Anticonvulsivantes — Guia de Estudo
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Anti-convulsivantes

Resumo organizado por Igor Sabino para o MedCaju. Baseado em aula oral — Farmacologia do SNC.
Neurologia · Farmacologia do SNC — Antiepilépticos
Foco: Mecanismos · Crises · Status · Algoritmo CONITEC
01

Fisiopatologia da Epilepsia

📖 Conceitual⚠ Incorreta

Epilepsia é uma definição clínica — paciente com probabilidade de ter novas crises epilépticas não induzidas no futuro (ILAE). Não é todo paciente que teve uma crise convulsiva. A fisiopatologia central é uma perturbação na homeostasia da despolarização: excesso de excitação ou falha da inibição.

Da aula

"Imagina neurônios super excitados, excitando outros neurônios, excitando outros neurônios. Esse processo deflagra um padrão de excitação que sai de um limite fisiológico e começa a afetar outras estruturas até termos alterações de consciência e alterações motoras. As crises ocorrem quando há um excesso de excitação ou uma falha da inibição. Geralmente a maioria dos neurônios envolvidos são glutamatérgicos."

"A epilepsia é uma patologia de grande proporção — muito subdiagnosticada. Existem pessoas que têm crises focais que nem percebem, que se manifestam como tiques. Existem crises de ausência onde o paciente nem percebe que teve uma crise — ele simplesmente desconecta por segundos e depois volta."

Da despolarização normal à crise epiléptica

REPOUSO −90 mV Na⁺ fora · K⁺ dentro Membrana estável ✓ GABA mantém inibição gatilho DISPARO NORMAL Na⁺ entra → despolariza Ca²⁺ → fusão vesícula K⁺ sai → repolariza GABA → Cl⁻ entra → inibe falha inib. CRISE EPILÉPTICA Disparo em cascata · GABA falha Recrutamento de neurônios vizinhos Propagação → manifestação clínica ✗ Glutamato em excesso · sem controle

Causas Induzíveis (não são epilepsia)

  • Hipoglicemia — clássica
  • Distúrbios hidroeletrolíticos (hipocalemia, hiponatremia)
  • Hipertermia — crise febril na infância
  • Efeito de massa / hipertensão intracraniana
  • Meningite / encefalite
  • Acidose metabólica
  • Doenças autoimunes (anticorpos anti-SNC)

Estratégias Farmacológicas

  • ↓ Na⁺ — bloqueio de canal de sódio → ↓ despolarização
  • ↓ Ca²⁺ tipo T — ↓ fusão de vesículas sinápticas
  • ↑ GABA — potencializar canal Cl⁻ → hiperpolarização
  • ↓ Glutamato — inibir excitação glutamatérgica
  • Multimodal — agir em vários alvos simultaneamente
🧠
Custo cognitivo universal
Todos os anticonvulsivantes causam algum grau de lentificação cognitiva — é consequência de suprimir a atividade sináptica. A extensão depende do fármaco, da dose e do tempo de exposição. O topiramato é o mais marcante por ser multimodal.
🎯 Como cai na prova
Epilepsia ≠ toda crise convulsiva. Epilepsia = probabilidade de crises futuras não induzidas. Crise por hipoglicemia não é epilepsia.
Fisiopatologia: excesso de excitação (glutamato/Na⁺/Ca²⁺) OU falha da inibição (GABA). Ambos levam ao mesmo resultado.
Anticonvulsivantes são usados em múltiplas condições além da epilepsia — dor neuropática, bipolar, ansiedade, enxaqueca — porque todas envolvem exacerbação sináptica.
02

Tipos de Crise Epiléptica

📋 Caso Clínico📖 Conceitual
Da aula

"As crises de ausência — o paciente não movimenta nenhum globo ocular, ele perde, ele desconecta. É como se tivesse tido uma desconexão córtico-talâmica. Depois ele volta. São muito refratárias ao tratamento clássico. Não respondem a fenitoína, carbamazepina, lamotrigina. Respondem à etossuximida e ao ácido valpróico."

"O status epilepticus é uma emergência médica. É um fenômeno de emergência caracterizado por manifestações de crises que excedem os limites e requerem intervenção médica. Se acontecer no ambiente ambulatorial, o paciente deve ser encaminhado para um local com suporte mínimo e o mais rápido possível."

🎯
Focal / Parcial
Crise Focal
Originada em um foco específico de um hemisfério. Pode ser com consciência preservada (antes: parcial simples) ou com comprometimento (antes: parcial complexa). Pode se generalizar secundariamente.
1ª escolha: Carbamazepina (adulto) · Lamotrigina (idoso)
Generalizada Tônico-Clônica
Grande Mal
Envolve os dois hemisférios desde o início. Fase tônica (rigidez) → fase clônica (movimentos rítmicos). Perda de consciência obrigatória. Pode ocorrer mordedura de língua e incontinência.
Ácido valpróico · Fenitoína · Carbamazepina
🫧
Generalizada — Ausência
Petit Mal (ILAE: "ausência")
Desconexão breve (5–30s) sem movimentos. Olhar fixo, interrupção da atividade. Mecanismo: desincronização talâmica por canais Ca²⁺ tipo T. Refratária aos anticonvulsivantes clássicos.
⚠ SÓ: Etossuximida ★ OU Ácido valpróico
🚨
Status Epilepticus
Emergência Médica
Crise >5 minutos OU duas crises sem recuperação entre elas. Alta mortalidade se não tratado em tempo. Requer intervenção imediata e protocolo escalonado.
Protocolo: Diazepam → Fenitoína/Fenobarbital → Intubação
🚨
Crise de ausência — o erro mais cobrado
Fenitoína, carbamazepina e lamotrigina NÃO tratam crise de ausência. A resposta correta sempre é etossuximida (1ª escolha) ou ácido valpróico. Qualquer outro anticonvulsivante apresentado como opção para ausência em questão = errado.
03

Mecanismos de Ação

📖 Conceitual✕ Exceto
Da aula

"Os bloqueadores de canal de sódio vão se ligar a esse canal inativo e fechá-lo. Se não entra sódio, não há despolarização. Sem despolarização, não há potencial de ação. É bem simples — sódio não entra, cargas negativas não entram, não despolarizam."

"Os canais de cálcio tipo T atuam como marcapassos talâmicos. A desincronização talâmica é responsável pela crise de ausência. O bloqueio do Ca²⁺ tipo T reduz a corrente de baixo limiar, estabilizando o potencial de repouso dos neurônios talâmicos."

"O benzodiazepínico aumenta a frequência de abertura do canal GABA-A. O barbitúrico aumenta a duração de abertura. Por isso o benzo é mais seguro — tem um limite fisiológico. O barbitúrico pode abrir o canal de forma descontrolada, deprimir os centros bulbares e parar a respiração."

Mecanismo 1 · Bloqueio Na⁺
Canal de Sódio
SEM FÁRMACO Na Na⁺ → Despolarização ✗ COM FÁRMACO BLOQ Na ↓ Disparo neuronal ✓
FenitoínaCarbamazepinaLamotriginaValproato*Topiramato*
Mecanismo 2 · Bloqueio Ca²⁺ tipo T
Canal de Cálcio — Tálamo
NORMAL Neurônio talâmico Ca Marcapasso → AUSÊNCIA BLOQUEADO Neurônio talâmico Marcapasso estável ✓
Etossuximida ★ ausênciaValproato*
Mecanismo 3 · Potencialização GABA-A
Canal de Cloreto (Cl⁻)
BASAL GABA-A Cl Inibição normal BZD ou BARB BZD Cl ↑ Cl⁻ → Hiperpolarização ✓
DiazepamMidazolamFenobarbitalValproato*
Mecanismo 4 · Inibição Glutamato
Receptores AMPA / Cainato
SEM FÁRMACO Terminal pré-sináptico Glu AMPA ATIVADO → ⚡ COM FÁRMACO Terminal pré-sináptico AMPA BLOQ ↓ Excitação ✓
Topiramato* (AMPA/cainato)Lamotrigina* (↓ liberação)

Canal GABA-A — Benzodiazepínico × Barbitúrico

BASAL (sem fármaco) Inibição basal poucos Cl⁻ BENZODIAZEPÍNICO — ↑ FREQUÊNCIA BZD Cl Canal abre mais VEZES ✓ Reversor: Flumazenil ✓ Mais seguro BARBITÚRICO — ↑ DURAÇÃO BARB Cl Canal fica aberto por MAIS TEMPO ✗ Sem reversor ⚠ Risco parada respiratória
⚠️
Flumazenil em epiléptico — perigo
Flumazenil fecha o canal GABA-A → remove a inibição → pode precipitar crise convulsiva. Se o paciente usou benzodiazepínico para controlar o status e você der flumazenil, pode desencadear nova crise. Usar com cautela extrema.
🎯 Como cai na prova — Mecanismos
BZD = ↑ frequência de abertura. Barbitúrico = ↑ duração de abertura. Benzo falhou no status → barbitúrico. Lógica: se frequência não resolve, aumenta a duração.
Canal GABA-A deixa entrar Cl⁻ (cloreto) → hiperpolarização → inibição. Cl⁻ é inibitório — entrada = dificulta disparo.
Ácido valpróico e topiramato = multimodais — agem em Na⁺, Ca²⁺-T e GABA simultaneamente. Isso explica o amplo espectro e o maior custo cognitivo.
Canal Ca²⁺ de alta voltagem → pregabalina/gabapentina. Não são de escolha para epilepsia — uso primário atual é em dor neuropática.
04

Fármacos em Detalhe

📋 Caso Clínico⚠ Incorreta
Da aula

"O ácido valpróico é um dos principais antiepilépticos. Praticamente é um coringa — se não está respondendo, provavelmente vai responder. Ele é multimodal. Só que isso tem um custo — se você mexe em muita coisa, os riscos são muitos."

"O topiramato em especial — porque ele é multimodal, atua em múltiplos mecanismos, é muito potente. Em uma colega que usava 50 mg para enxaqueca, o efeito cognitivo foi tão marcante que parecia que ela havia perdido 80% da capacidade. Ela não estava sentindo mais gosto da comida, não estava vendo as cores do ambiente, a libido tinha caído. Não estou demonizando — estou falando a extensão. É dose-dependente."

SUS — Adulto focalStatus EVHiperplasia gengival

Bloqueia canais de Na⁺ dependentes de voltagem. Cinética de eliminação de ordem zero em altas doses — pequenas mudanças de dose podem causar grandes variações no nível sérico.

VO: 100–300 mg/dia · EV (status): 15–20 mg/kg em infusão lenta (máx 50 mg/min)
  • Hiperplasia gengival — efeito adverso característico com uso crônico. Importante para higiene dental.
  • Nistagmo, ataxia, diplopia em doses tóxicas
  • Indutor enzimático potente (CYP2C9, CYP3A4) — múltiplas interações
  • Teratogênica — síndrome fetal da fenitoína (lábio leporino, fissura palatina)
  • Não usar em crise de ausência — pode piorar
★ 1ª escolha focal adultoSUSIndutor enzimático

Bloqueia canais de Na⁺. Perfil de efeitos adversos seguro. Primeira escolha para epilepsia focal no adulto segundo o protocolo CONITEC 172.

VO: 400–1200 mg/dia em 2–3 tomadas · Iniciar baixo e titular
  • 1ª escolha para epilepsia focal no adulto — CONITEC 172
  • Também indicada para dor neuropática (neuralgia do trigêmeo) e transtorno bipolar
  • Indutor enzimático — acelera seu próprio metabolismo (autoindutor) e de outros fármacos
  • EAs: diplopia, ataxia, hiponatremia (SIADH-like), rash cutâneo
  • Síndrome de Stevens-Johnson rara mas grave (em portadores de HLA-B*1502 — populações asiáticas)
  • Não usar em ausência — pode piorar
★ 1ª escolha idoso focalAmplo espectroTitular muito lentamente

Bloqueia Na⁺ e inibe liberação de glutamato. Bem tolerada, especialmente em idosos. Inferior ao valpróico e etossuximida na crise de ausência.

VO: 25–400 mg/dia — titular muito lentamente (risco de rash/Stevens-Johnson se titulado rápido)
  • 1ª escolha focal em idosos (junto com gabapentina) — CONITEC 172
  • Titular lentamente: iniciar 25 mg/dia por 2 semanas, dobrar a cada 2 semanas
  • Rash cutâneo grave (Stevens-Johnson) se titulação rápida, especialmente com valproato
  • Bipolar — fase depressiva (profilaxia)
  • Inferior na crise de ausência — não é escolha para esse tipo
★ Maior espectroSUSTeratogênicoMultimodal = mais riscos

Multimodal: bloqueia Na⁺, Ca²⁺ tipo T, potencializa GABA, inibe degradação de GABA. Cobre praticamente todos os tipos de crise epiléptica — incluindo ausência.

VO: 500–2500 mg/dia em 2–3 tomadas · Valproato de sódio / Divalproato
  • Único que cobre praticamente todos os tipos de crise — incluindo ausência
  • 2ª escolha na ausência (etossuximida é 1ª); 1ª se tiver também outras crises generalizadas
  • Teratogenicidade alta — espinha bífida, malformações cardíacas, atraso cognitivo. Evitar em mulheres em idade fértil sem contraceptivo eficaz
  • EAs: ganho de peso, tremor, alopecia, hepatotoxicidade (raro, mais em crianças <2 anos)
  • Inibidor enzimático — eleva nível de outros fármacos (ex: lamotrigina)
  • Transtorno bipolar — fase maníaca aguda e manutenção
Efeito cognitivo marcanteAdjuvante refratárioEnxaqueca (profilaxia)

Multimodal: bloqueia Na⁺, potencializa GABA, antagoniza receptores AMPA/cainato (glutamato), inibe anidrase carbônica. Potente mas com custo cognitivo significativo.

VO: 50–400 mg/dia — titular lentamente · Dose baixa para enxaqueca: 25–100 mg/dia
  • Multimodal — maior potência e maior efeito cognitivo (dose-dependente)
  • Efeito cognitivo: lentificação, dificuldade de encontrar palavras ("tip of tongue"), embotamento
  • Também: perda de peso (anorexigênico), parestesias, cálculo renal (inibe anidrase carbônica)
  • Glaucoma de ângulo fechado — contraindicado em glaucoma por inibição de anidrase carbônica
  • Profilaxia de enxaqueca — segunda linha (não é primeira escolha)
  • Geralmente adjuvante em epilepsia refratária
★ 1ª escolha ausênciaApenas ausência

Bloqueia canais de Ca²⁺ tipo T no tálamo → reduz a corrente de cálcio de baixo limiar → estabiliza o marcapasso talâmico → elimina a desincronização responsável pela ausência.

VO: 500–1500 mg/dia em 2 tomadas · Disponível no SUS
  • Indicação exclusiva: crise de ausência
  • Não tem utilidade em outros tipos de crise
  • Se o paciente tiver ausência + outras crises generalizadas → usar ácido valpróico (cobre ambos)
  • EAs: náusea, cefaleia, sonolência — geralmente leves
★ Dor neuropáticaFibromialgia (pregabalina)Adjuvantes em epilepsia

Bloqueiam a subunidade α2δ dos canais de Ca²⁺ de alta voltagem → ↓ liberação de neurotransmissores excitatórios pré-sinapticamente. Apesar de anticonvulsivantes, o uso primário atual é em dor neuropática.

Pregabalina: 150–600 mg/dia · Gabapentina: 900–3600 mg/dia
  • Pregabalina: quase padrão ouro em dor neuropática (fibromialgia, neuropatia diabética, nevralgia pós-herpética)
  • Adjuvantes em epilepsia focal — não são primeira escolha
  • Não é primeira escolha para ansiedade — sedação, efeitos cognitivos, dependência. Primeira escolha na ansiedade: ISRS
  • EAs: sedação, tontura, ganho de peso, edema periférico
  • Importante: têm o mesmo perfil de lentificação cognitiva dos outros anticonvulsivantes
Status refratário EVSem reversorDepressão respiratória

Potencializa GABA-A aumentando a duração de abertura do canal de Cl⁻. Mais perigoso que o benzodiazepínico — pode deprimir centros bulbares da respiração.

EV: 20 mg/kg em infusão lenta · VO: 30–120 mg/dia (uso crônico em países em desenvolvimento)
  • Sem reversor — contrário ao benzodiazepínico (flumazenil)
  • Risco de parada respiratória — ter recursos para intubação disponíveis
  • Indutor enzimático potente
  • No status: entra quando benzo falha
  • Ainda usado cronicamente em alguns contextos de baixo recurso
Status EVTolerância — não ambulatorialReversor: flumazenil

Potencializam GABA-A aumentando a frequência de abertura do canal de Cl⁻. Todos os BZDs atuam nesse mecanismo: diazepam, midazolam, clonazepam, lorazepam, alprazolam, bromazepam.

Status: Diazepam 10 mg EV (ou retal) · Midazolam 10 mg IM (sem acesso venoso)
  • Não é tratamento ambulatorial para epilepsia — tolerância
  • É de emergência — status epilepticus em ambiente clínico com suporte
  • Tem reversor (flumazenil) — mas cuidado em epilépticos: flumazenil pode precipitar crise
  • Em doses baixas: ansiolíticos (alprazolam 0,5–1 mg). Em doses altas: hipnóticos sedativos
  • Clonazepam: mais usado cronicamente em epilepsia refratária em alguns centros
05

Crises × Fármacos — Tabela de Indicações

⚠ Incorreta🔢 Identificação
Fármaco Focal Tônico-Clônica Ausência Status EV Multimodal
Fenitoína✗ Piora
Carbamazepina✗ Piora
Lamotrigina ★ idoso
Ácido Valpróico
Topiramato
Etossuximida ★★
Pregabalina/Gabapentina adj.
Diazepam (BZD) ★ 1ª
Fenobarbital 2ª (pós-BZD)
Indicado / 1ª escolha Alternativa/adjuvante Sem indicação
🎯 Como cai na prova — Indicações
Ausência: etossuximida (1ª) ou valpróico. Fenitoína e carbamazepina podem piorar a crise de ausência — cobrado como "INCORRETA".
Se o paciente tem ausência + outras crises generalizadas: ácido valpróico cobre ambos — etossuximida cobre só ausência.
Lamotrigina na ausência: inferior ao valpróico e etossuximida — não é escolha. Cobrado em questões comparativas diretas.
06

Status Epilepticus — Protocolo de Emergência

🚨 Emergência📋 Caso Clínico
Da aula

"Se alguém chegar na UPA no chão com crise que dura mais de 5 minutos — diazepam endovenoso. Passou de 5 minutos, entra com fenitoína ou fenobarbital endovenoso. Não funcionou — declara status epiléptico refratário, sequência rápida de intubação, intuba e mantém com sedação."

"Não tem via venosa? Midazolam intramuscular ou diazepam retal. O barbitúrico não tem reversor. Se ele abrir demais esse canal e começar a parar de despolarizar os neurônios dos centros bulbares da respiração, o paciente vai parar de respirar e você vai intubá-lo. Tem que ter material para isso."

PROTOCOLO — STATUS EPILEPTICUS 🚨 CRISE > 5 MIN ou 2 CRISES sem recuperação → Acionar suporte · Monitorar · O₂ 1ª LINHA — 0 a 5 min 💉 COM ACESSO IV Diazepam 10mg EV lento 🚫 SEM ACESSO IV Midazolam 10mg IM · Diazepam retal · Midazolam nasal ▲ BZD FALHOU 2ª LINHA — 5 a 20 min Fenitoína 15–20 mg/kg EV (máx 50mg/min) ou Fenobarbital 20 mg/kg EV lento ⚠ sem reversor ▲ STATUS REFRATÁRIO 3ª LINHA — > 20–30 min · Refratário 🫁 Intubação orotraqueal · Sedação (propofol / midazolam) · Ventilação mecânica · UTI ⚠ Flumazenil em epiléptico → fecha GABA-A → pode precipitar nova crise. Usar com cautela extrema.
🎯 Como cai na prova — Status Epilepticus
Sequência: Diazepam EV → Fenitoína ou Fenobarbital EV → Intubação + sedação. Cada etapa tem tempo definido.
Sem acesso venoso: midazolam IM (preferível) ou diazepam retal. Midazolam intranasal também é opção.
BZD não é tratamento ambulatorial para epilepsia — tolerância desenvolve rapidamente. É exclusivo de emergência.
Benzo falhou → barbitúrico (aumenta duração do canal). Diferença fisiológica: frequência (BZD) vs duração (barbitúrico).
07

Algoritmo Terapêutico — CONITEC 172 (Brasil)

📋 Caso Clínico📖 Conceitual
Da aula

"Na epilepsia não se acumula como na hipertensão. Botou um, não funcionou, troca. Não funcionou, troca de novo. Aí você pode pensar em associar dois — máximo. Apenas 3% dos casos precisam de associação de mais de dois fármacos. E 47% dos pacientes respondem com o primeiro fármaco em monoterapia."

"A decisão de iniciar tratamento baseia-se em três critérios: risco de recorrência das crises, consequência da continuação, e efeitos adversos do fármaco escolhido."

CONITEC 172 — ESCOLHA POR PERFIL 👨 ADULTO Epilepsia Focal ★ Carbamazepina 1ª escolha · SUS Alternativa: Fenitoína Se mulher jovem: ⚠ Evitar Valproato (teratogênico) mesma escolha para criança ajuste por peso 👴 IDOSO Epilepsia Focal ★ Lamotrigina 1ª escolha · sem interações enzim. Alternativa: Gabapentina Evitar: ✗ Fenitoína · Fenobarbital (queda, confusão) Lamotrigina: titular ⚠ MUITO lentamente 🫧 AUSÊNCIA Qualquer idade ★ Etossuximida se ausência PURA Se ausência + outras crises: ★ Ácido Valpróico Nunca usar: ✗ Fenitoína · Carbamazepina (podem PIORAR a ausência) Lamotrigina inferior ao valpróico e etossuximida REGRA DE ESCALONAMENTO — Na epilepsia TROCA-SE, não acumula 1ª Monoterapia 47% respondem 2ª Monoterapia 13% respondem Associação de 2 3% precisam · máximo 2 ⚠ NUNCA aumentar para 3 fármacos rotineiramente · Associação > 2: mais EA sem ganho proporcional de eficácia Decisão de tratar: risco de recorrência + consequência das crises + efeitos adversos do fármaco Diferente da HAS onde se acumula — na epilepsia troca-se primeiro
🎯 Como cai na prova — Algoritmo
Questão clássica: "Qual a 1ª escolha para epilepsia focal em adulto?" → Carbamazepina. Em idoso → lamotrigina ou gabapentina.
Na epilepsia, troca-se (não acumula) — inverso da hipertensão. Isso é cobrado diretamente em questões que apresentam as duas condutas como opções.
47% respondem ao 1º fármaco em monoterapia. 13% ao 2º. Apenas 3% precisam de associação. Números frequentes em questões conceituais.
08

Outros Usos dos Anticonvulsivantes

📖 Conceitual⚠ Incorreta
Da aula

"Como várias patologias estão associadas com a exacerbação sináptica, os anticonvulsivantes são base para o tratamento de diversos distúrbios. São usados como adjuvantes no transtorno bipolar para preservar a estabilidade, evitar oscilações. São usados como sinérgicos em pacientes com psicose refratária. São usados no tratamento da dor — porque a dor também é um processo de exacerbação sináptica."

"Pregabalina e gabapentina viraram fármacos de dor. O uso primário hoje é em neuropatias. Pregabalina: quase padrão ouro em dor neuropática. Só que nunca se esqueça que ela é um anticonvulsivante — tem os mesmos perfis de lentificar as sinapses."

🧠
Transtorno Bipolar
Valpróico · Carbamazepina · Lamotrigina
Estabilizadores do humor. Valpróico = fase maníaca aguda. Lamotrigina = profilaxia da fase depressiva. Carbamazepina = alternativa.
Dor Neuropática
Pregabalina ★ · Gabapentina · Carbamazepina
Pregabalina: quase padrão ouro — fibromialgia, neuropatia diabética, nevralgia. Carbamazepina: neuralgia do trigêmeo (1ª escolha).
🤕
Enxaqueca (Profilaxia)
Valpróico · Topiramato
Segunda linha — não são a primeira escolha. Enxaqueca com aura tem fisiopatologia próxima à epilepsia (depressão cortical alastrante).
😰
Ansiedade (adjuvante)
BZD (baixas doses) · Pregabalina
BZD em baixas doses (alprazolam 0,5 mg): ansiolíticos. Nunca 1ª escolha para ansiedade — ISRS é a 1ª opção. BZD: uso transitório, risco de dependência.
💉
Psicose Refratária
Valpróico · Carbamazepina
Adjuvantes em pacientes com psicose refratária — sinergismo com antipsicóticos. Reduzem excitabilidade no sistema límbico.
😴
Hipnótico/Sedativo
BZD (doses maiores)
BZD em doses maiores = hipnóticos. Tudo depende da dose — 0,5 mg de alprazolam: ansiolítico. Doses maiores: sedação, hipnose. Mesmo mecanismo, efeito dose-dependente.
Checklist de Revisão — Anticonvulsivantes
0 / 20 revisados
⚡ Fisiopatologia e Mecanismos
Epilepsia = probabilidade de crises futuras não induzidas (ILAE). Não é toda crise convulsiva. Hipoglicemia não é epilepsia.
4 mecanismos: bloqueio Na⁺ · bloqueio Ca²⁺ tipo T · potencialização GABA · inibição glutamato. BZD = ↑ frequência abertura GABA-A. Barbitúrico = ↑ duração abertura GABA-A.
Todos os anticonvulsivantes causam lentificação cognitiva dose-dependente. Topiramato = mais marcante (multimodal).
Flumazenil em epiléptico = perigoso — fecha canal GABA-A → precipita crise. Usar com extrema cautela.
🫧 Crise de Ausência — O mais cobrado
Ausência = etossuximida (1ª) ou ácido valpróico. Fenitoína e carbamazepina PODEM PIORAR a ausência. Lamotrigina é inferior.
Mecanismo da ausência: desincronização talâmica por canal Ca²⁺ tipo T. Por isso só etossuximida (bloqueio Ca²⁺-T) e valpróico (multimodal) funcionam.
Se ausência + outras crises generalizadas → ácido valpróico (cobre ambos). Etossuximida cobre só ausência.
🚨 Status Epilepticus
Protocolo: Diazepam EV → Fenitoína/Fenobarbital EV → Intubação + sedação. Sem acesso venoso: midazolam IM.
BZD não é tratamento ambulatorial para epilepsia — tolerância. É exclusivo de emergência (status) e ansiedade transitória.
Fenobarbital: sem reversor, risco de parada respiratória. Diazepam tem flumazenil — mas cuidado em epiléptico.
💊 Fármacos — Escolhas e Armadilhas
Carbamazepina = 1ª escolha focal adulto e criança. Lamotrigina/gabapentina = 1ª escolha focal idoso. CONITEC 172.
Ácido valpróico = coringa multimodal. Cobre praticamente todos os tipos. Teratogênico — evitar em mulheres sem contraceptivo eficaz.
Fenitoína: hiperplasia gengival característico. Cinética dose zero em altas doses. Teratogênica. Indutor enzimático potente.
Topiramato: multimodal potente, efeito cognitivo marcante, glaucoma de ângulo fechado (inibe anidrase carbônica), perda de peso. Enxaqueca: 2ª linha.
Lamotrigina: titular muito lentamente — rash/Stevens-Johnson se titulação rápida, especialmente com valproato.
🔮 Algoritmo e Outros Usos
Na epilepsia: troca-se, não se acumula. Inverso da HAS. Associação de 2 só após falha de 2 monoterapias. Máximo 2 fármacos (3% dos casos precisam).
47% respondem ao 1º fármaco. 13% ao 2º. 3% precisam de associação. Esses números caem em questões conceituais.
Pregabalina/gabapentina: anticonvulsivantes com uso primário em dor neuropática. Pregabalina ≈ padrão ouro em dor neuropática.
Neuralgia do trigêmeo = carbamazepina 1ª escolha. Bipolar depressão = lamotrigina. Bipolar maníaco = valpróico. Enxaqueca profilaxia (2ª linha) = valpróico ou topiramato.

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