Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores, caracterizada por hiper-responsividade brônquica e limitação variável ao fluxo aéreo, reversível espontaneamente ou com tratamento, manifestando-se por episódios recorrentes de sibilância, dispneia, aperto no peito e tosse.
"Talvez essa seja a locução mais importante: doença inflamatória crônica. No subconsciente se pensa que a asma é uma alergia — aí encaminha pro alergologista. Não. É uma doença inflamatória, e ponto. A alergia é talvez o componente prevalente, mas não é o único fenótipo."
"É uma doença mutável. Se você atender uma criança hoje com sibilância, prescrever um remédio, daqui a 3 semanas a ausculta pode estar normal. Essa é uma das características da asma — a remissão com tratamento e, eventualmente, até espontânea."
Chiado no peito — "piado", audível ao estetoscópio ou não
Falta de ar por inflamação brônquica → ↓ ventilação alveolar
Sensação de constrição torácica — diferente da angina
Pode ser o único sintoma — tosse crônica persistente
"A asma mata 5 pacientes por dia no Brasil — não deveria mais. Os pacientes estão mal controlados porque o remédio existe gratuitamente. Você consegue um bom remédio até na farmácia popular com a receita. A causa principal da falta de controle é o uso inadequado do remédio."
87,7% dos asmáticos brasileiros não fazem controle adequado da doença.
"A asma clássica é a que aparece durante a infância — 70% dos casos começa na idade pré-escolar, entre 4–6 anos. Mas existe a asma de início tardio: paciente de 58 anos, nunca teve asma, começa a chiar. É menos ligada à alergia. E existe a asma eosinofílica — mais refratária ao tratamento, responde pior ao corticoide inalatório, às vezes precisa de biológico."
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Início na infância (4–6 anos). IgE ↑. Prick test +. Rinite + eczema associados. Melhora com higiene ambiental. Fenótipo mais frequente.
Eosinófilos >300 cells/mm³. Mais refratária ao CI. IL-5 elevada. Risco de exacerbações graves. Candidata a biológico (benralizumabe).
Crise após atividade física (5–15 min). Usar SABA 15–20 min antes do exercício. Não impede prática esportiva. Atletas podem ter asma.
Aspirina + AINEs → inibem COX → desvio para leucotrienos → broncoespasmo. Montelucaste é especialmente eficaz aqui. Fenótipo com fenótipo próprio.
Componente mecânico (peso da caixa torácica) + inflamatório sistêmico do obeso. Padrão restritivo. Melhora com perda de peso.
Após 30 anos sem história prévia. Menos ligada à alergia. Fatores ambientais, psicológicos, obesidade. IgE pode ser normal.
"Os gatilhos funcionam como antígenos que ativam várias células do sistema imune — neutrófilos, macrófagos, mastócitos e principalmente linfócitos T. Esse pool de células ativadas vai fazer com que o antígeno se ligue a uma IgE, dando início a todo o processo inflamatório. Por isso a asma é uma doença inflamatória crônica. Se tivesse que escolher 1 marcador para ser o mais importante na patogenia da asma — seria o eosinófilo."
"Se fosse escolher 1 exame para acompanhar o doente com asma, seria a espirometria. Ela detecta a obstrução brônquica. Fazemos a espirometria do jeito que o paciente chega, damos um broncodilatador de ação rápida, esperamos 10 minutos e refazemos. Essa é a prova broncodilatadora — para ver se o paciente respondeu."
VEF1/CVF é a relação principal. Limite geral:
Em jovens (20 anos): esperar relação >80%. Limite de 70% é o gold para a população geral.
Responsivo se AMBOS os critérios forem atingidos:
Um critério apenas = parcialmente reversível.
"Para a asma estar bem controlada, o paciente tem que dizer NÃO para as 4 perguntas. São 4 perguntinhas só. Não precisa do ACT com 40 variáveis para o consultório — essas 4 resolvem."
Marque SIM ou NÃO para cada pergunta:
O resultado aparecerá aqui conforme você responde.
"Vou colocar gasolina perto de um bombeiro, aquele cheiro de composto aromático pode desencadear crise em quem tem asma. Determinado perfume, determinada profissão. O vinho — bebidas fermentadas — pode ser gatilho. Amendoim, camarão, casquinha de caranguejo. E tem os bichinhos do colchão — quanto mais peludo o animal de estimação, pior."
"A via preferencial é a inalatória. Se você usa corticoide pela boca, ele é metabolizado no fígado, percorre toda a circulação sistêmica, carregando efeitos colaterais. Se você usa a bombinha direto, o remédio vai direto ao pulmão. Temos que vencer esse preconceito — a bombinha ataca o coração? Não. Isso era dos anos 1970 com isoproterenol. Hoje são seguros."
Broncodilatação rápida — estimulam receptor β2 → relaxamento do músculo liso brônquico. Indicados para alívio imediato e para uso pré-exercício.
Broncodilatação por 12 horas. Sempre associados ao corticoide inalatório — nunca usar LABA isolado na asma.
Anti-inflamatórios — reduzem a inflamação brônquica crônica. Pilar do tratamento da asma. Preferência absoluta sobre corticoide oral.
Bloqueiam receptores muscarínicos → inibem acetilcolina → broncodilatação. ACh estreita os brônquios — bloqueá-la melhora a obstrução.
Inibem receptores de leucotrienos → reduzem inflamação, broncoespasmo e secreção. Vantagem: comprimido oral — facilita adesão e evita erro de técnica inalatória.
Anti-IL-5Rα → depleta eosinófilos. Indicado para asma eosinofílica grave não controlada com altas doses de ICS+LABA.
"Isso mudou. Se vocês forem responder questão de prova de residência feita há 4–5 anos atrás, não era desse jeito. Antes o step 1 era só SABA. Hoje, a recomendação é utilizar corticoide inalatório a partir do grau 1. Faz total sentido — se o paciente fez uma crise, os brônquios estão inflamados. O broncodilatador só dilata, não vai reduzir a inflamação. Por isso ICS + formoterol desde o step 1."
"Formoterol é a droga preferida para manutenção. Pode ser carregada na bolsa e proporciona alívio rápido — serve tanto para manutenção quanto para resgate. A estratégia de controle e resgate com a mesma bombinha facilita a adesão."
| Característica | Asma | DPOC |
|---|---|---|
| Início | Infância / qualquer idade | Adulto >40 anos |
| Causa principal | Inflamação alérgica / TH2 | Tabagismo / poluição crônica |
| Obstrução | Reversível (VEF1 melhora >12%) | Irreversível (pós-BD: VEF1/CVF <0,7) |
| Sibilância | Difusa, variável, episódica | Crônica, constante |
| Radiografia | Normal (na maioria) | Hiperinsuflação, diafragma plano |
| Postura típica | Normal fora da crise | Ortopneia, uso de musculatura acessória crônico, lábios franzidos |
| Histopatologia | Brônquio com luz reduzida, edema | Destruição dos ácinos, enfisema |
| Inflamação | Eosinófilos + mastócitos (TH2) | Neutrófilos + macrófagos (TH1) |
| Tratamento base | ICS + LABA | LAMA + LABA (ICS secundário) |
| Complicação crônica | Bronquiectasia → DPOC (mal tratada) | Cor pulmonale, insuf. respiratória |
Por isso a via inalatória é sempre preferida. OR = odds ratio comparado ao não uso de CO crônico.
Outros: obesidade (IMC>30: OR 1,36) · Síndrome cushingoide · Miopatia · Glaucoma · Comprometimento do crescimento em crianças
"O melhor dispositivo inalatório é aquele que o paciente vai utilizar. E a melhor tática é a mais simples. Técnica inalatória incorreta significa tratamento inadequado. Tem que treinar o paciente. Eu tenho na gaveta do consultório todos os tipos de bombinha para mostrar e explicar."
"Técnica: fazer uma expiração forçada primeiro (colocar todo o ar para fora), depois iniciar a inalação lentamente. Quanto menos ar no pulmão, maior a capacidade de puxar o remédio."
Spray pressurizado + câmara espaçadora. Mais utilizado em crianças. Pode improvisar com garrafa PET cortada. O espaçador elimina a necessidade de coordenação perfeita entre apertar e inspirar.
Indicado para idosos, crianças pequenas e pacientes com dificuldade motora. Libera medicação em névoa contínua. Evitar durante COVID-19 — aerossóis disseminam vírus.
Turbuhaler, Diskus. Não tem gás propulsor — o paciente que puxa o remédio com a inspiração. Requer força inspiratória adequada. Não indicado em crianças menores ou em crise grave.
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