Vesícula & Vias Biliares — Guia Visual
Patologias da Vesícula e Vias Biliares

Vesícula &
Vias Biliares

Colelitíase, colecistite aguda (Tokyo Guidelines), síndrome de Mirizzi, colangite, pancreatite biliar, pólipos e armadilhas de banca.

Resumo organizado por Igor Sabino para o MedCaju · Aula oral do Prof. Alberto Bulamarqui, complementado com anotações pessoais e diretrizes · Material estritamente de estudo

Colelitíase Colecistite Aguda Colangite · CPRE Mirizzi · Pancreatite Pólipos
01

Colelitíase — Epidemiologia e Tipos

Alta Frequência
Prevalência
10–15%

Adultos nos EUA. Uma das doenças digestivas mais comuns.

Sintomas
20%

Desenvolvem sintomas em 17 anos de seguimento. Base da decisão de operar.

Tipo mais comum
Col.

Cálculos de colesterol — maioria no Ocidente. Hiperecogênicos + sombra acústica no USG.

Fatores de risco

Obesidade · DM · Sínd. metabólica
Sedentarismo · Gravidez · Estrógeno

Refeição gordurosa 2–3h contração vesicular DOR HCD cólica biliar resolve? <6h → Cólica >6h → Colecistite cálculo impacta no ducto cístico
Cólica biliar vs. colecistite — ponto de corte temporal de 6 horas
Indicações de Colecistectomia
  • Qualquer complicação (colecistite, colangite, pancreatite)
  • Cálculos ≥ 2 cm — risco de carcinoma Importante
  • Vesícula em porcelana · Anomalias congênitas
  • Sintoma prévio — recorrência em até 2 anos
  • Viagem prolongada para região sem assistência médica
Diagnóstico por Imagem
  • USG: melhor para vesícula — hiperecogênico + sombra acústica
  • Colangiorresonância: melhor para ductos biliares
  • TC: complicações e processo inflamatório
  • Vesícula normal: paredes <3 mm, conteúdo anecoico
  • Lama biliar: ecogênico sem sombra — precede cálculo
🫐

Indicações de cirurgia e diagnóstico de colelitíase são alta frequência. Testa no MedCaju.

Questões de colelitíase →
02

Colecistite Aguda — Tokyo Guidelines

Máxima Prioridade
Diagnóstico clínico
Critérios diagnósticos
  • Dor HCD > 6 horas (cólica não resolvida)
  • Febre (sinal de infecção instalada)
  • Sinal de Murphy positivo — parada da inspiração pela dor
  • Leucocitose · PCR elevado
Colecistite alitiásica
  • Sem cálculo — isquemia da parede vesicular
  • Contexto: UTI, sepse, grandes cirurgias
  • Queimados, trauma, hipoperfusão prolongada
  • Diagnóstico difícil — paciente já grave por outra causa
Grau I
Leve
Sem disfunção orgânica
Sem massa palpável
Evolução < 72h
Paciente hígido
Qualquer centro · Cirurgião com treinamento básico · Cirurgia precoce 24–48h
Grau II
Moderado
Leuco >18.000
Massa palpável HCD
Evolução >72h
Inflamação local (enfisema, gangrena, abscesso)
Centro estruturado · Cirurgião experiente · Cuidados para evitar lesão de via biliar
Grau III
Grave
Disfunção orgânica:
CV (vasopressor) · Neuro (rebaixamento)
Resp (PaO₂/FiO₂<300)
Renal (Cr>2,0) · Hepát (INR>1,5)
Hematol (plaq<100.000)
UTI + cirurgião especialista · Estabilizar primeiro → drenagem percutânea → cirurgia após melhora
⚠️
Grau III: estabilizar primeiro, operar depois. A disfunção orgânica contraindica cirurgia imediata. Drenagem percutânea (colecistostomia) alivia a vesícula de forma segura enquanto o paciente é estabilizado na UTI. A colecistectomia definitiva fica para após a melhora clínica.
🏥

Tokyo Guidelines e sinal de Murphy caem com alta frequência em provas de cirurgia.

Questões de colecistite →
03

Complicações das Vias Biliares

CPRE · Emergência
Colangite Aguda — Emergência

Tríade de Charcot

🌡️ Febre
👁️ Icterícia
🤕 Dor HCD
  • Péntade de Reynolds: + hipotensão + confusão → grave
  • Tratamento: CPRE urgente — desobstruir em até 24h
  • Nunca pressurizar a via biliar durante a CPRE
  • Cálculo no colédoco → BD↑, colúria, acolia
Síndrome de Mirizzi

Compressão Externa do Hepático

  • Cálculo no ducto cístico comprime o hepático comum
  • Obstrução de fora para dentro — cálculo fora do hepático
  • Incidência: 0,7–1,4% das colecistectomias
  • Frequentemente não diagnosticada no pré-operatório
  • Risco de lesão iatrogênica de via biliar na laparoscopia
  • Com fístula: hepaticojejunostomia — cirurgião especialista
Colédoco bile do fígado AMPOLA de Vater 🪨 Ducto Pancreático suco pancreático bloqueado Pancreatite Biliar Ativação enzimática intraductal 40–50% das pancreatites agudas Dor epigástrio → dorso em faixa
Pancreatite biliar — cálculo na ampola de Vater bloqueia ducto pancreático
Padrão bioquímico obstrutivo: BD↑↑ · FA e GGT↑↑ · Transaminases pouco alteradas · Diferente da hepatite (ALT/AST↑↑↑) · Colúria + acolia = obstrução biliar até prova em contrário

Tríade de Charcot, CPRE e pancreatite biliar são clássicos de prova de clínica e cirurgia.

Questões de vias biliares →
04

Pólipos da Vesícula Biliar

Conduta por Tamanho
< 6mm · sem fatores de risco

Seguimento USG

Controle ultrassonográfico periódico. 60% são de colesterol — sem potencial maligno. Conduta conservadora.

6 – 10mm

Seguimento a cada 6 meses

Controle mais frequente. Se crescimento rápido ou fatores de risco → considerar cirurgia antes de atingir 10 mm.

> 10mm

Colecistectomia

Independente de sintomas. Risco significativo de adenocarcinoma. Também indicada se séssil, crescimento rápido ou + cálculos.

🔬
60% são pólipos de colesterol (colesteroloses) — depósitos de colesterol na mucosa, sem potencial maligno. Outros: adenomiomatose, pólipo inflamatório. A preocupação com malignidade surge principalmente acima de 10 mm ou com crescimento rápido.
05

Armadilhas da Banca

Não Cair
Clássico

Cálculo único = caso simples

❌ "A paciente tem apenas um cálculo biliar, portanto o risco de complicações é baixo."
Cálculo único não significa menor risco. Uma pedra grande e solitária tem mais chance de impactar no ducto cístico ou colédoco. O número não determina o risco — o tamanho e a localização sim.
Timing Cirúrgico

Colecistite Grau III → cirurgia imediata

❌ "Paciente com colecistite aguda e disfunção renal e cardiovascular deve ser levado ao centro cirúrgico imediatamente."
Grau III: estabilizar primeiro. Disfunção orgânica contraindica cirurgia de imediato. Protocolo: UTI → estabilização hemodinâmica → drenagem percutânea se necessário → colecistectomia após melhora.
Bioquímica

Transaminases altas = obstrução biliar

❌ "ALT = 800 UI/L e AST = 650 UI/L com icterícia confirmam coledocolitíase."
Padrão obstrutivo = BD↑ + FA/GGT↑↑ + transaminases pouco alteradas. Transaminases muito elevadas (hepatite viral, hepatite isquêmica) com icterícia sugerem lesão hepatocelular, não obstrução. Na obstrução biliar as transaminases sobem pouco.
Mirizzi

Icterícia obstrutiva = cálculo dentro do colédoco

❌ "Icterícia obstrutiva em colecistolitíase sempre indica coledocolitíase."
Síndrome de Mirizzi: cálculo fora do colédoco, no ducto cístico, comprimindo externamente o hepático comum. Causa obstrução sem cálculo intraluminal. Incidência de 0,7–1,4% das colecistectomias. Diagnóstico intraoperatório frequente.
Pancreatite

Pancreatite sem etilismo = idiopática

❌ "Paciente não etilista com pancreatite aguda: provável etiologia idiopática."
Pancreatite biliar é a causa mais comum (40–50%). Paciente não etilista com pancreatite aguda → investigar colelitíase antes de chamar de idiopática. USG abdominal é o primeiro exame.
Assintomático

Colelitíase assintomática sempre opera

❌ "Paciente com cálculos biliares sem sintomas deve ser operado para prevenir complicações."
Apenas 20% desenvolvem sintomas em 17 anos. Assintomático sem fatores de risco especiais = observação. Operar tem indicações específicas: cálculo ≥2 cm, complicação, anomalia anatômica, risco de malignidade.
🏆

Patologias de vesícula e vias biliares são frequentíssimas em provas de cirurgia e clínica médica. Resolve questões comentadas no MedCaju.

Resolver questões de vias biliares →
Autoria: Resumo organizado por Igor Sabino para o MedCaju · Aula oral do Prof. Alberto Bulamarqui, complementado com anotações pessoais e diretrizes · ⚠️ Material estritamente de estudo. Não substitui fontes primárias, literatura médica oficial nem orientação profissional. · Tokyo Guidelines 2018