Antipsicóticos — Guia de Estudo
Psiquiatria · Farmacologia  |  MedCaju — Plataforma de Questões Médicas

Anti-psicóticos

Resumo organizado por Igor Sabino para o MedCaju. Baseado em aula oral e complementado com Katzung — Farmacologia Básica e Clínica.
🧠 Psiquiatria · Farmacologia do SNC — Aula + Katzung
Foco: Típicos · Atípicos · EPS · SNM · Lítio
01

Psicose e Esquizofrenia

📋 Caso Clínico📖 Conceitual

Psicose é uma síndrome, não um diagnóstico. Define-se pela perda do contato com a realidade — delírios, alucinações e pensamento desorganizado. Qualquer paciente com sintomas positivos ativos pode receber antipsicótico, independentemente do diagnóstico subjacente.

Da aula

"Os pacientes esquizofrênicos usam antipsicóticos. Os pacientes com depressão com características psicóticas usam antipsicóticos. Os pacientes em surto de mania usam antipsicóticos. O tratamento dos sintomas positivos não tem como requisito o diagnóstico do transtorno."

"A esquizofrenia é um transtorno do neurodesenvolvimento. Geralmente se manifesta na adolescência, 20 e poucos anos. Uma vez que o surto se instala, é como se houvesse uma neuroreorganização das conexões sinápticas — a amígdala passa a dominar dentro do sistema límbico. E aí o paciente começa a manifestar esse perfil. Geralmente não é reversível."

"O paciente com comportamento psicótico não vai ter uma medida sobre as consequências dos seus atos — justamente por essa inibição cortical provocada pelo excesso de estímulos dopaminérgicos. O sistema límbico com dopamina em excesso inibe o raciocínio. Na psicose isso ocorre em extensão muito maior."

Sintomas Positivos

Aquilo que aparece além do normal — exacerbação patológica. São os que os antipsicóticos tratam melhor.

🔴 Alucinações (auditivas, visuais, táteis, olfativas)
🔴 Delírios (persecutórios, de grandeza, etc.)
🔴 Pensamento grosseiramente desorganizado
🔴 Comportamento bizarro / agitação

Sintomas Negativos

Aquilo que se perde — empobrecimento da função. Os típicos têm pouco efeito aqui. Os atípicos ajudam mais.

🔵 Embotamento afetivo (afeto plano)
🔵 Alogia (pobreza de discurso)
🔵 Avolição / Anedonia
🔵 Retraimento social
🎯 Como cai na prova
Antipsicótico para sintomas positivos independe do diagnóstico — psicose por droga, mania com psicose, depressão psicótica: todos podem receber antipsicótico.
Esquizofrenia = 1% da população, responsável por metade das internações psiquiátricas de longa duração. Onset típico: adolescência a 20 e poucos anos.
Típicos têm pouco/nenhum efeito sobre sintomas negativos. Atípicos melhoram embotamento, retraimento e avolição — cobrado em questões comparativas.
02

Hipótese Dopaminérgica — As 4 Vias

📖 Conceitual✕ Exceto
Da aula

"A hipótese dopaminérgica da esquizofrenia foi o segundo conceito formulado baseado em neurotransmissores. Ela deixa de ser considerada adequada como explicação única para todos os aspectos da esquizofrenia. Mas ainda majora a ideia de que a atividade dopaminérgica límbica excessiva desempenha um papel na psicose."

"Os receptores de dopamina D2 são receptores inibitórios. Essas projeções inibitórias sobre o córtex vão fazer esse efeito inibitório e aí o raciocínio reduz. É como na paixão — o sistema límbico exerce uma pressão inibitória sobre o córtex pré-frontal, e você toma decisões que não tomaria fora desse contexto. Na psicose isso ocorre em extensão muito maior e sem controle."

Mesolímbica / Mesocortical
Cognição, humor, motivação, recompensa
Excesso de DA nessa via → sintomas positivos da psicose. É o alvo terapêutico principal dos antipsicóticos.
✓ Bloqueio D2 aqui → efeito antipsicótico
Nigroestriatal
Controle motor extrapiramidal
Bloqueio D2 aqui → sintomas extrapiramidais (EPS): parkinsonismo, acatisia, distonia. Principal fonte de toxicidade dos típicos.
✗ Bloqueio D2 aqui → EPS, discinesia tardia
Tuberoinfundibular
Controle da prolactina (DA inibe prolactina)
Bloqueio D2 aqui → DA não inibe mais prolactina → hiperprolactinemia. Galactorreia, amenorreia, ginecomastia, disfunção sexual.
✗ Bloqueio D2 aqui → hiperprolactinemia
Quimiorreceptora (CTZ)
Zona gatilho do vômito
Bloqueio D2 na CTZ → efeito antiemético. Alguns antipsicóticos são usados como antieméticos (ex: metoclopramida, proclorperazina).
✓ Bloqueio D2 aqui → efeito antiemético útil
⚠️
Limitação da hipótese dopaminérgica pura
Drogas como a fenciclidina (PCP) causam psicose sem efeito sobre receptores dopaminérgicos. Clozapina tem virtualmente nenhuma afinidade por D2 e é eficaz. Isso levou à hipótese serotoninérgica — base dos atípicos (bloqueio 5-HT2A).
🎯 Como cai na prova — As 4 vias
Via mesolímbica → efeito terapêutico. Via nigroestriatal → EPS. Via tuberoinfundibular → hiperprolactinemia. CTZ → antiemético. Saber qual bloqueio causa qual efeito é questão direta.
Dopamina normalmente inibe a prolactina. Bloqueio D2 → DA não inibe → prolactina sobe. Risperidona tem a maior hiperprolactinemia entre os atípicos.
Agonistas dopaminérgicos (levodopa, anfetamina) exacerbam a psicose — evidência que suporta a hipótese dopaminérgica.
03

Classificação dos Antipsicóticos

📖 Conceitual⚠ Incorreta
Da aula

"A maioria dos de segunda geração e alguns de primeira são tão potentes na inibição do receptor 5-HT2 quanto na inibição dos receptores D2. O aripiprazol, por exemplo, é um agonista parcial. Não nocoutteia 100% a capacidade cognitiva do paciente. Até porque se você nocouttear muitos receptores, vai desativar também funções executivas."

"Ao tempo em que você tem a psicose como um fenômeno excitatório, se você inibir demais para resolver os sintomas positivos, você pode rebaixar o paciente a ponto dele se tornar socialmente disfuncional. Eu peço que vocês entendam esse conceito — o paciente fica entre aspas lésio. Embotamento induzido."

1ª Geração · Alta afinidade D2
Típicos
Bloqueiam D2 nas 4 vias dopaminérgicas → eficazes nos sintomas positivos, mas com alto custo de EPS e efeitos adversos.
Haloperidol ★ Clorpromazina Flufenazina Tioridazina Trifluoperazina
⚠ Problemas principais Alto risco de EPS, discinesia tardia, hiperprolactinemia. Pouco efeito em sintomas negativos.
2ª Geração · D2 + 5-HT2A
Atípicos
Bloqueiam D2 E 5-HT2A → menos EPS, melhoram sintomas negativos, mas têm síndrome metabólica e outros efeitos.
Clozapina ★ Olanzapina Risperidona Quetiapina Ziprasidona
⚠ Problemas principais Síndrome metabólica (peso, glicemia), prolongamento QT, agranulocitose (clozapina).
Agonistas Parciais D2 / 5-HT1A
Agonistas Parciais
Não bloqueiam completamente o D2 — modulam parcialmente. Menos embotamento, menos síndrome metabólica, menos EPS.
Aripiprazol ★ Brexpiprazol
✓ Vantagens marcantes Sem ganho de peso relevante, sem hiperprolactinemia, sem hiperglicemia. Indicado em TEA com agitação, mania.
🎯 Como cai na prova — Classificação
Aripiprazol = agonista parcial D2 e 5-HT1A, antagonista 5-HT2A. Não é bloqueador puro — esse detalhe é cobrado diretamente em questões conceituais.
Clozapina = praticamente nenhuma afinidade por D2. Age principalmente em D4 e 5-HT2. Isso explica por que causa menos EPS e é eficaz em refratários.
Típicos ainda são usados no SUS por custo. Atípicos exigem protocolo de medicamentos excepcionais — paciente precisa de critérios de inclusão/exclusão para retirar na farmácia estadual.
04

Fármacos em Detalhe

⚠ Incorreta✕ Exceto📋 Caso Clínico
Da aula

"O decanoato de haloperidol — como ele é um decanoato, ele só é usado por via intramuscular. Uma vez injetado no músculo, ele cria um depósito que libera lentamente. Uma única dose faz com que o paciente tenha doses baixas de haloperidol na corrente sanguínea por 21 a 28 dias. É usado para o paciente que não adere à medicação oral — se ele esquecer de tomar, pelo menos tem algo liberando ali."

Urgência psiquiátricaDepot IMAlto risco EPS

Butirofenona. Bloqueio D2 potente. Menor sedação entre os típicos — mais EPS. Referência de potência para comparação com outros antipsicóticos.

VO: 1–15 mg/dia · IM convencional: crise aguda · Decanoato (depot): 50–200 mg IM a cada 2–4 semanas
  • Decanoato: formulação depot — libera haloperidol por 21–28 dias. Para pacientes não aderentes
  • Menor sedação de todos os típicos (inverso da clorpromazina)
  • Maior risco de EPS entre todos os antipsicóticos
  • Uso em urgência quando não se sabe a causa: preferir diazepam (tem reversor)
  • Nunca usar em psicose de Parkinson — piora dramaticamente
Sedação intensaEfeitos autonômicos

Fenotiazina alifática. Alta sedação, fortes efeitos antimuscarínicos e anti-α1. Primeiro antipsicótico desenvolvido (1952).

VO: 100–600 mg/dia em doses divididas
  • Maior sedação entre os típicos (inverso do haloperidol)
  • Fortes efeitos atropina-like: boca seca, retenção urinária, constipação, visão turva
  • Hipotensão ortostática (bloqueio α1) — risco de queda em idosos
  • Efeito antiemético útil (exceto tioridazina)
Arritmia fatalDepósito retiniano

Fenotiazina piperidínica. Mais efeitos autonômicos de todos os típicos. Cardiotoxicidade grave — pode causar arritmias ventriculares fatais em altas doses.

Uso muito restrito atualmente por toxicidade
  • Depósito retiniano → comprometimento visual irreversível com uso crônico
  • Prolongamento QT → arritmias ventriculares fatais
  • Não tem efeito antiemético (exceção entre as fenotiazinas)
  • Mais efeitos autonômicos de todos os antipsicóticos
RefratáriosPsicose no ParkinsonAgranulocitose 1–2%

Primeiro atípico. Alta afinidade para D4 e 5-HT2, praticamente nenhuma afinidade D2. Eficaz em 30–60% dos pacientes refratários a outros antipsicóticos.

VO: 150–600 mg/dia — iniciar baixo, titular gradualmente
  • Monitorar hemograma obrigatório — agranulocitose em 1–2% (potencialmente fatal)
  • Em altas doses: convulsões
  • Maior ganho de peso e hiperglicemia entre os atípicos
  • Não exacerba discinesia tardia — pode ser usado nesses pacientes
  • Indicado em psicose do Parkinson — baixíssimo risco de EPS
  • Efeitos autonômicos intermediários; hipotensão ortostática importante
Mania agudaBipolar manutençãoPeso e glicemia

Alta afinidade para D2, 5-HT2A e múltiplos receptores. Eficaz em sintomas positivos e negativos. Aprovada como monoterapia na mania aguda.

VO: 5–20 mg/dia · IM: disponível para crise aguda
  • Maior ganho de peso e hiperglicemia junto com clozapina — síndrome metabólica
  • Sedação moderada
  • Aprovada para mania aguda e manutenção do transtorno bipolar
  • Menos EPS que os típicos, mais que alguns outros atípicos
Amplamente usada SUSHiperprolactinemia ↑↑

Alta afinidade D2 e 5-HT2A. Em doses altas, comporta-se como típico em termos de EPS.

VO: 2–8 mg/dia · Microsfera depot (Risperdal Consta): 25–50 mg IM a cada 2 semanas
  • Maior hiperprolactinemia entre os atípicos — amenorreia, galactorreia, ginecomastia
  • Em doses altas: risco de EPS aumenta significativamente
  • Disponível em formulação depot de microsfera
  • Metabolismo: converte-se em paliperidona (metabólito ativo)
Bipolar depressãoProlongamento QT

Afinidade moderada D2, alta 5-HT2A. Sedativa. Muito usada no transtorno bipolar, inclusive na fase depressiva.

VO: 150–800 mg/dia (bipolar: 50–300 mg)
  • Prolonga QT — cuidado em cardiopatas e uso de outros fármacos que prolongam QT
  • Sedação intensa — útil em insônia do bipolar
  • Peso moderado, glicemia moderada
  • Usada em psicose do Parkinson (baixo risco EPS)
TEA com agitaçãoMania bipolarMelhor perfil metabólico

Agonista parcial D2 e 5-HT1A. Antagonista 5-HT2A. Não bloqueia completamente o D2 — modula sem silenciar totalmente a via dopaminérgica.

VO: 10–30 mg/dia · Depot IM mensal disponível
  • Sem ganho de peso relevante, sem hiperprolactinemia, sem hiperglicemia
  • Menos sedante de todos os atípicos
  • Menos EPS que típicos
  • TEA com agitação e sintomas positivos — não nocoutteia as funções executivas
  • Aprovado para mania aguda e manutenção do bipolar
Menos metabólicoQT prolongado

Antagonista D2, 5-HT2A e 5-HT1D. Agonista 5-HT1A. Único atípico com baixíssima tendência a ganho de peso e hiperglicemia (além do aripiprazol).

VO: 40–160 mg/dia com alimentos (absorção ↑ com comida)
  • Sem ganho de peso significativo
  • Prolonga QT — contraindicado em pacientes com QTc prolongado ou com outros fármacos que prolongam QT
  • Sem efeitos antimuscarínicos significativos
05

Efeitos Adversos — Comparativo

✕ Exceto⚠ Incorreta
Da aula

"A discinesia ela é um fenômeno esperado em quem usa. O ideal são os atípicos. Mas tem casos onde é necessário usar típico, ou tem casos onde o paciente não se enquadra no protocolo e aí no SUS usam os de primeira geração. O SUS dá os atípicos também, só que o paciente precisa seguir o protocolo direitinho — critério de inclusão e exclusão para retirar na farmácia de dispensação especial."

Fármaco EPS Discinesia Tardia Sedação Hiperprolact. Peso/Glicemia QT ↑ Autonômico
Haloperidol Alta Alta Baixa Mod. Baixo Baixo Fraco
Clorpromazina Mod. Mod. Alta Mod. Mod. Mod. Forte
Tioridazina Mod. Mod. Alta Mod. Mod. ⚠ Alta Forte
Clozapina Muito baixo Não piora Alta Baixa ⚠ Alta Baixo Mod.
Olanzapina Baixo Baixa Mod. Baixa ⚠ Alta Baixo Mod.
Risperidona Mod. Mod. Mod. ⚠ Alta Mod. Baixo Mod.
Quetiapina Baixo Baixa Alta Baixa Mod. Mod. Mod.
Aripiprazol Baixo Baixa Baixa Nenhuma Nenhum Baixo Fraco
Ziprasidona Baixo Baixa Baixa Baixa Nenhum ⚠ Alta Fraco
Alto/importante Moderado Baixo Ausente
🎯 Como cai na prova — Efeitos Adversos
Haloperidol: mais EPS, menos sedação. Clorpromazina: mais sedação, mais efeitos autonômicos. Esse par é clássico de questão comparativa.
Clozapina e olanzapina: maior síndrome metabólica (peso + hiperglicemia). Aripiprazol e ziprasidona: sem ganho de peso nem hiperglicemia — diferencial importante.
Tioridazina: depósito retiniano + arritmia fatal + sem efeito antiemético. Esses três juntos = questão frequente.
Clozapina = agranulocitose 1–2% → hemograma obrigatório. Em overdose: convulsões. Não piora discinesia tardia.
06

Efeitos Extrapiramidais e Discinesia Tardia

⚠ Incorreta📖 Conceitual
Da aula

"A discinesia ela é um fenômeno esperado em quem usa antipsicóticos. Existem casos que é necessário usar mesmo. E no SUS, com os típicos, ela acaba sendo mais comum. O ideal são os atípicos — mas para o paciente chegar a usar atípico no SUS, ele precisa fazer o protocolo dos medicamentos excepcionais."

Tempo
Horas–dias
Distonia Aguda
Contrações musculares involuntárias e sustentadas — espasmo de pescoço, olhos virados (crise oculógira), torcicolo. Muito angustiante. Mais comum em jovens do sexo masculino.
Tratamento: difenidramina ou biperideno IM — resposta rápida
Tempo
Dias–semanas
Acatisia
Inquietação motora intensa — incapacidade de ficar parado, necessidade de se mover constantemente. Muito desconfortável, pode levar a abandono do tratamento.
Tratamento: reduzir dose · propranolol · benzodiazepínico · trocar fármaco
Tempo
Semanas–meses
Parkinsonismo Induzido
Bradicinesia, rigidez em roda dentada, tremor de repouso — igual ao Parkinson idiopático. Bloqueio D2 na via nigroestriatal. Mais comum com haloperidol e flufenazina.
Tratamento: reduzir dose · antimuscarínico (biperideno) · trocar para atípico
Tempo
Meses–anos
Discinesia Tardia ⚠ IRREVERSÍVEL
Movimentos coreoatetoides de lábios, língua e boca (mastigação, protrusão lingual, beijo). Pode acometer tronco e membros. Aparece após meses a anos de uso. Pode ser IRREVERSÍVEL.
⚠ Antimuscarínico PIORA. Trocar para clozapina não exacerba. Sem tratamento eficaz estabelecido
🚨
Ponto crítico — Discinesia Tardia
Antimuscarínico (biperideno) PIORA a discinesia tardia — o oposto dos outros EPS onde o antimuscarínico ajuda. Essa inversão é a pegadinha mais cobrada em provas sobre antipsicóticos.
🎯 Como cai na prova — EPS e DT
Distonia aguda e parkinsonismo → antimuscarínico melhora. Discinesia tardia → antimuscarínico piora. Esse contraste é o mais cobrado.
Discinesia tardia pode ser irreversível — aparecer com 6 meses a anos de uso. Aumentar a dose do neuroléptico pode atenuar temporariamente (supersensibilidade de D2).
Trocar para clozapina não exacerba a discinesia tardia — é a opção se for necessário manter antipsicótico.
07

Síndrome Neuroléptica Maligna

🚨 Emergência📖 Conceitual
🚨
Síndrome Neuroléptica Maligna — Emergência Médica

Critérios Diagnósticos

  • Rigidez muscular intensa ("lead pipe")
  • Hipertermia (febre alta >38°C)
  • Instabilidade autonômica (PA lábil, taquicardia, diaforese)
  • Alteração do nível de consciência
  • CPK muito elevada (rabdomiólise)
  • Leucocitose

Tratamento Imediato

  • Suspender antipsicótico imediatamente
  • Dantrolene — relaxante muscular de ação direta
  • Bromocriptina — agonista dopaminérgico (reverte bloqueio D2)
  • Diazepam — controle da agitação e rigidez
  • Suporte: hidratação, controle da temperatura
  • UTI se instabilidade grave
⚠️
SNM vs Hipertermia Maligna
SNM = antipsicóticos → tratar com dantrolene + bromocriptina. Hipertermia maligna = anestésicos inalatórios/succinilcolina → tratar com dantrolene apenas. A diferença de tratamento é o agonista dopaminérgico (SNM) — cobrado em questões comparativas.
08

Guia de Escolha Clínica

📋 Caso Clínico🚨 Urgência
Da aula

"Se chegar uma pessoa batendo em todo mundo, gritando com delírios persecutórios, dependendo do contexto — antipsicótico. Agora, se você está na urgência e não sabe se é mania ou psicose, se usou droga — dá diazepam. Por quê? Porque se o paciente rebaixar você tem como reverter com flumazenil. Se você der haloperidol e o paciente rebaixar por outra causa, não tem reversor."

"Psicose no Parkinson: usar clozapina ou quetiapina — baixíssima afinidade D2, não piora o parkinsonismo. Haloperidol e típicos são contraindicados — vão piorar dramaticamente o quadro motor."

Situação
🧠 Esquizofrenia — 1ª escolha geral
Atípico — Risperidona, Olanzapina ou Quetiapina

Melhor perfil de efeitos adversos que os típicos. No SUS, exige protocolo de medicamentos excepcionais. Se não aderir à oral: haloperidol decanoato depot IM a cada 2–4 semanas.

Situação
🔴 Refratário a 2+ antipsicóticos
Clozapina — única eficaz em 30–60% dos refratários

Monitorar hemograma (agranulocitose 1–2%). Iniciar com dose baixa e titular. Não nocoutteia D2 diretamente — age em D4 e 5-HT2.

Situação
🫀 Psicose no Parkinson
Clozapina ou Quetiapina — NUNCA típico

Haloperidol e típicos são contraindicados — pioram dramaticamente o parkinsonismo. Clozapina/quetiapina têm mínima afinidade D2 nigroestriatal.

Situação
⚡ Mania aguda
Olanzapina ou Quetiapina (aprovadas em monoterapia)

Aripiprazol aprovado para mania e manutenção do bipolar. Lítio tem início lento — associar antipsicótico na fase aguda. Típicos podem ser usados na urgência com ressalvas.

Situação
🧩 TEA com agitação / sintomas positivos
Aripiprazol — agonista parcial, preserva funções executivas

Não silencia completamente a via dopaminérgica. Não causa embotamento cognitivo severo. Sem ganho de peso nem hiperprolactinemia.

Situação
🚨 Urgência: dúvida mania × psicose × droga
Diazepam IV — tem reversor (flumazenil)

Se paciente rebaixar por causa não identificada, flumazenil reverte. Antipsicótico sem reversor. Depois que a causa for identificada, ajusta o tratamento. Atenção: flumazenil pode precipitar convulsão em dependentes de benzodiazepínico.

Situação
💊 Discinesia tardia — manter antipsicótico necessário
Trocar para Clozapina — não exacerba DT

Antimuscarínico piora a discinesia tardia — não usar. Trocar para clozapina é a opção quando é necessário manter antipsicótico. Sem tratamento farmacológico eficaz estabelecido para a DT.

09

Lítio e Transtorno Bipolar

📖 Conceitual✕ Exceto
Do Katzung — Mecanismo

O lítio inibe enzimas envolvidas no reciclamento dos fosfoinositídeos de membrana neuronal — especificamente a inositol monofosfatase. Isso depleta o PIP2 (fosfatidilinositol bisfosfato), reduzindo a geração de IP3 e DAG. Esses segundo mensageiros são essenciais para a transmissão de aminas, incluindo adrenérgicos centrais e receptores muscarínicos. O resultado é uma redução uso-dependente da transmissão sináptica nos circuitos hiperativados — base do efeito estabilizador do humor.

Níveis Séricos de Lítio (mEq/L)

Subterapêutico <0,4
Manutenção 0,4–0,7
Agudo 0,8–1,2
Tóxico >1,5
00,40,71,21,5+

Índice terapêutico estreito — monitorar níveis séricos regularmente, especialmente nas primeiras semanas. Coleta 12h após última dose.

Farmacocinética do Lítio

  • Absorção oral rápida e completa
  • Distribuição pelo volume d'água corporal
  • Eliminação renal — clearance = 1/5 da creatinina
  • Meia-vida ~20 horas
  • Desidratação → ↑ reabsorção renal → nível tóxico

Interações que elevam nível de lítio

⚠ Tiazídicos — ↓ excreção renal de lítio → toxicidade
⚠ AINEs — ↓ excreção renal de lítio → toxicidade
⚠ IECA/BRA — ↓ excreção renal de lítio → toxicidade
✓ Cafeína/teofilina — ↑ clearance renal de lítio (nível cai)
  • Tremor — efeito mais comum, dose-dependente
  • Diabetes insípido nefrogênico — reversível, polúria/polidipsia
  • Edema — comum
  • Sedação, ataxia, afasia em níveis tóxicos
  • Aumento tireoidiano (hipotireoidismo raro)
  • Leucocitose — sempre presente (não é infecção)
  • Erupções acneiformes
  • Gestação: anomalia de Ebstein (cardíaca) — risco baixo mas real. Suspender 24–48h antes do parto. Contraindicado na amamentação.
Mania aguda e manutenção
  • Ácido valpróico — eficácia antimânica equivalente ao lítio. Primeira escolha nos EUA para fase aguda. Útil em pacientes que não respondem ao lítio. Pode associar com lítio.
  • Carbamazepina — mania aguda e profilaxia. Indutor enzimático potente (CYP3A4).
  • Lamotrigina — profilaxia da fase depressiva do bipolar. Menos eficaz na mania.
  • Olanzapina e quetiapina — aprovadas como monoterapia para mania aguda
  • Aripiprazol — aprovado para mania aguda e manutenção do bipolar
  • Benzodiazepínicos — adjuvantes na fase aguda (lítio e valproato têm início lento)
🎯 Como cai na prova — Lítio e Bipolar
Tiazídicos, AINEs e IECA elevam nível de lítio → toxicidade. Cafeína/teofilina reduzem. Esse quadro de interações é questão recorrente.
Lítio tem início lento → associar antipsicótico ou benzodiazepínico na fase aguda da mania até o lítio atingir nível terapêutico.
Antidepressivo em monoterapia no bipolar pode precipitar mania — contraindicado em monoterapia.
Anomalia de Ebstein (cardíaca) — risco com lítio na gestação. Suspender 24–48h antes do parto.
Checklist de Revisão — Antipsicóticos
0 / 22 revisados
🧠 Psicose e Mecanismo
Antipsicótico trata sintomas positivos independente do diagnóstico — psicose por droga, mania psicótica, depressão psicótica: todos podem receber.
4 vias dopaminérgicas: mesolímbica (efeito terapêutico) · nigroestriatal (EPS) · tuberoinfundibular (hiperprolactinemia) · CTZ (antiemético).
Aripiprazol = agonista parcial D2 — não bloqueador puro. Sem ganho de peso, sem hiperprolactinemia, sem hiperglicemia. Indicado em TEA com agitação.
Clozapina tem praticamente nenhuma afinidade D2 — age em D4 e 5-HT2. Eficaz em refratários. Não piora discinesia tardia.
⚠ Efeitos Adversos Críticos
Haloperidol: mais EPS, menos sedação. Clorpromazina: mais sedação, mais efeitos autonômicos. Par clássico de questão comparativa.
Clozapina e olanzapina: maior síndrome metabólica. Aripiprazol e ziprasidona: sem ganho de peso nem hiperglicemia.
Risperidona = maior hiperprolactinemia entre os atípicos. Amenorreia, galactorreia, ginecomastia.
Tioridazina: depósito retiniano + arritmia fatal (QT ↑↑) + SEM efeito antiemético. Esses três juntos = questão típica.
Clozapina = agranulocitose 1–2% → hemograma obrigatório. Convulsões em altas doses. Hipotensão ortostática importante.
QT prolongado: quetiapina e ziprasidona. Cuidado em cardiopatas e combinação com outros fármacos que prolongam QT.
⏱️ EPS e Discinesia Tardia
Distonia aguda e parkinsonismo → antimuscarínico (biperideno) melhora. Discinesia tardia → antimuscarínico PIORA. Essa inversão é a pegadinha mais cobrada.
Discinesia tardia pode ser irreversível. Aparece após meses a anos. Sem tratamento eficaz. Trocar para clozapina não exacerba.
SNM = emergência: rigidez + hipertermia + instabilidade autonômica. Tratamento: dantrolene + bromocriptina + diazepam. Suspender antipsicótico.
✅ Escolhas Clínicas
Psicose no Parkinson: clozapina ou quetiapina. Haloperidol e típicos contraindicados — pioram dramaticamente o parkinsonismo.
Urgência com dúvida (mania × psicose × droga): diazepam — tem reversor (flumazenil). Antipsicótico não tem reversor.
Haloperidol decanoato depot IM → libera por 21–28 dias. Para pacientes não aderentes à medicação oral.
Atípicos no SUS exigem protocolo de medicamentos excepcionais — critérios de inclusão e exclusão, retirada na farmácia estadual.
🔵 Lítio e Bipolar
Lítio: nível terapêutico agudo 0,8–1,2 mEq/L · manutenção 0,4–0,7. Índice terapêutico estreito — monitorar regularmente.
Elevam nível de lítio → toxicidade: tiazídicos · AINEs · IECA/BRA · desidratação. Reduzem: cafeína, teofilina.
Lítio tem início lento → associar antipsicótico/BZD na fase aguda. Antidepressivo em monoterapia no bipolar pode precipitar mania.
Lítio na gestação: anomalia de Ebstein (risco baixo mas real). Suspender 24–48h antes do parto. Contraindicado na amamentação.

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