitral, apesar de NÃO ser a posição anatômica dela.
❌ O foco mitral é no 5° EIC, linha hemiclavicular esquerda — coincide com o ictus cordis. A = Aórtico. C = Tricúspide. D = Aórtico acessório (Erb).
Questão 2
Paciente de 60 anos, hipertenso, com estenose aórtica. Qual é a característica mais esperada do sopro?
ADiastólico, regurgitativo, mais audível no foco Erb
BSistólico, regurgitativo, irradia para axila esquerda
CSistólico, ejetivo, irradia para fúrcula esternal e carótidas
DDiastólico, ejetivo, acentua na inspiração profunda
✅ Correto! Estenose aórtica = VE tenta ejetar através de válvula estreita durante a sístole → sopro sistólico ejetivo. Irradiação clássica: fúrcula e carótidas (por onde as artérias passam). Quando muito intenso = panfocal.
❌ Estenose aórtica: sístole (sangue SAI do VE forçando a passagem) + ejetivo (sangue passando) + irradia para fúrcula/carótidas. A = insuf. aórtica. B = insuf. mitral. D = não existe.
Questão 3
Paciente com IC descompensada. Você palpa a região da loja hepática e observa que a jugular fica mais turgente. Como se chama esse achado e o que significa?
ASinal de Pemberton — indica obstrução da veia cava superior
BSinal de Courvoisier — indica icterícia obstrutiva
CSinal de Kussmaul — indica pericardite constritiva
DReflexo hepatojugular positivo — indica IC / falência do VD
✅ Correto! Ao pressionar a loja hepática, você aumenta o retorno venoso para o coração. Coração bom absorve. Coração insuficiente não dá conta → jugular aparece/aumenta = reflexo hepatojugular POSITIVO. Útil em pacientes com suspeita de IC sem turgência óbvia.
❌ Reflexo hepatojugular positivo = pressionar a loja hepática → aumenta retorno venoso → se o coração não dá conta, jugular aparece. Diagnóstico de IC à beira do leito, sem precisar de exame.
Questão 4
Paciente com ICTUS CORDIS palpável no 6° EIC, linha axilar anterior, com extensão de 3 polpas digitais. O que isso indica?
ACardiomegalia com hipertrofia do VE — ictus desviado para baixo e para fora, extensão aumentada
BIctus normal — localização e extensão dentro dos padrões
CHipertrofia do VD — ictus deveria estar normal
DEnfisema pulmonar — ictus impalpável
✅ Correto! Ictus normal: 5° EIC linha hemiclavicular E, 1-2 polpas. Neste caso: desceu (6°) + foi para fora (axilar anterior) + ficou maior (3 polpas) = ictus desviado e aumentado = cardiomegalia com hipertrofia do VE. Diagnóstico clínico de cardiopatia, sem exame.
❌ Ictus normal: 5° EIC hemiclavicular E, 1-2 polpas. Aqui: 6° EIC (desceu) + axilar anterior (foi pra fora) + 3 polpas (extensão aumentada) = cardiomegalia/hipertrofia do VE.
Questão 5
Paciente apresenta ritmo "TUM-ta-tá" (ritmo de galope). Ao localizar a bulha extra, você percebe que ela está logo após B2. Qual é essa bulha e qual o significado?
AB4 — indica IC diastólica
BB3 — indica IC sistólica (ventrículo com baixa complacência)
CDesdobramento fisiológico de B2 — achado normal
DClique metálico — prótese valvar
✅ Correto! B3 = protodiastólica (logo após B2). Som do sangue chegando num ventrículo que não relaxa bem = IC sistólica. Em adultos, quase sempre patológico. Pode ser fisiológico em crianças, adolescentes e gestantes.
❌ Logo após B2 = início da diástole = B3 protodiastólica. Indica IC sistólica (VE disfuncionante). B4 = tele-diastólica (antes da próxima B1), associada a IC diastólica / hipertrofia.
Questão 6
Ao auscultar um paciente, você ouve um sopro sistólico no foco mitral e fica em dúvida se é mesmo mitral ou tricúspide. Qual manobra você deve fazer?
AManobra de Valsalva — diminui retorno venoso
BHand grip — aumenta pós-carga
CRivero Carvalho + ausculta da axila — se irradiar para axila = mitral; se aumentar na inspiração = tricúspide
DNenhuma — o foco já define a válvula
✅ Correto! Dois testes complementares: (1) Rivero Carvalho (inspiração profunda) — se o sopro aumenta = tricúspide (mais sangue no VD). (2) Ausculta da axila — qualquer sopro mitral irradia para a axila. Se irradia = mitral. Se aumenta só na inspiração = tricúspide.
❌ Rivero Carvalho aumenta sopros tricúspides (na inspiração, ↑ retorno venoso → VD). Sopros mitrais irradiam para axila. Combinando as duas manobras você confirma qual válvula está acometida.
Questão 7
Paciente com sopro diastólico no foco aórtico, mais audível quando inclina o tronco para frente. Principal hipótese?
AEstenose aórtica — sopro ejetivo sistólico
BInsuficiência aórtica — sopro regurgitativo diastólico, acentua com inclinação anterior do tronco
CEstenose mitral — sopro diastólico ejetivo
DInsuficiência mitral — sopro sistólico regurgitativo
✅ Correto! Insuficiência aórtica: após VE ejetar, a válvula aórtica deveria fechar na diástole — mas regurgita → sopro diastólico. A inclinação anterior do tronco aproxima a aorta da parede torácica = sopro mais audível. Confirmação adicional: sopro no foco Erb (aórtico acessório).
❌ Sopro diastólico no foco aórtico + acentua com inclinação anterior = insuficiência aórtica. Mecanismo: regurgitação do sangue da aorta para o VE durante a diástole. Confirma-se no foco Erb (aórtico acessório).

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