Visão Geral das Doenças Inflamatórias Intestinais
O que são as DII e por que importam
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) compreendem principalmente duas condições: a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa (RCU). Ambas são doenças crônicas, de curso imprevisível, caracterizadas por períodos de exacerbação e remissão, e impactam profundamente a qualidade de vida dos pacientes — interferindo no trabalho, nos estudos, na vida social e no bem-estar psicológico.
O professor ressalta que essas não são doenças raras: são condições relativamente comuns, com incidência crescente no mundo todo, especialmente em países ocidentais e em desenvolvimento. No Brasil, a incidência vem aumentando, possivelmente associada às mudanças no padrão alimentar — o consumo excessivo de ultraprocessados aumenta a incidência das DII, assim como o álcool e dietas de alto índice inflamatório. Por outro lado, populações com consumo maior de fibras, frutas e vegetais tendem a ter menor prevalência.
A fisiopatologia central é uma resposta imunológica exagerada e desregulada da mucosa intestinal. O intestino normalmente mantém tolerância imunológica à microbiota residente — nas DII, essa tolerância é perdida, e o sistema imune passa a atacar cronicamente o próprio tecido intestinal. Nesse processo, a composição do microbioma intestinal tem papel importante: pacientes com disbiose (desequilíbrio da flora) tendem a ter quadros mais exacerbados. A genética do indivíduo também determina sua predisposição — membros de uma mesma família têm risco aumentado.
Porque o tratamento envolve suprimir a resposta imune, esses pacientes ficam com imunossupressão relativa, o que traz implicações diretas para vacinação e risco infeccioso — aspectos que o professor enfatiza ao longo da aula.
- DII = Crohn + RCU — doenças crônicas com surtos e remissões
- Fisiopatologia: resposta imune desregulada contra a própria mucosa intestinal
- Microbioma alterado (disbiose) e genética contribuem para o quadro
- Ultraprocessados, álcool e tabaco aumentam incidência e gravidade
- Imunossupressão do tratamento → atenção especial com vacinação e infecções
Vacinação no paciente com DII
Um ponto que o professor destaca com ênfase é a questão da vacinação nesses pacientes. Como o tratamento das DII envolve imunossupressores e imunobiológicos, a resposta vacinal pode ser reduzida e o risco de complicações por vírus vacinais aumentado.
A regra fundamental é: vacinas de vírus vivos são contraindicadas em pacientes imunossuprimidos. Isso inclui a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola, caxumba), varicela e febre amarela. Administrar uma vacina de vírus vivo para um paciente imunossuprimido pode fazer com que ele desenvolva exatamente a doença para a qual está sendo vacinado.
Vacinas inativadas são seguras e devem ser mantidas e atualizadas. Os pacientes com DII devem idealmente completar o calendário vacinal antes de iniciar a imunossupressão. Pacientes com mais de 55 anos em uso de imunossupressores têm indicação especial de vacinação antizóster.
Vacinas de vírus vivos (tríplice viral, varicela, febre amarela) são contraindicadas no paciente imunossuprimido. Vacinas inativadas são seguras e devem ser mantidas.
- Vírus vivos: contraindicados — risco de desenvolver a doença (sarampo, varicela, febre amarela)
- Inativadas: seguras — influenza, pneumococo, hepatite B, HPV, COVID-19
- Vacinar idealmente antes de iniciar imunossupressão
- >55 anos + imunossupressor: indicação de vacinação antizóster