Antidepressivos | MedCaju
PomodoroFOCO
25:00
Psicofarmacologia · MedCaju

Antidepressivos:
do neurônio à prescrição

Mecanismos ilustrados, contraindicações absolutas, fluxo de decisão e game de escolha clínica.

Resumo organizado por Igor Sabino para o MedCaju.
Feito com base em aula oral da Professora Dra. Mayara Ladeira Coelho e complementado com insights, livros e diretrizes atuais a respeito do tema.
Teoria monoaminérgica 5 classes + exemplos Contraindicações absolutas Game clínico interativo
3+
semanas de latência informe sempre ao paciente antes de iniciar
01

A base biológica da depressão

Conceito fundamental: depressão não é fraqueza nem escolha. Existe um desequilíbrio mensurável nos sistemas de neurotransmissores que sustentam humor, sono, prazer e cognição. O mesmo paciente que precisaria de insulina para o pâncreas precisa de apoio farmacológico para o cérebro.
// Sinapse monoaminérgica — como funciona a transmissão
NEURÔNIO PRÉ-SINÁPTICO 5HT NA DA fenda sináptica SERT bomba de recaptação NEURÔNIO PÓS-SINÁPTICO 5HT2 α1 D2 ISRS bloqueia SERT

A bomba de recaptação (SERT) recolhe o transmissor da fenda. Os antidepressivos agem bloqueando essa bomba ou modulando os receptores.

💙
Serotonina (5-HT)

Regula humor, sono, apetite e libido. Chama-se o "transmissor da serenidade". Sua deficiência gera ansiedade, insônia e humor deprimido.

Falta → depressão + ansiedade
💚
Noradrenalina (NA)

Controla alerta, energia, concentração e resposta ao estresse. Sua baixa produz fadiga, falta de foco e anedonia motora.

Falta → letargia + dificuldade de foco
💜
Dopamina (DA)

Circuito de recompensa e prazer. A anedonia, incapacidade de sentir prazer, é a marca da hipofunção dopaminérgica na depressão.

Falta → anedonia + tabagismo
// Os dois fatores que explicam a depressão monoaminérgica
FATOR 1: QUANTIDADE Pouco transmissor na fenda sináptica. Bomba muito ativa ou produção baixa. baixa concentração FATOR 2: SENSIBILIDADE Transmissor presente, mas receptor não responde adequadamente. → não encaixa
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Questões de neurobiologia e farmacologia no MedCaju.

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02

Classes Farmacológicas

// Como o IMAO age

Dentro do neurônio pré-sináptico, depois que a serotonina ou a noradrenalina realiza sua função e é recaptada pela bomba, ela precisa ser destruída para ser reciclada. Quem faz isso é a enzima MAO (monoaminaoxidase). Os IMAO bloqueiam essa enzima de forma irreversível, impedindo a degradação. Resultado: os transmissores se acumulam em quantidades muito maiores dentro do neurônio e na fenda sináptica.

O problema é que a MAO também degrada a tiramina, uma amina presente em alimentos como queijo curado, vinho tinto e embutidos. Com a MAO inibida, a tiramina se acumula no sangue, libera noradrenalina em excesso e causa crise hipertensiva grave. Por isso a restrição alimentar é absoluta. Da mesma forma, combinar IMAO com qualquer outro serotoninérgico leva a um excesso de serotonina que o organismo não consegue controlar, gerando a temida Síndrome Serotoninérgica.
// Diagrama: IMAO bloqueia a MAO
5-HT MAO (inibida) NÃO é degradado ↑5-HT ⚠ tiramina queijo, vinho → crise HAS washout: 14 dias (5 sem. após fluoxetina)
Fenelzina / Tranilcipromina
IMAO irreversíveis clássicos
IMAO

Inibem irreversivelmente a MAO, acumulando serotonina, dopamina e noradrenalina. Eficazes, mas com interações alimentares e medicamentosas gravíssimas.

Crise HAS c/ tiraminaWashout 14 diasUso muito restrito hoje
Moclobemida
RIMA — reversível e seletivo MAO-A
RIMA

Versão reversível. Menos interações alimentares que os clássicos, mas ainda exige cuidado com associações serotoninérgicas e opioides.

Menor risco que IMAO clássicoNão combinar c/ ISRS
⛔ Contraindicações Absolutas — IMAO

Combinação com qualquer antidepressivo serotoninérgico: Síndrome Serotoninérgica fatal. Meperidina: convulsões + SS. Alimentos ricos em tiramina: crise hipertensiva grave. Washout obrigatório de 14 dias antes de trocar por outro AD — exceto após fluoxetina: 5 semanas.

// Como o ADT age

Os tricíclicos bloqueiam a bomba de recaptação de serotonina (SERT) e de noradrenalina (NET) simultaneamente, aumentando a disponibilidade de ambos na fenda sináptica. Até aí, efeito antidepressivo desejável. O problema é que eles não param por aí: também bloqueiam receptores muscarínicos M1 (causando boca seca, retenção urinária, constipação e visão turva), receptores alfa-1 adrenérgicos (causando hipotensão ortostática, risco de queda) e receptores histaminérgicos H1 (causando sedação intensa e ganho de peso).

O bloqueio dos canais de sódio cardíacos é o mais perigoso: alarga o intervalo QT no ECG e predispõe a arritmias graves, especialmente em cardiopatas e em superdosagem. Por isso, o paciente que tomar ADT em tentativa de suicídio corre risco de morte por arritmia. É um dos motivos pelos quais os tricíclicos foram amplamente substituídos pelos ISRS na rotina clínica.
// Diagrama: ADT — recaptação + bloqueios inespecíficos
SERT bloqueado NET bloqueado M1 (muscarina) boca seca, retenção α1 (adrenérgico) hipotensão ortostática H1 → sedação ⚡ Alargamento QT Risco de arritmia grave Contraindicado pós-IAM e bloqueios de condução
Amitriptilina
Tryptanol · meia-vida longa
ADT

Tricíclico clássico com forte ação anticolinérgica. Em doses baixas tem papel relevante em dor crônica e enxaqueca. Em doses antidepressivas: sedação intensa, ganho de peso, boca seca.

Dor neuropática baixa doseEvitar idosos (Beers)Risco QT
Imipramina / Clomipramina
Tricíclicos
ADT

Clomipramina tem maior ação serotoninérgica, ainda usada no TOC. Imipramina tem indicação em enurese noturna infantil. Ambos com perfil cardíaco desfavorável.

Clomipramina → TOCHipotensão ortostática
⛔ Contraindicações Absolutas — ADT

IAM recente e bloqueios de condução cardíaca: arritmia fatal. Glaucoma de ângulo fechado: midríase por bloqueio muscarínico. Retenção urinária ativa. IMAO simultâneo: síndrome serotoninérgica. Em idosos: critérios de Beers — risco de quedas e confusão.

// Como o ISRS age

O ISRS faz uma coisa só, e faz bem: bloqueia especificamente a bomba de recaptação de serotonina (SERT), sem tocar nos receptores muscarínicos, adrenérgicos ou histaminérgicos. Isso explica por que o perfil de efeitos adversos é muito mais limpo do que o dos ADT.

Quando a bomba é bloqueada, a serotonina liberada na fenda sináptica fica acumulada ali por mais tempo, potencializando o sinal nos receptores pós-sinápticos. O efeito antidepressivo, porém, não é imediato: o cérebro precisa de semanas para regular de forma descendente os autorreceptores e ajustar sua sensibilidade, processo que explica a latência mínima de 3 semanas.

O problema dos ISRS é que a serotonina não age apenas no humor: ela também age no trato GI (via receptores 5-HT3, causando náusea e diarreia nos primeiros dias), no eixo hipotalâmico-hipofisário e nos receptores 5-HT2C (afetando apetite e função sexual). Disfunção sexual e insônia inicial são os efeitos adversos mais relatados e precisam ser antecipados ao paciente.
// Diagrama: ISRS — bloqueio seletivo do SERT
5-HT 5-HT SERT ISRS ✕ → não recaptado Resultado ↑ 5-HT na fenda mais tempo de ação no receptor ⚠ 5-HT2C e 5-HT3 também ativados → náusea / disfunção sexual (transitórios)
Por que é a primeira linha? Seletividade pelo SERT significa ausência de bloqueio muscarínico, adrenérgico e histaminérgico. Perfil de efeitos adversos muito mais limpo que ADT e IMAO. Efeitos GI e disfunção sexual são transitórios ou manejáveis.
Sertralina
Zoloft · perfil mais versátil
ISRS

Mais prescrito mundialmente. Evidência sólida em depressão, ansiedade, TEPT, TOC e TDPM. Segura em cardiopatas e gestantes (com avaliação).

Gestação (mais dados)Cardiopatas1ª linha geral
Escitalopram
Lexapro · maior seletividade
ISRS

Enantiômero ativo do citalopram, com ainda maior seletividade. Melhor relação eficácia-tolerabilidade nos estudos comparativos. Boa opção em idosos.

Alta seletividadeIdososQT em dose alta
Fluoxetina
Prozac · meia-vida longa
ISRS

Meia-vida de até 6 semanas (com metabólito norfluoxetina). Tolerante a doses irregulares. Desvantagem: washout de 5 semanas antes de IMAO.

Meia-vida longaAtivadora → insôniaWashout 5 semanas
Paroxetina
Paxil · anticolinérgica
ISRS

Maior efeito anticolinérgico entre os ISRS. Maior síndrome de descontinuação. Associada a malformações cardíacas fetais.

Contraindicada gestaçãoEvitar idosos (Beers)Descontinuação intensa
⛔ Contraindicações Absolutas — ISRS

Uso simultâneo com IMAO: Síndrome Serotoninérgica. Paroxetina na gestação: malformação cardíaca fetal (CIV). Citalopram em doses altas com QT longo congênito: Torsades de Pointes.

// Como o IRSN age

Os IRSN bloqueiam simultaneamente a bomba de recaptação de serotonina (SERT) e a de noradrenalina (NET), potencializando os dois sistemas. Essa dupla ação explica por que funcionam melhor do que ISRS em alguns perfis: pacientes com fadiga marcante, dor crônica ou déficit de concentração se beneficiam da componente noradrenérgica.

A noradrenalina age nas vias descendentes de modulação da dor na medula espinhal, o que confere aos IRSN uma propriedade analgésica central — daí as indicações formais da duloxetina para fibromialgia, polineuropatia diabética e dor lombar crônica. A venlafaxina é dose-dependente: em doses baixas se comporta quase como ISRS; a ação noradrenérgica só emerge em doses mais altas.

O principal efeito adverso cardiovascular é a elevação discreta da pressão arterial, especialmente com venlafaxina em doses altas. É importante monitorar a PA durante o tratamento.
// Diagrama: IRSN — bloqueio duplo SERT + NET
SERT bloqueado ✕ NET bloqueado ✕ ↑ 5-HT + ↑ NA ação dupla → antidepressivo + analgesia em dor crônica
Duloxetina
Cymbalta · dor neuropática
IRSN

Referência quando há comorbidade de dor crônica, fibromialgia ou polineuropatia diabética. Indicada também em incontinência urinária de esforço. Metabolização hepática CYP1A2.

Dor neuropáticaFibromialgiaHepatopata grave: CIGlaucoma ângulo fechado
Venlafaxina
Efexor · dose-dependente
IRSN

Baixas doses: ação predominantemente serotoninérgica. Doses maiores: ação noradrenérgica emerge. Boa resposta em ansiedade generalizada e depressão com fadiga.

Ansiedade generalizadaHAS em doses altas
⛔ Contraindicações Absolutas — IRSN

IMAO simultâneo: Síndrome Serotoninérgica. Duloxetina: contraindicada em hepatopatia grave e glaucoma de ângulo fechado. Venlafaxina: cautela máxima em hipertensos não controlados.

// Como os atípicos agem — cada um diferente

Os antidepressivos atípicos não compartilham um mecanismo único: cada um tem um perfil receptor singular que define seu nicho clínico.

Mirtazapina (NaSSA): em vez de bloquear a bomba de recaptação, ela bloqueia os autorreceptores alfa-2 pré-sinápticos. Esses receptores funcionam como "freio" na liberação de serotonina e noradrenalina. Ao bloqueá-los, a mirtazapina retira o freio, aumentando a liberação indireta de ambos. Também bloqueia receptores 5-HT2 e 5-HT3 (menos efeitos GI e disfunção sexual) e H1 fortemente (sedação e estímulo de apetite, excelente em idosos inapetentes e insones).

Bupropiona (NDRI): bloqueia a recaptação de dopamina e noradrenalina, sem tocar na serotonina. Por isso não causa disfunção sexual e funciona bem em tabagismo (o craving por nicotina envolve o sistema dopaminérgico). A dopamina também explica seu efeito ativador, que pode causar insônia se tomada à noite. O risco de convulsão é o mais relevante e é dose-dependente.

Trazodona (SARI): é um antagonista do receptor 5-HT2A com inibição muito fraca do SERT. Em doses antidepressivas completas o efeito é modesto; em doses baixas, o bloqueio 5-HT2A confere um efeito hipnótico relevante. É muito usada como adjuvante noturno para insônia ou para reverter disfunção sexual induzida por ISRS.

Vortioxetina (multimodal): combina inibição do SERT com ação direta em pelo menos cinco subtipos de receptores 5-HT, ora como agonista, ora como antagonista. O resultado clínico é uma melhora da cognição e da memória que vai além do efeito antidepressivo clássico, distinguindo-a dos ISRS convencionais.

Esketamina (antagonista NMDA): mecanismo completamente diferente de todos os outros. Age nos receptores NMDA do glutamato, o principal neurotransmissor excitatório do cérebro. Isso modula a plasticidade sináptica de forma muito rápida, produzindo efeito antidepressivo em horas a dias em vez de semanas. Por isso é reservada para depressão resistente ao tratamento, em ambiente supervisionado.
Regra prática: ao ver um paciente com perfil específico (insônia severa, tabagismo, dor crônica, DRT, disfunção cognitiva), pense nos atípicos antes de escolher o segundo ISRS.
Mirtazapina
Remeron · NaSSA
NaSSA

Bloqueia alfa-2 pré-sináptico (↑ liberação de 5-HT e NA) + 5-HT2/3 + H1. Sedação e ganho de peso são consequências do bloqueio H1. Sem disfunção sexual.

Idosos c/ inapetênciaInsôniaSem disfunção sexualGanho de peso
Bupropiona
Wellbutrin / Zyban · NDRI
NDRI

Inibe recaptação de DA e NA. Sem ação serotoninérgica, logo sem disfunção sexual. Ativadora (nunca dar à noite). Única indicada para cessação do tabagismo como antidepressivo.

TabagismoSem disfunção sexualEPILEPSIA: CI absolutaBulimia: CI absoluta
Trazodona
Sideril · SARI
SARI

Antagonismo 5-HT2A + inibição fraca do SERT. Em doses baixas: efeito hipnótico potente. Adjuvante para insônia e para reverter disfunção sexual de ISRS.

Insônia refratáriaAdjuvante ISRSSedação intensa
Vortioxetina
Brintellix · multimodal
Multimodal

Inibe SERT + agonista/antagonista em múltiplos subtipos de receptor 5-HT (1A, 1B, 1D, 3, 7). Melhora cognitiva robusta além do efeito antidepressivo.

Disfunção cognitivaBoa tolerabilidade
Esketamina
Spravato · spray nasal
NMDA

Antagonismo de receptores NMDA (glutamatérgicos). Mecanismo completamente diferente. Ação em horas. Uso supervisionado exclusivo para DRT.

DRT (resposta rápida)Psicose ativa: CIAneurisma cerebral: CIHAS grave: CI
⛔ Contraindicações Absolutas — Atípicos

Bupropiona: epilepsia (qualquer tipo), bulimia e anorexia nervosa ativas. Esketamina: psicose ativa, aneurisma ou malformação arteriovenosa cerebrovascular, HAS grave sem controle. Trazodona + IMAO: contraindicados simultaneamente.

Domine as classes nos exercícios.

Questões de farmacologia clínica separadas por mecanismo no MedCaju.

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03

Checklist antes de prescrever

Avaliação pré-prescrição0 / 9
Confirmar diagnóstico (mín. 2 semanas de sintomas com prejuízo funcional)Excluir hipotireoidismo, anemia, uso de substâncias e outras causas orgânicas
Pesquisar uso atual ou recente de IMAOSe sim: washout 14 dias antes de qualquer AD (5 semanas após fluoxetina)
Perguntar sobre epilepsia ou histórico de convulsõesSe sim: contraindicar bupropiona e ter cautela com ADT em altas doses
Perguntar sobre gestação atual ou planejadaSe grávida: evitar paroxetina; preferir sertralina com avaliação risco-benefício
Verificar histórico cardíaco (IAM, arritmia, QT longo)Se sim: evitar ADT; preferir sertralina ou escitalopram; cuidado com citalopram em alta dose
Verificar glaucoma de ângulo fechadoContraindicação para ADT e duloxetina pelo efeito midriático
Pesquisar bulimia ou anorexia nervosa ativaContraindicação absoluta para bupropiona (risco de convulsão muito elevado)
Checar função hepática (ALT/AST)Duloxetina contraindicada em hepatopatia grave; todos os AD metabolizados hepaticamente
Orientar sobre latência de 3 semanas e não abandonar o tratamentoPaciente deve saber que efeitos adversos aparecem antes do benefício terapêutico
Fármaco/ClasseContraindicação AbsolutaMotivo
IMAO + qualquer ADABSOLUTAAssociação simultâneaSíndrome Serotoninérgica fatal
IMAO + tiraminaABSOLUTAQueijo, vinho, embutidosCrise hipertensiva grave
ADT (todos)ABSOLUTAIAM recente, bloqueio de condução, glaucomaArritmia fatal, fechamento angular
BupropionaABSOLUTAEpilepsia, bulimia/anorexia ativaReduz limiar convulsivo significativamente
ParoxetinaABSOLUTAGestação (1º trimestre esp.)Malformação cardíaca fetal (CIV)
DuloxetinaABSOLUTAHepatopatia grave, glaucomaHepatotoxicidade; midríase c/ fechamento angular
EsketaminaABSOLUTAPsicose ativa, aneurisma, HAS graveSurto psicótico; ruptura por elevação de PA
Citalopram alta doseABSOLUTAQT longo + QT-prolongadoresTorsades de Pointes (dose-dependente)
⚡ Síndrome Serotoninérgica — reconhecer: tríade de alterações autonômicas (hipertermia, taquicardia, diaforese), neuromusculares (tremor, clônus, hiperreflexia, rigidez) e mentais (agitação, confusão). IMAO + ISRS é o cenário mais grave. Qualquer combinação de dois serotoninérgicos eleva o risco.
Contraindicações caem em prova.

Questões focadas em condutas seguras e contraindicações absolutas.

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04

Game: Escolha Clínica

Como funciona: para cada caso clínico, escolha a melhor conduta. Resposta imediata com explicação completa. Treine o raciocínio de prescrição antes da prova.
// Caso clínico
questão 1 / 7  |  acertos: 0


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Banco completo de questões comentadas no MedCaju.

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05

Fluxo de Decisão Clínica

// Algoritmo de prescrição — do diagnóstico à DRT
1

Confirmar diagnóstico e excluir orgânico

Mínimo 2 semanas de sintomas com prejuízo funcional. Excluir hipotireoidismo, anemia, substâncias. Verificar se é unipolar ou bipolar.

2

Varredura de contraindicações absolutas

Responder as 9 perguntas do checklist antes de escolher qualquer fármaco.

Epilepsia → sem bupropionaIAM/arritmia → sem ADTGestação → sem paroxetinaIMAO em uso → washout obrigatório
3

Identificar queixa secundária dominante

A queixa além da depressão guia o fármaco ideal.

Insônia → mirtazapina / trazodonaDor crônica → duloxetinaTabagismo → bupropionaDisfunção sexual → bupropionaDéficit cognitivo → vortioxetinaTOC → clomipramina / fluvoxaminaAnsiedade + depressão → ISRS ou IRSN
4

Primeira linha na ausência de queixa específica

Sertralina ou escitalopram. Iniciar com dose baixa e titular gradualmente.

1ª linha: sertralina ou escitalopram
5

Orientar sobre latência e marcar retorno

"Os primeiros dias podem trazer enjoo ou agitação, isso passa. O benefício do humor demora no mínimo 3 semanas. Não abandone antes disso." Marcar retorno em 4 a 6 semanas.

Latência mínima: 3 semanasRetorno: 4 a 6 semanas
6

Avaliar resposta e decidir

Resposta parcial: titular dose. Ausência: verificar adesão e trocar de classe. Dois ensaios adequados sem resposta = DRT.

DRT → esketamina intranasal supervisionadaPotencialização: lítio ou antipsicótico atípicoAssociação AD: risco de SS → monitoramento próximo
06

Escolha por Perfil de Paciente

👴
Idoso
USEMirtazapina, escitalopram, sertralina
EVITEADT (amitriptilina), paroxetina

Critérios de Beers: ADT e paroxetina potencialmente inapropriados. Risco de quedas, confusão e arritmia. Mirtazapina ajuda insônia e inapetência.

🤰
Gestante
USESertralina (mais dados)
EVITEParoxetina (CI absoluta 1º trim.)

Depressão não tratada na gestação também tem riscos fetais. Decisão compartilhada com obstetra. Sertralina é a mais estudada.

❤️
Cardiopata
USESertralina, escitalopram
EVITEADT, citalopram alta dose

ADT prolonga QT e causa hipotensão. Sertralina tem evidência de segurança pós-IAM. Escitalopram bem tolerado em doses adequadas.

Epiléptico
USESertralina, escitalopram
EVITEBupropiona (CI ABSOLUTA)

Bupropiona reduz o limiar convulsivo de forma dose-dependente. ISRS são as opções mais seguras. Checar interações com anticonvulsivantes (CYP).

🚬
Fumante
USEBupropiona (ação dupla)
EVITESe houver epilepsia ou bulimia

Bupropiona reduz o craving pelo tabaco via ação dopaminérgica e serve como antidepressivo simultaneamente.

😴
Depressão + Insônia
USEMirtazapina, trazodona
EVITEFluoxetina, bupropiona (ativadoras)

Fármacos ativadores pioram a insônia nas primeiras semanas. Mirtazapina e trazodona têm efeito hipnótico relevante.

🦵
Dor crônica / Fibromialgia
USEDuloxetina, amitriptilina (dose baixa)
EVITEDuloxetina em hepatopata grave

Duloxetina tem indicação formal para fibromialgia e polineuropatia diabética. Amitriptilina em dose baixa ainda tem papel na dor neuropática.

🔴
Depressão Resistente
USEEsketamina intranasal (supervisionada)
EVITEPsicose ativa, aneurisma, HAS grave

DRT: 2 ensaios terapêuticos adequados sem resposta. Esketamina age em horas. Somente em ambiente clínico supervisionado.

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