Antifúngicos — Guia de Revisão
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Antifúngicos
Resumo organizado por Igor Sabino para o MedCaju. Material baseado em aula oral da professora Dra. Mayara Ladeira Coelho — Farmacologia II, UNIFACID/IDOMED.
Farmacologia II Infectologia Antifúngicos ENAMED Residência Médica
Farmacologia II

Antifúngicos

Guia de leitura e revisão — mecanismos, classes, efeitos adversos e interações.

01

Por que tratar fungos é difícil?

O alvo terapêutico nas infecções fúngicas é a célula do fungo. Diferentemente das bactérias, o fungo possui um tipo celular eucarionte — com membrana plasmática, ribossomos 80S, mitocôndrias e núcleo definido.

Essa complexidade cria o primeiro e maior desafio da terapêutica antifúngica: a célula do fungo se assemelha à célula humana. Quando o alvo do medicamento é parecido com o nosso próprio, o risco de efeitos adversos aumenta, o espectro de alvos disponíveis diminui, e o tratamento precisa ser mais prolongado e cuidadoso do que o antibacteriano convencional.

Consequência prática

Tratamentos antifúngicos costumam ser mais longos, com maior necessidade de manutenção e vigilância de toxicidade — especialmente hepática e renal.

Comparativo celular

Bactéria Procarionte sem núcleo definido mais complexo Fungo Eucarionte núcleo, mitocôndrias, parede

Em resumo

  • Fungo = eucarionte → semelhante à célula humana
  • Menos alvos exclusivos disponíveis
  • Maior risco de efeitos adversos sistêmicos
  • Tratamentos mais longos e monitorados
Introdução vista. Já dá para resolver questões sobre a célula fúngica e por que antifúngicos têm mais efeitos adversos. Praticar agora →
02

Resistência Antimicrobiana

O problema real

Já existem pacientes internados sem nenhuma opção terapêutica disponível. O antibiograma retorna R para todos os agentes testados. A pesquisa não consegue avançar na mesma velocidade que os microrganismos.

Antibiótico × Antimicrobiano

Antibiótico é a substância produzida por um organismo vivo (ex: penicilina, pelo fungo Penicillium). Antimicrobiano é o termo mais amplo — abrange as substâncias sintéticas também. Hoje a maioria dos agentes usados clinicamente é sintética.

RDC 20/2011 — ANVISA

Regulamentou a prescrição de antibióticos no Brasil. A receita tem validade de 10 dias. Após esse prazo, o paciente precisa ser reavaliado antes de comprar.

O mecanismo da resistência é simples: cada exposição a um antimicrobiano gera pressão seletiva sobre a flora. Os microrganismos que sobrevivem aprendem a escapar e transmitem esse aprendizado às gerações seguintes.

Uma variável subestimada é a agropecuária. Estima-se que cerca de 95% de todo antimicrobiano produzido no mundo é destinado ao uso animal e agrícola — apenas 5% é de uso humano direto. O uso preventivo em frangos e bovinos expõe a cadeia alimentar a uma quantidade massiva de antimicrobianos, gerando resistência que chega até nós indiretamente.

Terapia empírica → descalonamento

  • D0: início do tratamento empírico com amplo espectro, baseado na microbiota local e no protocolo institucional
  • D5–D7: resultado da cultura disponível → avaliar perfil de sensibilidade
  • Descalonamento: trocar o agente de amplo espectro por um de espectro estreito, dirigido ao microrganismo identificado
  • Cada hospital tem seu perfil de resistência. O que funciona em um serviço pode não funcionar em outro.
03

Tipos de Infecção Fúngica

A localização da infecção determina a abordagem terapêutica — não apenas a escolha do antifúngico, mas a via de administração. Um fungo na mucosa oral é acessível topicamente; o mesmo fungo disseminado na corrente sanguínea exige volume de distribuição sistêmico.

Superficial Tinhas Trichophyton, Microsporum tratamento tópico ambulatorial / UBS baixa gravidade Cutânea / Subcutânea Dermatomicoses Onicomicoses, Esporotricose tópico e/ou oral ambulatorial gravidade variável Sistêmica Candidemia, Blastomicose Histoplasmose, Criptococose via EV, hospitalar amplo espectro alta gravidade Oportunista HIV, oncológicos transplantados, UTI imunossupressão como fator de risco gravidade elevada

Pacientes de maior risco são aqueles com imunossupressão — por quimioterapia, transplante, HIV, uso crônico de corticoides ou internação prolongada em UTI com ventilação mecânica. O paciente ventilado é especialmente vulnerável: o ventilador aumenta o acesso de microrganismos às vias aéreas inferiores, e a imunidade já está comprometida pela condição de base.

04

O Ergosterol — o grande alvo

O ergosterol é o lipídio que compõe a membrana celular dos fungos — análogo ao colesterol nas células humanas. A célula humana não possui ergosterol, o que o torna um alvo terapêutico seletivo. Sem ergosterol funcional, a membrana do fungo perde integridade, se torna permeável e o microrganismo não sobrevive.

A via de síntese do ergosterol é o ponto de ataque da maioria dos antifúngicos. Cada classe age em uma enzima diferente dessa cadeia — bloqueando a produção em etapas distintas, ou ligando-se diretamente ao ergosterol já formado.

Por que é um alvo ideal

Nossa célula usa colesterol, não ergosterol. Isso permite alguma seletividade — embora imperfeita, já que os dois esteróis têm estrutura química semelhante, o que explica parte dos efeitos adversos.

Via de síntese

  • Esqualeno → esqualeno epoxidase → óxido de esqualeno
  • Alvo da terbinafina: esqualeno epoxidase
  • Óxido de esqualeno → ciclase → Lanosterol
  • Alvo dos azóis: C14-alfa-desmetilase
  • Lanosterol → C14-desmetilase → Ergosterol
  • Alvo dos polienos: ergosterol já formado na membrana

Via de síntese do ergosterol e pontos de ação

Esqualeno substrato Esq.epox. Terbinafina ✕ Óxido de Esqualeno ciclase Lanosterol intermediário C14-alfa desmet. Azóis ✕ Ergosterol componente da membrana integra membrana Membrana Polienos ✕ (aqui) Inibição de síntese (Terbinafina, Azóis) Ligação ao ergosterol formado (Polienos)
05

Polienos

Os polienos são chamados assim por possuírem múltiplas duplas ligações (insaturações) repetidas na estrutura molecular. São antibióticos — produzidos por organismos vivos do gênero Streptomyces. Seu mecanismo é único: em vez de bloquear a síntese do ergosterol, ligam-se diretamente ao ergosterol já presente na membrana, formando poros que desequilibram o fungo até levá-lo à morte.

Anfotericina B

Polieno · Streptomyces nodosus · uso injetável exclusivo

HospitalarNefrotóxicaAmplo espectro

Mecanismo

Liga-se ao ergosterol já formado na membrana → desestabiliza → forma poros → saída de eletrólitos → morte celular. Não inibe a síntese: age sobre o ergosterol que já está lá.

Cobertura

  • Aspergillus — aspergilose invasiva
  • Candida disseminada / candidemia
  • Blastomicose, histoplasmose
  • Coccidioidomicose, criptococose
  • Leishmaniose visceral

Desoxicolato × Lipossomal

Desoxicolato

  • Molécula polar entregue como sal
  • Muitos grupos hidroxila → sinalizada para excreção renal
  • Eliminação lenta (1–15 dias) → acúmulo no rim
  • Maior dose necessária para atingir o sítio
  • Custo ~R$ 50–60/dose — disponível no SUS

Lipossomal

  • Molécula encapsulada em lipossoma → perfil lipofílico
  • Melhor biodisponibilidade, menor acúmulo renal
  • Dose menor com menos toxicidade
  • Custo ~R$ 1.500–1.700/dose
  • SUS custeia para leishmaniose visceral (21 dias)
Nefrotoxicidade

Principal efeito adverso. A polaridade elevada da molécula a sinaliza para excreção renal. O acúmulo no rim, combinado com eliminação lenta, causa injúria renal aguda. Monitorar creatinina. A forma lipossomal reduz, mas não elimina esse risco — a molécula é a mesma.

Interações relevantes

CorticoidesPiora a hipopotassemia induzida pela anfotericina. Pacientes em uso crônico precisam de atenção redobrada.
Diuréticos de alçaPotencializam a perda de potássio — risco de hipopotassemia grave.
CefalosporinasUso concomitante amplifica a nefrotoxicidade.
MiconazolAntagonismo farmacológico — não associar.

Nistatina

Polieno · Streptomyces noursei · uso local · RENAME

UBSBaixa toxicidade sistêmica

Diferencial

Mesmo mecanismo da anfotericina B, mas com absorção praticamente nula pela pele e mucosas. Age apenas localmente. Eliminada nas fezes de modo inalterado, sem alterar a microbiota do TGI.

Indicações e formas

  • Candidíase oral — suspensão oral (sapinho)
  • Candidíase cutânea — creme/pomada
  • Candidíase vaginal — óvulos
  • Tinhas superficiais
Interação com anticoagulantes

A nistatina pode reduzir o efeito de anticoagulantes orais. Sempre investigar uso concomitante — especialmente em pacientes com risco tromboembólico alto.

Polienos dominados. Anfotericina B e nistatina são cobradas com frequência no ENAMED e em provas de residência. Testar com questões →
06

Azóis

Os azóis compartilham o mesmo mecanismo de ação: inibem a C14-alfa-desmetilase, enzima que converte lanosterol em ergosterol. Sem ergosterol, a membrana formada é instável e disfuncional. A diferença entre imidazóis e triazóis está na estrutura do anel e na seletividade — os triazóis são mais seletivos para a enzima fúngica e mais potentes.

Mecanismo dos azóis em três passos

  • 1. O azol bloqueia a C14-alfa-desmetilase fúngica
  • 2. Sem essa enzima, lanosterol não se converte em ergosterol
  • 3. A membrana formada sem ergosterol é instável — o fungo não consegue se multiplicar nem manter integridade

Imidazóis

Cetoconazol · Miconazol · Clotrimazol

Imidazóis · oral e tópico · todas as esferas de atenção

Cobertura

  • Tinhas, paracoccidioidomicose, blastomicose
  • Candidíase localizada e disseminada
  • Presente em UBS, UPA e hospital

Interações e cuidados

  • Antiácidos reduzem absorção (mudança de pH)
  • Carbamazepina/fenitoína reduzem efeito
  • Varfarina e estatinas: toxicidade aumentada
  • Miconazol + sulfonilureia: hipoglicemia grave
Clotrimazol (Canesten) — uso vaginal

Disponível em creme vaginal com aplicador descartável. O aplicador deve ser introduzido na totalidade, com dose completa — um por noite, descartável. Cobertura para candidíase cutânea, de unhas, mucosa oral e vaginal.

Triazóis

Fluconazol

Triazol · oral e EV · 1ª linha candidíase · amplamente usado

1ª linhaAtenção resistência

Indicações

  • Candidíase esofágica, orofaríngea, sistêmica
  • Meningite criptocócica (manutenção)
  • Dose única para candidíase vaginal simples

Contraindicações

  • Insuficiência renal
  • Gravidez e amamentação
  • Menores de 3 anos
  • Risco: hepatotoxicidade, Stevens-Johnson
Resistência documentada

Cepas resistentes de Candida albicans, C. krusei e C. glabrata já estão descritas. Grupos de risco: HIV, uso prévio de fluconazol, CD4 baixo, uso de antituberculosos. Nesses casos, considerar alternativa desde o início.

Itraconazol

Oral e solução. Cobre micoses sistêmicas, onicomicoses e aspergilose. Mais potente que o cetoconazol. Interação com rifampicina (reduz efeito) e bloqueadores de canal de cálcio (toxicidade).

Voriconazol · Posaconazol

Derivados com maior potência. Indicados após falha dos anteriores. Uso controlado pela CCIH. Também fazem nefrotoxicidade. Alto custo — liberação restrita na maioria dos hospitais.

Efeito dissulfiram-like

Vários azóis (tioconazol, fluconazol) produzem mal-estar generalizado ao serem associados ao álcool. Orientar abstinência durante o tratamento e respeitar a meia-vida de eliminação após o término.

Azóis vistos. Fluconazol, resistências e interações são os tópicos mais cobrados em questões de infectologia. Resolver questões →
07

Outros Antifúngicos

Griseofulvina

Produzida pelo Penicillium griseofulvum. Único antifúngico que age sobre o fuso mitótico — inibe a mitose ligando-se aos microtúbulos. Indicação exclusiva para tinha e onicomicose.

Cuidados

Reduz efeito de anticoncepcionais orais → orientar método de barreira. Efeito dissulfiram-like com álcool. Reduz efeito de anticoagulantes.

Terbinafina

Alilamina. Inibe a esqualeno epoxidase — etapa anterior à dos azóis na síntese do ergosterol. Uso principalmente tópico. Indicada para tinhas e candidíase cutânea.

Ciclopirox (Ciclopiroxolamina)

Inibe transporte de aminoácidos e síntese de proteínas, DNA e RNA. Fármaco de primeira escolha na candidíase cutânea. Presente em shampoos terapêuticos para dermatite seborreica.

Sulfadiazina de Prata

Antimetabólito que compete com o ácido para-aminobenzoico. Principal uso: queimaduras — profilaxia de infecções oportunistas durante a cicatrização. Em creme, disponível nas UTIs de queimados.

Albocresil / Polissulfonato

Não é antifúngico clássico. Acidifica o pH vaginal, tornando o ambiente inóspito para a Candida. Usado em óvulos na candidíase vaginal de repetição como terapia de manutenção após o antifúngico.

Forma farmacêutica muda o resultado

Dermatomicose extensa (pano branco nas costas): creme — emulsão com boa espalhabilidade. Infecção localizada (pé de atleta): pomada — base vaselinada, oclusiva, concentra a substância no local. A droga pode ser a mesma; o veículo determina a eficácia clínica.

08

Equinocandinas

As equinocandinas representam a inovação mais importante em antifúngicos das últimas décadas. Seu mecanismo é completamente diferente de todas as outras classes: em vez de atacar a membrana celular, atuam sobre a parede celular do fungo.

Elas inibem a síntese de β-1,3-glucana, polissacarídeo estrutural essencial da parede celular fúngica. A célula humana não possui parede celular — o que teoricamente tornaria esse um alvo bastante seletivo. Na prática, ainda causam hepato e nefrotoxicidade por mecanismos indiretos.

Caspofungina · Micafungina · Anidulafungina

Uso exclusivamente hospitalar e EV. Liberação controlada pela CCIH/SCIRAS por conta do alto custo. Indicadas para aspergilose invasiva, candidemia, histoplasmose e criptococose graves.

Alvo único: a parede

  • Inibe β-1,3-glucana sintase
  • Sem β-glucana, a parede colapsa
  • A célula humana não tem parede celular
  • Alto custo → uso restrito por CCIH
  • EV exclusivo — sem formulação oral
  • Efeitos adversos: hepato e nefrotoxicidade, leucopenia

Agrupamento por mecanismo

Antes de entrar no resumo final, vale visualizar os fármacos agrupados pelo que eles fazem — não pela classe química. Cada coluna é um alvo diferente na célula do fungo.

Alvo 1
Liga-se ao ergosterol da membrana
Anfotericina BEV hospitalar · nefrotóxica
Nistatinatópico/oral local · UBS
Formam poros → desequilíbrio eletrolítico → morte. Não inibem síntese.
Alvo 2
Bloqueia síntese do ergosterol
Fluconazoltriazol · 1ª linha
Itraconazoltriazol · sistêmico
Voriconazoltriazol 2G · CCIH
Cetoconazolimidazol · oral/tópico
Miconazolimidazol · tópico
Clotrimazolimidazol · vaginal
Terbinafinaalilamina · etapa precoce
Azóis: C14-desmetilase. Terbinafina: esqualeno epoxidase (etapa anterior).
Alvo 3
Inibe síntese da parede celular
CaspofunginaEV · hospitalar
MicafunginaEV · hospitalar
AnidulafunginaEV · hospitalar
β-1,3-glucana sintase. Células humanas não têm parede. Alto custo.
Alvo 4
Inibe o fuso mitótico
Griseofulvinaoral · tinha/onicomicose
Liga-se aos microtúbulos. Único antifúngico com esse mecanismo.
Alvo 5
Outros mecanismos
Ciclopiroxinibe transporte AA/DNA/RNA
Sulfadiazina Agantimetabólito · queimados
Albocresilacidifica pH vaginal
Flucitosinainibe DNA/RNA fúngico
Ciclopirox: 1ª escolha candidíase cutânea. Albocresil: manutenção pH.
Membrana (ergosterol)
Síntese ergosterol
Parede celular
Fuso mitótico
Outros
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Resumo por classe

Polienos

Anfotericina B · Nistatina

Ligam-se ao ergosterol já formado na membrana → formam poros → morte celular. Anfotericina B é EV hospitalar, altamente nefrotóxica. Nistatina é de uso local (UBS), absorção nula, sem efeitos sistêmicos.

Azóis Imidazóis

Cetoconazol · Miconazol · Clotrimazol · Tioconazol

Inibem a C14-alfa-desmetilase → bloqueiam síntese de ergosterol. Uso tópico e oral. Presentes em todas as esferas de atenção. Hepatotóxicos. Interação com indutores enzimáticos.

Azóis Triazóis

Fluconazol · Itraconazol · Voriconazol · Posaconazol

Mesmo alvo dos imidazóis, maior seletividade e potência. Fluconazol é 1ª linha para candidíase, mas com resistência documentada. Voriconazol e posaconazol reservados para falhas e uso hospitalar controlado.

Alilaminas

Terbinafina

Inibe a esqualeno epoxidase — etapa mais precoce que os azóis. Uso tópico, ambulatorial. Tinhas e candidíase cutânea.

Equinocandinas

Caspofungina · Micafungina · Anidulafungina

Único mecanismo via parede celular (β-1,3-glucana). EV hospitalar, alto custo, uso restrito pela CCIH. Indicadas para infecções fúngicas invasivas graves e candidemia.

Outros

Griseofulvina · Ciclopirox · Sulfadiazina de Prata · Albocresil

Griseofulvina: único antifúngico com ação no fuso mitótico. Ciclopirox: 1ª escolha candidíase cutânea. Sulfadiazina de prata: profilaxia em queimados. Albocresil: acidifica pH vaginal na candidíase de repetição.

Tabela rápida de consulta

FármacoClasseAlvoContextoPrincipal cuidado
Anfotericina BPolienoErgosterol (membrana)EV hospitalarNefrotóxica · desoxicolato vs. lipossomal
NistatinaPolienoErgosterol (membrana)Local — UBSReduz efeito de anticoagulantes
FluconazolTriazolC14-desmetilaseOral/EV · 1ª linhaResistência Candida · CI gravidez/IR
ItraconazolTriazolC14-desmetilaseOral · sistêmicoRifampicina reduz efeito
CetoconazolImidazolC14-desmetilaseOral/tópicoHepatotóxico · antiácidos reduzem absorção
VoriconazolTriazol 2GC14-desmetilaseOral/EV · CCIHNefrotóxico · alto custo
TerbinafinaAlilaminaEsq. epoxidaseTópico · ambulatorial
GriseofulvinaOutroFuso mitóticoOral · tinha / onicomicoseÁlcool · anticoncepcional oral
CiclopiroxOutroAA / DNA / RNATópico · 1ª escolha
CaspofunginaEquinocandinaβ-1,3-glucana (parede)EV · hospitalarHepato/nefrotóxico · CCIH
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Flashcards de Revisão

Clique em cada card para revelar a resposta.

Qual é o mecanismo de ação dos polienos e como ele difere dos azóis?
Polienos ligam-se ao ergosterol já formado na membrana, criando poros. Azóis inibem a C14-alfa-desmetilase, bloqueando a síntese do ergosterol.
toque
Por que a anfotericina B lipossomal tem menor nefrotoxicidade?
A molécula é encapsulada em lipossoma → perfil lipofílico → menor sinalização renal para excreção, menor acúmulo no rim, melhor biodisponibilidade com dose menor. A molécula em si é a mesma — o que muda é o veículo.
toque
Por que a nistatina pode ser usada oralmente sem efeitos sistêmicos?
Absorção praticamente nula pela pele e mucosas. Age apenas localmente. Eliminada nas fezes inalterada, sem alterar a microbiota do TGI.
toque
Qual antifúngico é a 1ª escolha na candidíase cutânea e por quê?
Ciclopirox (ciclopiroxolamina). Inibe transporte de aminoácidos e síntese de proteínas, DNA e RNA. Alta eficácia na candidíase cutânea com boa tolerância local.
toque
Qual é o mecanismo único da griseofulvina?
Inibe o fuso mitótico — liga-se aos microtúbulos, bloqueando a mitose. É o único antifúngico com esse mecanismo. Indicação: tinha e onicomicose.
toque
Em que etapa da síntese do ergosterol age cada classe?
Terbinafina: esqualeno epoxidase (etapa mais precoce). Azóis: C14-alfa-desmetilase (lanosterol → ergosterol). Polienos: no ergosterol já formado na membrana.
toque
Quais são as contraindicações do fluconazol?
Insuficiência renal, gravidez, amamentação e menores de 3 anos. Risco de hepatotoxicidade, reações cutâneas e síndrome de Stevens-Johnson.
toque
Qual o mecanismo das equinocandinas e por que são diferentes?
Inibem a síntese de β-1,3-glucana da parede celular do fungo — única classe que atua na parede, não na membrana. A célula humana não tem parede celular.
toque
O que é o efeito dissulfiram-like e quais antifúngicos o produzem?
Mal-estar generalizado ao ingerir álcool. Produzido por griseofulvina, tioconazol, fluconazol. Orientar abstinência durante o tratamento e considerar a meia-vida de eliminação após o término.
toque
Como diferenciar a indicação de creme vs. pomada?
Creme (emulsão): grandes superfícies, boa espalhabilidade — ex: pano branco nas costas. Pomada (base vaselinada): áreas localizadas, oclusiva, concentra no local — ex: pé de atleta entre os dedos.
toque
O que é descalonamento e quando ocorre?
Troca do agente empírico de amplo espectro por um de espectro estreito, dirigido ao microrganismo identificado na cultura. Ocorre quando o resultado da cultura e perfil de sensibilidade ficam disponíveis (D5–D7).
toque
Por que pacientes com HIV têm maior risco de resistência ao fluconazol?
Uso frequente e prolongado para infecções recorrentes gera pressão seletiva. Associado à baixa contagem de CD4, uso de antituberculosos e exposição prévia ao fármaco. Considerar alternativa desde o início.
toque
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