Complicações Pós-Operatórias — Guia Visual · MedCaju
Clínica Cirúrgica — Guia Visual

Complicações do
Pós-Operatório

Por Igor Sabino · MedCaju · Aula oral de Clínica Cirúrgica (2026) · Complementado com diretrizes e anotações pessoais
01

Complicações cardíacas

Espectro de eventos cardíacos perioperatórios
LESÃO MIOCÁRDICA Troponina elevada 85% assintomático ECG alterado AVC ISQUÊMICO FA → trombo atrial → embolia cerebral Maior risco: idoso + FA PCR INTRAOP Paciente coberto Detecção só pelo monitor Mortalidade muito elevada CONDUTA UTI para monitorização ECG + Troponina Interromper → RCP
Mecanismo da lesão miocárdica perioperatória
Hipotensão intraoperatória Anemia relativa + Taquicardia Dor + Estresse simpático DESBALANÇO Oferta O₂ ↓ < ↑ Demanda O₂ NECROSE Miocárdica 85% sem dor torácica ↑ Troponina · ECG alterado UTI — MONITORIZAÇÃO Não para intervir Flagrar o evento precoce ECG contínuo + Troponina serial
❤️
Infarto perioperatório — mecanismo e diagnóstico
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02

Febre pós-op e sepse

Linha do tempo da febre pós-operatória
H0 Cirurgia 6–12h 24–48h 72h >5 dias ATELECTASIA Principal causa de febre no pós-op imediato · tratar com fisioterapia, não ATB INFECÇÃO / SEPSE Raramente antes de 72h · exceto urgência ou operado infectado Zona de sobreposição — avaliar contexto clínico
Fluxograma — protocolo de sepse pós-operatório
SUSPEITA DE INFECÇÃO + Resposta inflamatória sistêmica (SIRS) DIAGNÓSTICO DE SEPSE Não precisa de confirmação microbiológica ① ATB PRECOCE Iniciar assim que identificada a suspeita ② CULTURA ANTES Coletar antes do ATB mas não atrasar ATB ③ OTIMIZAR VOLEMIA Ressuscitação com fluidos ④ INVESTIGAR SÍTIO Coleção? Fístula? Drenar ou reoperar Febre nas primeiras 72h = atelectasia até prova em contrário Exceção: operado infectado ou urgência sem preparo adequado
🦠
Sepse e febre pós-operatória — protocolo e timing
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03

Complicações hemorrágicas

Risco relativo de sangramento por situação
Cirurgia eletiva s/ anticoag.
Baixo
Tireoidectomia
Mod.
Cirurgia com AAS ativo
Alto
Cirurgia com anticoag. ativo
Muito alto
Cirurgia de urgência
Crítico
Tempo de suspensão pré-operatório
D-7 D-5 D-3 D-1 CIRURGIA AAS — suspender 7 dias antes Clopidogrel — suspender 5 dias antes Anticoagulantes orais — 1 a 3 dias (depende do agente)
🦋
Tireoidectomia
Órgão extremamente vascularizado. Ligadura extensa de vasos. Hematoma cervical expansivo comprime via aérea — emergência cirúrgica. Dreno obrigatório nas primeiras 24–48h.
🌡️
Hipotermia e coagulação
Hipotermia intraoperatória interfere nas enzimas da cascata de coagulação. Controle de temperatura = prevenção de sangramento. Insuficiência renal e hepática também interferem.
🩸
Anticoagulação e sangramento pós-operatório
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04

Insuficiência renal aguda

Mecanismo da IRA perioperatória
Hipovolemia (sangramento, jejum) Hipotensão programada PA 50–55 mmHg Clampeamento vascular IRA PRÉ-RENAL Rim hipoperfundido Sem lesão estrutural REVERSÍVEL Reposição de volume Restaura a função FATORES DE RISCO Idade avançada DRC prévia Uso de contraste Clampeamento vascular Hipotensão prolongada Diálise → recuperação possível
🫘
IRA perioperatória pré-renal — mecanismo e reversibilidade
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05

Complicações respiratórias

Espectro de gravidade — complicações respiratórias
ATELECTASIA Mais precoce Fisioterapia PNEUMONIA Após 72h Antibiótico PNEUMONIA PAV Associada à VM ATB + cuidados VM SDRA Lesão difusa Sepse/choque → → → Progressão de gravidade → → →
Prevenção em 3 fases
PRÉ-OPERATÓRIO Fisioterapia respiratória Cessação do tabagismo Otimização clínica INTRAOPERATÓRIO Ventilação protetora PEEP adequado VC baixo — evitar barotrauma PÓS-OPERATÓRIO Mobilização precoce Fisioterapia + incentivador Controle de dor
🫁
Atelectasia vs pneumonia e prevenção respiratória
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06

Delírio pós-operatório

Ferramenta CAM — diagnóstico objetivo de delírio
① INÍCIO AGUDO + flutuação do nível de consciência ② DESATENÇÃO Dificuldade de focar / manter atenção E ③ PENSAMENTO DESORGANIZADO Raciocínio confuso, fala incoerente ④ ALTERAÇÃO DE CONSCIÊNCIA Hiperativo, hipoativo ou misto OU DELÍRIO Diagnóstico confirmado MANEJO — MAJORITARIAMENTE NÃO FARMACOLÓGICO Reorientação ativa Mobilização precoce Redução de ruído Envolvimento familiar Adequação sensorial Controle de dor Promoção do sono Família = melhor remédio
Fatores de risco para delírio pós-operatório
PACIENTE Risco de delírio Idade avançada Comprometimento cognitivo Polifarmácia UTI 24h luz/ruído Privação sensorial Imobilidade prolongada
🧠
Delírio e CAM — diagnóstico e manejo não farmacológico
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07

GI, TVP e ferida operatória

Ciclo vicioso — íleo paralítico e prescrição inadequada
🩹 Dor pós-operatória
↓ prescreve
💊 Tramadol / Opioide
inibe peristaltismo
↓ causa
🤢 Distensão + Náusea + Vômito
↓ prescreve
💊 Ondansetrona
reduz trânsito intestinal via receptor 5-HT₃
↓ piora
🔁 Íleo paralítico piorado → mais dor → mais tramadol
Solução: minimizar opioides, analgesia multimodal (protocolos ERAS/ACERTO), verificar K⁺ (hipocalemia retarda o trânsito), mobilizar precocemente
Tríade de Virchow — TVP perioperatória
TVP / TEP Resultado da tríade LESÃO ENDOTELIAL Manipulação cirúrgica de vasos HIPERCOAGULABILIDADE Estado inflamatório pós-op ESTASE SANGUÍNEA — Imobilidade Prevenção: Mobilização precoce + Meias compressão + Heparina profilática
Fatores de risco para deiscência de ferida operatória
Desnutrição
Alto
Diabetes mellitus
Alto
Imunossupressão
Alto
Obesidade
Mod.
Hematoma / Seroma local
Mod.
🔄
Íleo, TVP e deiscência — prevenção e manejo
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08

Quiz interativo

Questão 1 · Febre pós-operatória
Paciente submetido a colecistectomia laparoscópica evolui com febre de 38,2°C no mesmo dia da cirurgia. Sem foco infeccioso. Qual a hipótese mais provável e a conduta?
Questão 2 · Infarto perioperatório
Paciente idosa, pós-op de cirurgia ortopédica, sem queixas. FC caiu de 78 para 46 bpm sem causa aparente. ECG com alterações de repolarização. Conduta?
Questão 3 · Delírio pós-operatório
Idoso de 78 anos, 3º dia de pós-op em UTI, agitado, confuso, não reconhece a família, com flutuação do nível de consciência ao longo do dia. Diagnóstico e principal intervenção?
Questão 4 · Ciclo vicioso
Pós-op de ressecção intestinal. Paciente com dor e distensão progressiva. Recebeu tramadol 100 mg + ondansetrona 8 mg e piorou. O erro no manejo é:
09

Armadilhas da banca

Febre precoce
Febre no 1º dia pós-op = infecção
❌ "Paciente com febre de 38°C no dia seguinte à cirurgia. Iniciar antibiótico empírico."
Febre no pós-op imediato = atelectasia. Infecção raramente antes de 72h. Tratar com fisioterapia, não antibiótico. Exceção: urgência ou paciente que entrou infectado.
Infarto silencioso
Sem dor no peito = sem infarto
❌ "Paciente sem dor torácica no pós-op — infarto descartado."
Até 85% dos infartos perioperatórios são assintomáticos. Diagnóstico: troponina + ECG. Paciente de risco vai para UTI justamente por isso.
Delírio
Delírio = haloperidol + prometazina
❌ "Idoso agitado no pós-op. Prescrever haloperidol + prometazina."
Manejo prioritariamente não farmacológico. Reorientação, mobilização, família, redução de ruído. Haloperidol + prometazina: sem benefício adicional, potencializa risco. Família à beira do leito é o melhor remédio.
Íleo paralítico
Tramadol + ondansetrona = manejo correto da dor pós-op abdominal
❌ "Pós-op abdominal com dor e náusea: tramadol + ondansetrona."
Ciclo vicioso: tramadol inibe peristaltismo → ondansetrona piora o íleo. Minimizar opioides, checar K⁺, mobilizar. Protocolos ERAS e ACERTO: analgesia multimodal.
IRA perioperatória
Precisou de diálise = função renal perdida
❌ "Paciente evoluiu com IRA e foi para diálise — função renal permanentemente comprometida."
IRA perioperatória é predominantemente pré-renal e frequentemente reversível. Recuperação possível mesmo após diálise temporária. Reverter a hipovolemia é a chave.
🏆
Complicações pós-operatórias — treinar com questões de prova
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Autoria: Igor Sabino para o MedCaju · Aula oral de Clínica Cirúrgica (2026) · Complementado com diretrizes e anotações pessoais
Aviso: Material estritamente de estudo. Não substitui fontes primárias, literatura médica oficial nem orientação profissional.