Farmacologia PR1 — Guia Visual
Capítulo 1 — Legislação

Portaria 344 e Receituários

Cada receituário é uma camada de rastreamento. A cor não é cosmética: ela codifica imediatamente o nível de risco da substância prescrita.

NOTIFICAÇÃO A — AMARELA Entorpecentes Morfina · Codeína · Fentanil Metadona · Metilfenidato Tolerância + Dependência Física 2 vias + Nº rastreio NOTIFICAÇÃO B — AZUL Psicotrópicos Diazepam · Clonazepam Alprazolam · Midazolam Dependência Psíquica predominante 2 vias + Nº rastreio CONTROLE ESPECIAL Antimicrobianos Qualquer antimicrobiano oral Uso ambulatorial Vale apenas 10 dias 2 vias obrigatórias
Os três receituários especiais e suas características. Clique em cada seção do texto para expandir detalhes.

A Portaria SVS/MS 344/1998 classifica as substâncias psicoativas por risco e define o tipo de receituário especial exigido. A rastreabilidade é o princípio: cada notificação tem número único que permite seguir o caminho da substância do prescritor ao paciente.

Uma substância é entorpecente quando satisfaz dois critérios simultâneos: tolerância (o organismo adapta-se e exige doses crescentes para o mesmo efeito) e dependência física (síndrome de abstinência somática ao parar). Os opioides satisfazem os dois. Os BZD causam dependência, mas são classificados como psicotrópicos ansiolíticos — na prática, isso justifica a azul e não a amarela.

Macete direto

Opioide = Entorpecente = Receita Amarela. BZD = Ansiolítico psicotrópico = Receita Azul. Antimicrobiano oral = Branca, vale 10 dias.

Capítulo 2 — Neurologia

Levodopa e Carbidopa no Parkinson

A dopamina não atravessa a barreira hematoencefálica. A solução é enviar o precursor e protegê-lo até chegar ao destino certo.

PERIFERIA BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA SNC — ESTRIADO Sem carbidopa: Levodopa DDC periférica Dopamina (DA) Não atravessa Com carbidopa: Levodopa + Carbidopa bloqueia DDC peri. Levodopa ✓ DDC cerebral → Dopamina ✓ Neurônio estriatal ✓ Dose menor · Menos náusea · Menos hipotensão
Sem carbidopa, a levodopa é convertida em dopamina na periferia — que não cruza a BHE. Com carbidopa, a conversão periférica é bloqueada e a levodopa chega intacta ao SNC.

No Parkinson, os neurônios dopaminérgicos da substância negra morrem progressivamente, reduzindo dopamina no estriado. O tremor em repouso, a rigidez e a bradicinesia são consequências desse déficit. Não podemos simplesmente administrar dopamina: ela é uma molécula polar que não atravessa a barreira hematoencefálica.

Sem intervenção, mais de 95% da levodopa oral vira dopamina antes de chegar ao cérebro. Essa dopamina periférica estimula receptores no trato GI (náusea, vômito), vasos (hipotensão ortostática) e coração (arritmias). A carbidopa resolve isso ao inibir a enzima conversora na periferia, sem atravessar a BHE — deixando a conversão cerebral intacta.

Analogia para fixar
Levodopa = pacote para o cérebro
Carbidopa = segurança que impede o pacote de ser aberto antes de chegar
A carbidopa não tem efeito terapêutico próprio. Sua única função é proteger a levodopa durante o trajeto periférico. Sempre são usadas juntas.
Capítulo 3 — Neurologia

Farmacologia do Alzheimer

Dois eixos, dois mecanismos completamente diferentes. Entender os dois permite deduzir indicações e efeitos adversos de toda a classe.

EIXO COLINÉRGICO — AntiAChE Neurônio morreu ↓ACh Fenda sináptica AChE AntiAChE ✓ Galantamina Rivastigmina Rec. colinérgico ↑ACh EAs colinérgicos: Náusea · Diarreia · Bradicardia Sialorreia · Broncoespasmo (excesso parassimpático) vs EIXO GLUTAMATÉRGICO — Memantina Glutamato ↑↑↑ crônico NMDA aberto Ca²⁺ entra Memantina bloqueia NMDA Excitotoxicidade Ca²⁺ tóxico → morte Neuroprotecção ✓ — Moderado a Grave Leve-Mod → AntiAChE · Mod-Grave → + Memantina · Grave → Combo
Os dois eixos farmacológicos do Alzheimer atuam em sistemas completamente diferentes e são complementares.

O Alzheimer destrói neurônios de forma irreversível. O tratamento não cura — ele compensa as consequências bioquímicas dessa destruição. Existem dois alvos principais: o déficit de acetilcolina (eixo colinérgico) e a excitotoxicidade glutamatérgica.

A galantamina inibe apenas a AChE. A rivastigmina também inibe a butirilcolinesterase (BuChE), outra enzima que degrada ACh. Além disso, a rivastigmina existe em formulação transdérmica (adesivo), o que melhora a adesão e reduz os efeitos GI — importante em pacientes que já têm dificuldade de deglutição.

Efeitos adversos dos antiAChE — saiba deduzir

Se você inibe a AChE, o ACh aumenta em todo o organismo. Isso ativa o parassimpático periférico: náusea, vômito, diarreia, bradicardia, sialorreia, broncoespasmo. Não memorize a lista — deduza: é tudo que "o parassimpático em excesso" causa.

Capítulo 4 — Psiquiatria

Antipsicóticos — Típicos e Atípicos

Geração, receptor, sintoma-alvo e perfil de toxicidade: quatro dimensões que organizam toda a classe.

VIAS DOPAMINÉRGICAS Substância Negra/VTA Via Mesolímbica → Efeito terapêutico ✓ Via Nigroestriatal → EPs (parkinsonismo) ✗ Via Tuberoinfundibular → Hiperprolactinemia BLOQUEAR D2 tem preço Mesolímbica (queremos) → reduz sintomas positivos Nigroestriatal (não queremos) → distonia, parkinsonismo, discinesia Tuberoinfundibular → hiperprolactinemia (galactorreia) Atípicos: + 5HT2A → atenua EP nigroestriatal
O bloqueio D2 é o mecanismo terapêutico central, mas ocorre em múltiplas vias. Os efeitos indesejados são consequência do bloqueio nas vias erradas.

Sintomas Positivos vs. Negativos — clique para explorar

Selecione um grupo
⚡ Positivos
🌑 Negativos
⏱ EPs por tempo
📊 Comparação

Sintomas positivos — algo está presente em excesso no repertório mental normal.

Manifestações

  • 🔊 Alucinações auditivas
  • 👁 Alucinações visuais
  • ⚡ Agitação psicomotora
  • 🗡 Comportamento violento
  • 🌀 Pensamento desorganizado

Tratamento

Na crise aguda: típicos de 1ª geração (haloperidol) são mais eficazes para controle rápido. Na manutenção: atípicos por menor toxicidade.

Haloperidol na crise Atípico na manutenção

Sintomas negativos — capacidades normais que se apagam.

Manifestações

  • 🌑 Embotamento afetivo
  • 🔇 Alogia (pobreza de discurso)
  • 😶 Reclusão social
  • 🧊 Anedonia
  • 👅 Protrusão lingual (EP tardio)

Contexto clínico

O idoso quieto no corredor do asilo. Respondem melhor aos atípicos que têm ação sobre 5-HT2A no córtex pré-frontal. Típicos têm pouco efeito sobre negativos.

Efeitos extrapiramidais por ordem de aparecimento após início do típico:

h
Horas a dias
Distonia Aguda

Espasmos musculares involuntários, geralmente no pescoço (torcicolo), face ou olhos (crise oculogírica). Tratamento: biperideno ou difenidramina IM.

d
Dias a semanas
Acatisia

Inquietação motora interna insuportável — o paciente não consegue ficar parado, fica se mexendo, levantando. Difícil de distinguir de agitação da psicose.

s
Semanas a meses
Parkinsonismo Farmacológico

Tremor em repouso, rigidez, bradicinesia — clinicamente idêntico ao Parkinson. Reversível ao suspender.

a
Meses a anos
Discinesia Tardia

Movimentos estereotipados orofaciais: protrusão lingual, mastigação involuntária, movimento dos lábios. Pode ser irreversível. Principal argumento para trocar para atípico.

FármacoGeraçãoEA predominanteDestaque
HaloperidolEP intensoCrise aguda; IM disponível
ClorpromazinaHipotensão, sedaçãoBloqueio α1 e H1
RisperidonaHiperprolactinemia, EP leveMais EP entre atípicos
OlanzapinaSínd. metabólica +++Mais ganho de peso
QuetiapinaSedação, pesoBoa no bipolar depressão
AripiprazolAcatisia leveAgonista parcial D2; alto custo
Síndrome Maligna dos Neurolépticos — emergência

Tétrade: hipertermia + rigidez muscular intensa + instabilidade autonômica + alteração de consciência. Parar o antipsicótico imediatamente. Suporte em UTI. Dantrolene pode ser necessário.

Capítulo 5 — Neurologia

Anticonvulsivantes

A escolha começa pelo tipo de crise. Errar o diagnóstico é errar o tratamento — e alguns fármacos não apenas são ineficazes, como agravam certas crises.

CLASSIFICAÇÃO DAS CRISES EPILÉPTICAS GENERALIZADAS Ausência 3 Hz espícula-onda → Etossuximida Tônico-clônica Grande mal → Valproato / Fenitoína Mioclônica → Valproato / Levetir. ⊗ Carbamazepina piora Status Epilepticus → Diazepam IV (BZD) ⊗ Não usar crônico FOCAIS / PARCIAIS Focal simples Consciência preservada → Carbamazepina Focal complexa Consciência alterada → Carbamazepina / Lam. ⊗ FeCaBa piora AUSÊNCIA Fenitoína · Carbamazepina · Barbitúrico
Classificação das crises e seus tratamentos de escolha. Atenção especial ao FeCaBa na crise de ausência.

BZD vs. Barbitúrico no receptor GABA-A — mecanismos comparados

Clique para ver cada mecanismo
Benzodiazepínico
Barbitúrico
Diferença-chave
Benzodiazepínico (Diazepam, Clonazepam)
Liga ao sítio BZD do GABA-A Aumenta FREQUÊNCIA de abertura do canal Cl⁻ Hiperpolarização → inibição SNC
Precisa do GABA para agir (modulador alostérico positivo). Em overdose, o efeito tem teto funcional — por isso é mais seguro.
Barbitúrico (Fenobarbital)
Liga ao sítio barbitúrico do GABA-A Aumenta TEMPO de abertura do canal Cl⁻ Hiperpolarização → inibição SNC
Em altas doses pode abrir o canal SEM GABA. Isso explica a toxicidade letal em overdose (sem efeito-teto). Também é indutor potente do CYP450.

BZD — Frequência

Aumenta quantas vezes o canal abre. Precisa do GABA. Efeito-teto (mais seguro em overdose). Tolerância rápida com uso crônico.

Antídoto: Flumazenil

Barbitúrico — Tempo

Aumenta quanto tempo o canal fica aberto. Em dose alta: abre sem GABA. Sem efeito-teto — overdose fatal. Indutor CYP450.

Sem antídoto específico
Macete para a prova
FeCaBa = Fenitoína + Carbamazepina + Barbitúrico
Esses três PIORAM crise de ausência
São anticonvulsivantes eficazes para outras crises, mas contraindicados na ausência pura. A etossuximida é a única droga de ausência pura.
Capítulo 6 — Cardiologia

ICC e Digoxina

A digoxina é o "remédio de pobre" — eficaz, barato, mas de janela terapêutica estreita. Seu mecanismo explica tanto a utilidade quanto a toxicidade.

MIÓCITO CARDÍACO Na⁺/K⁺ ATPase INIBIDA Digoxina ✗ Na⁺ intracel. ↑↑ Trocador Na⁺/Ca²⁺ menos ativo Ca²⁺ intracel. ↑↑ ✓ Inotrópico + Contração mais forte Ativa tônus vagal (nó AV) → Cronotrópico negativo (↓FC) Cronotrópico − Reduz frequência (FA+ICC) ⚠ Janela terapêutica estreita — Hipocalemia aumenta toxicidade (K⁺ compete pelo sítio)
Mecanismo celular da digoxina: inibição da Na/K-ATPase leva ao acúmulo de Ca²⁺ intracelular (inotrópico +) e ativação vagal (cronotrópico −).

A digoxina é extraída da planta Digitalis purpurea e usada na medicina há séculos. No contexto da ICC com FA, ela resolve dois problemas simultaneamente: a contração fraca e a frequência elevada. Seu apelido de "remédio de pobre" se deve ao baixo custo e ampla disponibilidade no SUS.

Toxicidade por digoxina — como reconhecer

Sintomas precoces: náusea, vômito, anorexia, fadiga — facilmente confundidos com piora da ICC.
Sinal visual clássico: xantopsia (halos amarelados ou esverdeados ao redor de objetos). É quase patognomônico.
Cardiotoxicidade: bradiarritmias, bloqueio AV, taquicardia ventricular.
Hipocalemia potencializa a toxicidade — o K⁺ compete com a digoxina pelo sítio de ligação na Na/K-ATPase. Com menos K⁺, mais digoxina se liga.

Capítulo 7 — Cardiologia

Bloqueadores dos Canais de Cálcio

Não são um grupo uniforme. A subclassificação em dihidropiridínicos e não-dihidropiridínicos determina totalmente onde atuam e quando são indicados.

NÃO-DIHIDROPIRIDÍNICOS Verapamil · Diltiazem Miocárdio ↓FC ↓contrat. Cardiopatia isquêmica · Angina vasoespástica ⊗ Contraindicado em ICC descompensada e BAV 2º/3º grau vs DIHIDROPIRIDÍNICOS Nifedipina · Anlodipino · Felodipino Musculatura Vascular Vasodilatação periférica Pouco efeito cardíaco direto HAS · Angina estável · Idosos ✓ Seguros em ICC (não deprimem contratilidade)
Dihidropiridínicos agem principalmente nos vasos; não-dihidropiridínicos agem no coração e nos vasos.
Como não confundir jamais
Vera-MIL e diLTIA-zem = aLTEram o coração (FC + contrat.)
NiFEdipina, aNLOdipino = NÃO mexem no coração, só vasos
Na cardiopatia isquêmica: se o paciente não tolera betabloqueador, o verapamil ou diltiazem são a alternativa — eles reduzem a FC e o trabalho cardíaco.
Capítulo 8 — Cardiologia

Nitratos

Mesmo mecanismo molecular, indicações completamente distintas. A diferença está na apresentação, início e duração de ação.

Nitrato → Óxido Nítrico (NO) → Guanilato ciclase → GMPc ↑ → Vasodilatação venosa (↓ pré-carga) + coronária (↑ fluxo isquêmico) Nitroglicerina Via sublingual ou IV Início em segundos Angina AGUDA · IAM Paciente carrega consigo Isossorbida Via oral Início em 30–60 min Profilaxia da angina Não serve para crise aguda Nitroprussiato Via IV exclusiva (UTI) Titulação contínua Emergência hipertensiva ⚠ Toxicidade tiocianato
Os três nitratos compartilham o mecanismo (via NO/GMPc) mas diferem radicalmente na via, velocidade e indicação.
⊗ Contraindicação absoluta — Nitrato + Sildenafila

Ambas aumentam GMPc por mecanismos complementares: nitrato via NO, sildenafila por inibir a PDE5 (que degrada GMPc). O efeito combinado causa hipotensão grave e potencialmente fatal. Sempre perguntar sobre uso de iPDE5 antes de prescrever nitrato.

Capítulo 9 — Cardiologia

Anti-hipertensivos

Cada classe ataca um ponto diferente do sistema renina-angiotensina-aldosterona ou da regulação cardiovascular. Conhecer o mecanismo permite deduzir indicações e contraindicações.

SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA-ALDOSTERONA Renina (rim) βBloq. ↓ renina ✓ Angiotensina I ECA IECA bloqueia ✓ Angiotensina II Receptor AT1 BRA bloqueia ✓ Vasoconstrição Aldosterona ↑ ↑ Na⁺/H₂O retenção ↑ Pressão Arterial IECA → acumula bradicinina → Tosse seca (EA) BRA: sem esse efeito
O sistema SRAA e os pontos de ação das classes anti-hipertensivas. IECA e BRA bloqueiam a mesma cascata em etapas diferentes.
ClasseMecanismoIndicação especialContraindicações
IECA
Captopril, Enalapril
Inibe ECA → ↓AngIIDM + nefropatia, ICC sistólica, pós-IAMGestação, angioedema, estenose bilateral renal
BRA
Losartana
Bloqueia receptor AT1Tosse por IECA, nefropatiaGestação, estenose bilateral renal
Beta-bloqueador
Metoprolol, Carvedilol
Bloqueia β1 → ↓FC, ↓DC, ↓reninaICC (carvedilol), pós-IAM, FAAsma, BAV 2º/3º, DPOC grave
Tiazídico
HCTZ
Inibe Na/Cl túbulo distalHAS isolada, idosos, osteoporoseGota ativa, hipocalemia grave
BCC dihidro
Anlodipino
Bloqueia Ca²⁺ vascularIdoso, angina estávelICC descompensada (relativa)
Capítulo 10 — Psiquiatria

Ansiolíticos, Hipnóticos e Sedativos

Há uma questão aberta de prescrição. Saber o medicamento não basta — a prescrição completa envolve muito mais.

RECEPTOR GABA-A — CANAL DE CLORETO membrana Canal Cl⁻ α β β α γ GABA Sítio BZD ↑ Freq. abertura Sítio Barb. ↑ Tempo abertura Cl⁻ Fármacos e seus sítios Benzodiazepínicos (BZD) Diazepam, clonazepam — ↑ freq. Barbitúricos Fenobarbital — ↑ tempo Z-drugs (Zolpidem) Seletivo α1 — hipnose seletiva Resultado final Cl⁻ entra na célula ↓ Potencial de repouso Hiperpolarização → Inibição do SNC Sedação · Ansiolítico Anticonvuls. · Relaxante
O receptor GABA-A com seus múltiplos sítios de ligação. BZD e barbitúricos agem em locais diferentes, produzindo efeitos distintos.

Compare os ansiolíticos principais

Selecione
BZD
Buspirona
Z-drugs
Flumazenil

Mecanismo e indicações

Potencializam GABA-A (↑ freq. abertura Cl⁻). Ansiedade aguda, pânico, status epilepticus. Ação rápida e confiável.

Ansiedade agudaPânicoStatus epilepticus

Cuidados importantes

  • Idosos (Beers): quedas, demência, confusão
  • Gestação: risco C/D (fissura palatina, abstinência neonatal)
  • Uso crônico: tolerância, dependência
  • Não associar com álcool ou opioides

Mecanismo

Agonista parcial do receptor 5-HT1A serotonérgico. Não age no GABA-A. Sem sedação, sem dependência, sem potencial de abuso.

TAG (crônico)Sem dependência

Ponto crítico

Latência de 1 a 2 semanas para efeito ansiolítico. Totalmente inútil para crises agudas. Ideal para tratamento crônico do TAG quando se quer evitar BZD.

Zolpidem e zaleplon agem no GABA-A mas com seletividade pela subunidade α1, que medeia hipnose. Menor efeito ansiolítico, anticonvulsivante e relaxante muscular. Indicados exclusivamente para insônia. Efeito adverso peculiar: sonambulismo e comportamentos automáticos noturnos (comer, dirigir dormindo).

Idosos

Usar com cautela e dose reduzida. Menor risco que BZD, mas ainda há risco de sedação e queda.

O flumazenil é o único antídoto dos benzodiazepínicos. Antagonista competitivo no sítio BZD do receptor GABA-A. Reverte intoxicação em minutos por via IV.

Limitação crítica

Meia-vida de 30 a 60 minutos — bem menor que a maioria dos BZD. O paciente pode ressedatizar após a dose inicial e precisar de doses repetidas. Não reverte barbitúricos.

Questão aberta da prova — prescrição completa de ansiolítico

A professora sinalizou que a resposta deve ir além de nome e dose. Inclua: fármaco · dose · via · frequência · duração · orientações ao paciente (não dirigir, não ingerir álcool, não suspender abruptamente) · plano de retorno.

Capítulo 11 — Psiquiatria

Antidepressivos

As interações dos IMAOs são as mais perigosas desta seção. O "efeito queijo" e a síndrome serotoninérgica são tópicos certos de prova.

Normal (sem IMAO): Tiramina (queijo) MAO intestinal degrada ✓ Eliminada sem risco ✓ Com IMAO (fenelzina, tranilcipromina): Tiramina (queijo/vinho) MAO inibida ✗ não degrada Tiramina absorvida → terminais adren. NA maciça liberada Crise Hipertensiva PA 200+ / cefaleia explosiva ⚠ Alimentos ricos em tiramina: queijos curados · vinho tinto · embutidos · fígado · extrato de levedura
"Efeito queijo": com a MAO inibida, a tiramina alimentar não é degradada e desencadeia crise hipertensiva grave ao estimular a liberação de noradrenalina.

Tricíclicos — Amitriptilina, Imipramina

Inibem recaptação de NA + 5-HT. Também bloqueiam receptores M (anticolinérgico), α1 e H1.

Efeitos antimuscarínicos: boca seca, retenção urinária, constipação, taquicardia.

Anti-α1: hipotensão ortostática. Anti-H1: sedação, ganho de peso.

Cardiotóxico em overdose: alarga QT, arritmias ventriculares.

ISRS — Fluoxetina, Sertralina, Escitalopram

Inibem seletivamente o SERT (transportador de 5-HT). Melhor perfil de segurança.

Principais EAs: disfunção sexual (muito comum), náusea inicial, insônia.

Sertralina: ISRS com mais dados de segurança na gestação. Preferida em gravidas.

1ª escolha depressãoGestação: Sertralina
Síndrome Serotoninérgica — a interação mais perigosa

Causa: combinação IMAO + ISRS ou IMAO + Tricíclico.
Quadro: hipertermia, tremor, mioclonias, agitação, hiperreflexia, hipertensão, instabilidade autonômica. Pode ser fatal.
Princípio: nunca combinar dois agentes serotonérgicos potentes, especialmente quando um é IMAO.

Capítulo 12 — Psiquiatria

Estabilizadores de Humor

Lítio e valproato são os pilares do transtorno bipolar. Ambos têm perfis de monitoramento distintos e contraindicações importantes.

Lítio

Mecanismo

Inibe a inositol monofosfatase (reduz IP3) e a GSK-3β — modulando sinalização intracelular e plasticidade neuronal. O mecanismo exato de estabilização do humor ainda é estudado.

Toxicidade — janela estreita

Leve: tremor fino, poliúria, náusea.
Moderada: tremor grosseiro, ataxia, confusão.
Grave: convulsões, coma, arritmias.

  • AINES — ↓ excreção renal de Li → toxicidade
  • Tiazídicos — mesmo mecanismo
  • Desidratação — concentra litemia
  • Gestação — mal. de Ebstein (cardíaca)
  • IRC grave — acúmulo por falta excreção

Ácido Valproico

Mecanismo

Bloqueia canais de Na⁺ voltagem-dependentes e aumenta a disponibilidade de GABA. Eficaz na fase maníaca aguda e em cicladores rápidos.

  • Gestação — absoluta: defeitos tubo neural (espinha bífida, risco 10x)
  • Insuficiência hepática
  • Pancreatite ativa
Monitoramento

TGO/TGP periódico (hepatotóxico). Amilase se dor abdominal. Hemograma (trombocitopenia).

Monitoramento comparado
Lítio → monitorar LITEMIA (janela estreita)
Valproato → monitorar TGO/TGP (hepatotóxico)
O lítio é excretado pelo rim como o sódio. Tudo que reduz o Na corporal (diurético, AINE, desidratação) aumenta a retenção renal de lítio → toxicidade.
Capítulo 13 — Endocrinologia

Dislipidemias

Estatinas são a pedra angular. Mas o horário de tomada, os efeitos adversos musculares e o papel da ezetimiba são detalhes que caem em prova.

MECANISMO DAS ESTATINAS + EZETIMIBA HEPATÓCITO HMG-CoA redutase Estatina ✗ Colest. intracel. ↓ ↑ Rec. LDL (LDLR) LDL sérico ↓↓ Enterócito NPC1L1 Ezetimiba bloqueia ✓ ↓ absorção colesterol Col. exógeno ↓ Sinergia: Estatina (síntese) + Ezetimiba (absorção) = LDL↓↓↓ 🌙 HMG-CoA tem pico noturno → Sinva/Prava à NOITE · Atorva/Rosuva: qualquer hora
Estatinas bloqueiam a síntese hepática (HMG-CoA redutase). Ezetimiba bloqueia a absorção intestinal (NPC1L1). Os dois mecanismos são complementares e sinérgicos.
Miopatia e Rabdomiólise — o efeito adverso mais grave

CPK elevada + sintomas musculares = miopatia. CPK > 10x o limite + urina escura (mioglobinúria) = rabdomiólise — destruição muscular em massa com risco de IRA. Suspender imediatamente. Risco aumenta com: doses altas, fibratos associados, hipotireoidismo, insuficiência renal.

FármacoAlvo↓ LDLHorárioEA grave
SinvastatinaHMG-CoA (fígado)35-40%NoiteMiopatia
AtorvastatinaHMG-CoA (fígado)45-55%QualquerMiopatia
RosuvastatinaHMG-CoA (fígado)50-60%QualquerMiopatia
EzetimibaNPC1L1 (intestino)18-20%QualquerDiarreia (raro)
FenofibratoPPAR-α↓TG 40-50%RefeiçãoMiopatia (+estatina)
ColestiraminaÁcidos biliares (intestino)15-20%Pré-refeiçãoConstipação

Flashcards de Revisão

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Questões de Fixação

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🍅 Pomodoro
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Foco · 25 min