Funcionais GI — Guia Visual Completo · MedCaju
Gastroenterologia — Guia Visual Completo

Doenças Funcionais
Gastrointestinais

Eixo cérebro-intestino · Roma IV · Dispepsia Funcional · SII · Bristol · Serotonina · FODMAP · Quiz interativo · Armadilhas de banca.

Por Igor Sabino para o MedCaju · Aula do Prof. Alberto Burlamaqui + Critérios de Roma IV · Material de estudo

Eixo Cérebro-Intestino Roma IV Dispepsia SII Tratamento Armadilhas
01

Eixo Cérebro-Intestino

Base de tudo
CÉREBRO SNC · Emoções · Stress INTESTINO SNE · Mucosa · 95% serotonina SNC → SNE SNE → SNC MICROBIOMA Modula serotonina · permeabilidade · imunidade STRESS Ansiedade · Depressão DIETA FODMAPs · Álcool Rede bidirecional — SNC · SNE · microbioma · sistema imune
Eixo cérebro-intestino: comunicação bidirecional integrada — base de todas as doenças funcionais GI
Hipersensibilidade visceral

Limiar reduzido

O mesmo estímulo — mesma contração, mesmo pH — gera muito mais dor. O "volume do alarme" está permanentemente no máximo. A dor é real.

Microbioma

Modulador central

Disbiose altera motilidade, permeabilidade intestinal e resposta imune local. Influencia produção de serotonina e, indiretamente, o humor.

Inflamação baixo grau

Invisível na endoscopia

Mastócitos e eosinófilos na mucosa. Junções tight fragilizadas → maior permeabilidade. Visível ao microscópio eletrônico. Completamente ≠ DII.

Fatores biopsicossociais

Emoções modulam o intestino

Estresse, ansiedade, depressão e traumas da infância modulam diretamente a motilidade e a percepção visceral. 50% dos pacientes com SII têm transtorno emocional.

02

Critérios de Roma IV

Diagnóstico positivo
Roma III → Roma IV — a grande mudança

De exclusão para diagnóstico positivo

Roma III: investigar tudo, se tudo negativo → funcional. Roma IV: diagnóstico clínico positivo pelos critérios, sem necessidade de bateria exaustiva de exames.

Exames mínimos e necessários. Endoscopia só com indicação: sinais de alarme, ≥50 anos, sintomas refratários. Não pedir exames de forma indiscriminada.
⚠️ Sinais de alarme — investigar causa orgânica
  • Perda de peso não intencional
  • Sangramento GI — hematêmese, melena, hematoquezia
  • Diarreia noturna que acorda o paciente Key
  • Anemia inexplicada · Disfagia progressiva
  • Massa abdominal palpável · Adenopatia
  • História familiar de câncer GI
  • Extremos de idade (especialmente ≥50 anos)
  • Febre sem causa aparente
Regra de ouro: Doença funcional não acorda o paciente. Diarreia noturna ou dor que acorda à madrugada → investigar causa orgânica obrigatoriamente. · Calprotectina fecal: <50 → favor de funcional · 50–200 → indeterminado · >200 → pensar em DII. Sempre integrar com a clínica.
🧠

Roma IV e diagnóstico das doenças funcionais GI são frequentes em provas de clínica.

Questões de funcionais GI →
03

Dispepsia Funcional

Roma IV · Domínio B
20%
prevalência global
40%
procuram médico
≥3
meses de sintomas (critério)
≥6
meses desde o início
Critérios de Roma IV — Dispepsia Funcional (todos obrigatórios)
Sintomas (≥1 desses)
  • Plenitude pós-prandial desconfortável
  • Saciedade precoce impedindo terminar refeição
  • Dor epigástrica moderada-grave
  • Queimação epigástrica
Temporalidade (obrigatório)
Sintomas presentes ≥3 meses, com início há ≥6 meses.

Com 2 meses de sintomas: não é DF, mesmo com todos os outros critérios.
Critério negativo
Investigação adequada não revela causa orgânica suficiente para explicar os sintomas. Endoscopia se indicada — não obrigatória para todos.
🫙 Subtipo SDPPr — Desconforto Pós-Prandial
Plenitude · saciedade precoce · fisiopato · tratamento
+
Critério clínico
Plenitude pós-prandial desconfortável após refeições normais e/ou saciedade precoce impedindo terminar refeição, ≥3 dias/semana. "A comida ficou parada, não desce."
Fisiopatologia — 3 mecanismos
  • Disfunção da acomodação gástrica: fundo gástrico não relaxa para receber o bolo → saciedade precoce
  • Esvaziamento gástrico retardado (25–35%): comida demora para sair → plenitude prolongada. Avaliável por cintilografia
  • Hipersensibilidade duodenal: chega ao duodeno e provoca dor por hipersensibilidade dos aferentes vagais
Tratamento
Procinéticos: domperidona (preferida — menos efeitos extrapiramidais que metoclopramida) · Educação do paciente sobre cronicidade
🔥 Subtipo SEG — Síndrome Epigástrica
Dor epigástrica · diferencial · tratamento
+
Critério clínico
Dor epigástrica de intensidade moderada a grave, ≥1×/semana. "Aquela dorzinha chata no boca do estômago."
O que NÃO é SEG
  • NÃO aliviada pela evacuação — alivia com evacuação = SII, não DF
  • NÃO é cólica biliar — cólica biliar é em HCD, intensa, pós-gordura
  • NÃO é generalizada — dor localizada em epigástrio
Tratamento
IBP (curto prazo — reduz sensibilização ácida) + amitriptilina 12,5–25 mg/dia (modula hipersensibilidade visceral pelo eixo cérebro-intestino — não é para tratar depressão)
Os subtipos não são excludentes. Um paciente pode ter plenitude E dor. O que orienta o tratamento é o sintoma predominante. · SDPPr → procinético. SEG → IBP + amitriptilina.
04

H. pylori e Dispepsia

Armadilha clássica
Critérios de Roma IV para DF + H. pylori POSITIVO Tratar H. pylori primeiro erradicação com antibióticos Melhora sustentada >6 meses sem sintomas Recaída em meses sintomas retornam Dispepsia Associada ao HP NÃO é doença funcional HP era a causa orgânica → resolvida Dispepsia Funcional HP foi achado incidental 10–15% têm resposta sustentada ao HP Em Teresina/PI: ~70% da população tem H. pylori positivo — alta prevalência, HP positivo ≠ causa dos sintomas
Fluxograma — H. pylori e dispepsia funcional: tratar primeiro, observar a resposta
Dispepsia associada ao HP — NÃO é funcional
Erradicação do HP → melhora sustentada ≥6 meses → havia uma causa orgânica (o HP) que foi removida. Não preenche critério de DF (há causa identificada e tratável). 10–15% dos pacientes com DF + HP respondem assim.
Dispepsia funcional com HP incidental
Erradicação → melhora por 2–4 meses → retorna ao mesmo quadro. O HP foi apenas um "inquilino" — a causa real é funcional (hipersensibilidade visceral). A maioria dos casos recai.
05

Síndrome do Intestino Irritável

Roma IV · SII
11%
prevalência global
2:1
mulheres / homens
50%
têm transtorno emocional associado
10–25%
desenvolvem SII pós-infecciosa
Critérios de Roma IV — SII (todos obrigatórios)
Critério principal
Dor abdominal recorrente ≥1 dia/semana nos últimos 3 meses, associada a ≥2:
  • Relacionada à defecação (alivia, piora ou muda)
  • Mudança na frequência das fezes
  • Mudança na consistência das fezes
SII vs Dispepsia — diferença-chave
Na DF: dor epigástrica, sem relação com a evacuação. Na SII: dor abdominal que se relaciona com a defecação. Roma IV trocou "alivia" por "relacionada" — pode até piorar, mas há relação temporal.
Gatilhos da SII
  • Gastroenterite infecciosa prévia (10–25%)
  • Estresse psicossocial · traumas infância
  • Ansiedade e depressão
  • Dieta rica em FODMAPs
  • Predisposição genética (17% em irmãos)
Subtipo Critério Bristol Predominância Tratamento principal
SII-D
Diarreia
>25% Bristol 6-7 E <25% Bristol 1-2 Fezes aquosas, urgência, cólicas Antiespasmódicos · loperamida (cuidado!) · rifaximina · paroxetina
SII-C
Constipação
>25% Bristol 1-2 E <25% Bristol 6-7 Fezes duras, esforço, distensão Macrogol · lactulose · fibras · linaclotida · prucaloprida (5-HT4)
SII-M
Mista
>25% Bristol 1-2 E >25% Bristol 6-7 Alterna constipação e diarreia Individualizar por fase · amitriptilina
SII-U
Indeterminada
Não preenche nenhum acima Alterações discretas de consistência FODMAP · abordagem conservadora
🧠

SII — subtipos, critérios e diferencial com DF são de alta frequência em provas.

Questões de SII →
06

Escala de Bristol

Consistência das fezes
🪨
1
Constipação
Bolinhas duras separadas, difíceis de evacuar. Grande esforço.
🌰
2
Constipação
Formato salsichão, grumoso e nodular. Ainda duro.
🥕
3
Normal ✓
Salsichão com rachaduras na superfície. Confortável.
🌿
4
Ideal ✓✓
Salsichão liso e macio, sem esforço. Formato perfeito.
🫐
5
Amolecido
Pedaços pastosos e macios, bordas rasgadas.
🌊
6
Diarreia
Massa fluida, esponjosa, bordas irregulares.
💧
7
Diarreia
Completamente líquido, sem fragmentos sólidos.
Aplicação na classificação dos subtipos de SII
SII-D
>25% tipo 6–7
E <25% tipo 1–2
SII-C
>25% tipo 1–2
E <25% tipo 6–7
SII-M
>25% tipo 1–2
E >25% tipo 6–7
Normal
Maioria tipo 3–4
Sem alterações significativas
Memorizar: 1–2 = constipação · 3–4 = normal · 5–6 = diarreia amolecida · 7 = diarreia aquosa.
07

O Papel da Serotonina

95% no intestino
95%
Intestino
Células enterocromafins da mucosa intestinal
5%
Cérebro
Distribuição da serotonina no organismo — a maioria das pessoas não sabe disso
5-HT3 — envolvido na diarreia

Antagonistas → SII-D

Ativação do 5-HT3 acelera a motilidade intestinal e aumenta secreção. Antagonistas reduzem diarreia e urgência evacuatória.

Alosetrona (antagonista 5-HT3) — disponível nos EUA, não no Brasil. Indicado em SII-D refratária grave em mulheres.
5-HT4 — estimula motilidade progressiva

Agonistas → SII-C

Ativação do 5-HT4 estimula peristaltismo e aceleração do trânsito intestinal. Útil em constipação funcional e SII-C.

Prucaloprida (agonista 5-HT4) — disponível no Brasil. Indicado em constipação crônica e SII-C. Tegaserode foi retirado do mercado por efeitos cardiovasculares.
Por que microbiota afeta o humor?
A microbiota intestinal influencia diretamente a produção de serotonina nas células enterocromafins. Como 95% da serotonina está no intestino e o eixo cérebro-intestino é bidirecional, alterações na flora intestinal podem impactar o humor e contribuir para depressão e ansiedade — campo em intensa pesquisa.
08

Tratamento

Não farmacológico + farmacológico
⚠️ Expectativa realista — explicar ao paciente
Doenças funcionais são crônicas e estruturais do organismo — o objetivo é controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida, não cura. Pacientes que entendem isso aderem melhor ao tratamento e não ficam "buscando médico atrás de médico" em busca de uma solução definitiva.
1
Restrição
6–8 semanas
Eliminar todos os alimentos ricos em FODMAPs: maçã, pera, melancia, feijão, grão-de-bico, laticínios com lactose, alho, cebola, trigo, oleaginosas, sementes. 70–80% de melhora em quem consegue seguir.
2
Reintrodução
6–8 semanas
Reintroduzir um grupo de alimentos por vez, observando sintomas. Ex: feijão primeira semana → se bem tolerado, adicionar próximo grupo. Cada paciente tem sensibilidade específica.
3
Manutenção
Longo prazo
Dieta personalizada: eliminar apenas o que identificou como gatilho individual. Se melancia causa distensão → afastar melancia. Não há remédio que permita comer algo que genuinamente provoca sintomas.
💊 Farmacoterapia — por quadro clínico
DF-SDPPr · DF-SEG · SII-D · SII-C · todos os subtipos
+
DF-SDPPr — Plenitude / saciedade precoce
Procinéticos: domperidona (1ª escolha — menos efeitos extrapiramidais que metoclopramida em uso prolongado). Estimula esvaziamento gástrico e melhora acomodação do fundo.
DF-SEG — Dor epigástrica
IBP em curto prazo + amitriptilina 12,5–25 mg/dia para modular a hipersensibilidade visceral. Importante: esta dose é muito abaixo da dose antidepressiva — não vai causar sedação. Não é para tratar depressão, é para tratar o eixo.
SII-D — Diarreia predominante
Antiespasmódicos (hioscina/buscapã — alívio de cólicas) · Loperamida (uso pontual — casamentos, provas, viagens; ⚠️ não usar sem excluir infecção ativa) · Rifaximina (antibiótico não absorvível — crescimento bacteriano, limitado no Brasil) · Paroxetina (ISRS — formas com ansiedade + diarreia).
SII-C — Constipação predominante
Laxativos osmóticos: polietilenoglicol/macrogol, lactulose · Fibras solúveis · Linaclotida (agonista guanilato ciclase) · Prucaloprida (agonista 5-HT4).
Para todos os subtipos
Amitriptilina 12,5–25 mg/dia — modulação da hipersensibilidade visceral pelo eixo. · Probióticos (lactobacilos — evidência crescente). · TCC (nível de evidência A para SII — tão eficaz quanto medicamentos). · Exercício físico · Psicoterapia de aceitação.
💊

Tratamento das doenças funcionais GI — FODMAP, procinéticos, amitriptilina e TCC.

Questões de tratamento →
09

Quiz Interativo

Testa o conhecimento
Questão 1 · Diagnóstico · Dispepsia Funcional
Mulher, 38 anos, professora, com dor epigástrica moderada há 8 meses, plenitude após refeições e saciedade precoce. Piora em situações de estresse. Sem disfagia, sem perda de peso, sem sangramento. Exame físico com dor à palpação em epigástrio. Teste para H. pylori positivo. Qual é a conduta inicial correta?
Questão 2 · SII · Subtipos e Bristol
Paciente com SII (Roma IV confirmado) relata que das 10 evacuações da última semana: 3 foram tipo Bristol 1–2, 3 foram tipo Bristol 6–7, e 4 foram tipo Bristol 3–4. Qual é o subtipo de SII?
Questão 3 · Sinais de alarme
Paciente de 42 anos com dor abdominal e alteração do hábito intestinal há 5 meses. Qual dos achados a seguir indica investigação obrigatória de causa orgânica?
Questão 4 · Serotonina e tratamento
Paciente com SII-C refratária a laxativos osmóticos. Qual medicamento com ação no receptor serotoninérgico intestinal pode ser utilizado?
10

Armadilhas da Banca

Não Cair
Roma III vs IV

Dispepsia funcional ainda é diagnóstico de exclusão

❌ "Para fechar dispepsia funcional, é necessário realizar endoscopia, colonoscopia, TC e ultrassom e ter todos negativos."
Roma IV = diagnóstico positivo. Exames mínimos e necessários conforme a clínica. Endoscopia apenas com indicação (sinais de alarme, ≥50 anos, refratariedade). Roma III fazia exclusão. Roma IV faz diagnóstico clínico direto pelos critérios.
Temporalidade

Dispepsia funcional com 2 meses de sintomas

❌ "Paciente com plenitude pós-prandial e saciedade precoce há 2 meses preenche critérios de Roma IV para dispepsia funcional."
Não preenche. O critério de temporalidade exige ≥3 meses de sintomas com início ≥6 meses atrás. Com 2 meses de sintomas, o diagnóstico de DF não pode ser feito — investigar outras causas. Critério muito cobrado em provas.
H. pylori

HP positivo com critérios de DF = dispepsia funcional com HP

❌ "Paciente com critérios de Roma IV para DF e H. pylori positivo tem dispepsia funcional — basta tratar o HP junto e começar os procinéticos."
Tratar o HP primeiro e avaliar a resposta. Se melhora sustentada ≥6 meses → era dispepsia associada ao HP (não funcional). Se recai em meses → HP era incidental e confirma dispepsia funcional. A conduta define o diagnóstico.
SII vs DF

Dor que alivia com evacuação pode ser DF ou SII

❌ "Dor abdominal que alivia com evacuação é achado compatível tanto com dispepsia funcional quanto com SII."
Dor que se relaciona com a evacuação = SII, não DF. Na dispepsia funcional (SEG), a dor é epigástrica e não tem relação com defecação — evacuar não muda o quadro. Na SII, a dor se relaciona com defecação (alivia, piora ou apenas muda). Essa é a diferença central.
Serotonina

95% da serotonina é produzida no cérebro

❌ "A serotonina é um neurotransmissor produzido principalmente no cérebro."
95% da serotonina é produzida nas células enterocromafins da mucosa intestinal. Apenas 5% no SNC. Por isso a microbiota intestinal influencia o humor e a depressão, e os receptores serotoninérgicos intestinais (5-HT3, 5-HT4) são alvos terapêuticos na SII.
Amitriptilina

Amitriptilina nas doenças funcionais = tratar depressão

❌ "Ao prescrever amitriptilina para um paciente com SII, o objetivo é tratar a depressão associada."
O objetivo é modular a hipersensibilidade visceral pelo eixo cérebro-intestino. A dose usada (12,5–25 mg/dia) é muito abaixo da dose antidepressiva (75–150 mg/dia). O efeito desejado não é antidepressivo — é a modulação neurológica da percepção da dor visceral. Explicar isso ao paciente é fundamental para a adesão.
TCC

Psicoterapia é coadjuvante fraco sem evidência robusta

❌ "Para SII, a terapia cognitivo-comportamental é apenas um recurso complementar sem evidência de eficácia comparável aos medicamentos."
TCC para SII tem nível de evidência A. É uma das intervenções mais eficazes disponíveis — comparável ou superior a muitos medicamentos. Trata o eixo cérebro-intestino pela abordagem neuropsicológica. Não é "coisa da cabeça" — é ciência.
🏆

Doenças funcionais GI — alta frequência em provas de clínica médica. Questões no padrão ENAMED com comentários no MedCaju.

Resolver questões de funcionais GI →
Autoria: Igor Sabino para o MedCaju · Aula oral do Prof. Alberto Burlamaqui · Critérios de Roma IV · AGA Clinical Guidelines · ACG Monograph on Functional GI Disorders
⚠️ Material estritamente de estudo. Não substitui fontes primárias, literatura médica oficial nem orientação profissional.